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Avanço da Discussão sobre um Código de Ética e as Repercussões Internas no Supremo

A discussão em torno da criação de um Código de Conduta para os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) tem ganhado um impulso significativo nas últimas semanas, um movimento que, segundo análises, pode fortalecer a posição do atual presidente da Corte, ministro Edson Fachin. A iniciativa, que visa estabelecer um conjunto claro de regras éticas para a atuação dos magistrados, enfrenta, contudo, considerável resistência dentro do próprio tribunal, evidenciando as complexidades e sensibilidades envolvidas no tema.

O ministro Fachin tem sido um defensor vocal da necessidade de tais diretrizes, buscando convencer seus pares sobre a importância de adotar um regramento ético formal. No entanto, seus esforços encontram obstáculos, com parte dos ministros argumentando que o momento atual não seria o mais propício para essa discussão, temendo que a adoção de um código pudesse ser interpretada como uma admissão de culpa em um cenário de intensas pressões externas sobre a instituição.

Este cenário é analisado pelo especialista em política Pedro Venceslau, em participação no programa Agora CNN. Venceslau destaca que a crescente pressão externa, aliada ao posicionamento proativo de Fachin, pode inclinar a balança a favor da implementação do código, apesar das objeções internas. As informações foram divulgadas durante o Agora CNN deste domingo (1º).

A Estratégia de Fachin e a Resistência Interna dos Ministros

Desde que assumiu a presidência do STF, o ministro Edson Fachin tem demonstrado uma postura calculada na promoção da ideia de um código de ética. Seus movimentos, embora discretos, visam pavimentar o caminho para que a Corte adote um conjunto de normas que regulem a conduta de seus membros, buscando maior transparência e previsibilidade na atuação judicial. A proposta de Fachin, no entanto, não é recebida de forma unânime por seus colegas, o que gera um embate interno sobre a pertinência e o timing da medida.

A principal barreira para a implementação do código reside na argumentação de que o momento político e social do Brasil é demasiadamente delicado para tal iniciativa. Muitos ministros expressam a preocupação de que, em meio a ataques e questionamentos frequentes à imparcialidade do STF, a criação de um código de conduta poderia ser mal interpretada pela opinião pública e por grupos políticos. A interpretação de que a medida seria uma confissão de falhas ou uma resposta a pressões externas é um dos receios centrais que alimentam a resistência interna.

Essa cautela se acentua em um contexto onde o Supremo Tribunal Federal se encontra no epicentro de diversas controvérsias e alvo de críticas, principalmente de setores da direita brasileira. A percepção de que a Corte está sob escrutínio constante faz com que qualquer movimento interno seja analisado com lupa, tanto por observadores externos quanto pelos próprios magistrados, que buscam preservar a imagem e a autonomia institucional em um período de alta polarização.

O Cenário de Ataques da Direita e a Pressão Eleitoral sobre o STF

A resistência interna à adoção de um código de conduta no STF é intensificada pelo clima de tensão política que permeia o país, especialmente em um ano eleitoral. O tribunal tem sido alvo constante de ataques da direita brasileira, que questiona suas decisões e a atuação de seus ministros. Essa campanha de descredibilização busca, em muitos casos, minar a autoridade da Corte e influenciar o debate público.

Um exemplo notório dessa estratégia é a postura do Partido Liberal (PL), legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro. O PL adotou como tática priorizar as eleições para o Senado Federal, com o objetivo claro de aumentar a pressão sobre o Supremo Tribunal Federal. A lógica por trás dessa estratégia é a de que um Senado com maior representatividade de partidos alinhados à direita poderia, eventualmente, abrir caminho para iniciativas de maior controle ou mesmo de impeachment de ministros do STF, caso se configurasse maioria para tal.

Além disso, situações recentes envolvendo figuras proeminentes da Corte, como os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, contribuem para o ambiente de acirramento. Embora a fonte não detalhe os casos específicos, é sabido que a atuação desses ministros em processos de grande repercussão, muitas vezes relacionados a investigações sobre ataques à democracia ou disseminação de fake news, gerou controvérsia e acentuou a polarização, alimentando a percepção de que a Corte estaria sob ataque e, por sua vez, sob necessidade de maior regramento ético.

A Crescente Demanda Externa por Transparência e Ética

Apesar das barreiras internas, a pressão da sociedade civil e de entidades representativas pela criação de um Código de Conduta para o STF tem crescido exponencialmente. Essa demanda reflete uma expectativa pública por maior transparência, responsabilização e clareza nas diretrizes que regem a conduta dos magistrados da mais alta Corte do país. A percepção de que o poder Judiciário, em especial o STF, exerce uma influência cada vez maior sobre a vida política e social brasileira, alimenta a busca por mecanismos que garantam a integridade e a imparcialidade de suas decisões.

Um marco recente dessa mobilização externa foi a iniciativa da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP). Há poucas semanas, a OAB-SP enviou ao STF uma sugestão de Código de Conduta, cuidadosamente elaborada por um grupo de notáveis, incluindo ex-ministros da Justiça e até mesmo ex-ministros do próprio Supremo Tribunal Federal. Essa proposta não é um evento isolado, mas se soma a uma série de outras ações e manifestações que buscam estabelecer parâmetros éticos claros para a atuação dos membros da Corte, reforçando a ideia de que a autorregulação é fundamental para a credibilidade institucional.

A elaboração de um documento por figuras de tamanha envergadura jurídica e institucional confere peso e legitimidade à demanda, dificultando que o STF ignore completamente as propostas. Essa iniciativa da OAB-SP é um sinal claro de que a discussão sobre a ética e a conduta dos ministros transcende os corredores do tribunal e se torna uma pauta de interesse público, com amplos setores da sociedade civil clamando por um Judiciário que opere sob as mais estritas normas de integridade e imparcialidade.

O Dilema do Timing e o Risco de Instrumentalização Política

O debate sobre o Código de Conduta para o STF é permeado por uma preocupação significativa em relação ao timing de sua implementação. Para alguns ministros, a discussão neste momento delicado, marcado por forte polarização política e ataques diretos à Corte, pode ser interpretada como uma fragilidade institucional, abrindo flanco para que setores políticos utilizem a pauta de forma instrumental. O receio é que o debate seja cooptado por grupos que buscam desestabilizar o tribunal ou promover agendas específicas.

A ala da ultradireita brasileira, por exemplo, tem defendido abertamente o impeachment de integrantes do STF, e a discussão sobre um código de conduta poderia ser vista como uma oportunidade para intensificar essa narrativa. A preocupação é que, ao invés de fortalecer a imagem da Corte, o debate sobre ética e conduta possa ser distorcido e utilizado como ferramenta para questionar a legitimidade dos ministros e de suas decisões, alimentando um ciclo de desconfiança e instabilidade que já afeta o cenário político nacional.

Diante desse cenário, a cautela se torna uma marca da discussão interna. Os ministros precisam ponderar cuidadosamente os benefícios de um código de conduta – como o aumento da credibilidade e a clareza de regras – contra os riscos de que a iniciativa seja politicamente explorada. A balança entre a necessidade de autorregulação e a proteção da instituição contra manipulações externas é um dos maiores desafios a serem enfrentados nesta complexa conjuntura.

Como a Pressão Externa Fortalece a Posição de Fachin

Paradoxalmente, a mesma pressão externa que gera apreensão entre alguns ministros do STF acaba por fortalecer a posição de Edson Fachin na defesa do Código de Conduta. Ao longo do tempo, Fachin tem sido um dos poucos a advogar abertamente pela necessidade de regras claras de conduta para os ministros. Sua insistência, antes vista como uma iniciativa mais isolada, ganha agora um novo peso com o aumento da demanda da sociedade civil e de importantes entidades, como a OAB-SP.

A intensificação da pressão externa confere legitimidade e um senso de urgência à proposta de Fachin. Quando a sociedade civil organizada, ex-ministros e a opinião pública clamam por maior rigor ético, a defesa de um código de conduta deixa de ser apenas uma visão pessoal de um ministro e se transforma em uma resposta institucional a uma demanda social. Isso permite que Fachin apresente a proposta não como uma reação a falhas, mas como um movimento proativo e necessário para a modernização e o fortalecimento da imagem do STF.

Ao ter o apoio de setores externos, Fachin ganha argumentos robustos para confrontar a resistência interna. A tese de que o momento não seria adequado para a discussão perde força quando se observa que a própria sociedade está pautando a necessidade de tais regras. Dessa forma, a pressão externa atua como um catalisador, dando a Fachin a alavancagem política necessária para impulsionar a pauta do código de conduta, transformando um desafio em uma oportunidade de consolidar sua liderança e promover uma agenda de integridade na Corte.

O Impacto Potencial de um Código de Conduta na Atuação do STF

A eventual implementação de um Código de Conduta para os ministros do STF teria um impacto significativo e multifacetado na atuação da Corte e na percepção pública sobre o Poder Judiciário. Em um nível fundamental, a existência de regras claras sobre ética, relacionamento com as partes, manifestações públicas e uso de informações privilegiadas poderia trazer maior previsibilidade e uniformidade à conduta dos magistrados, reduzindo a margem para interpretações subjetivas e potenciais conflitos de interesse.

Na prática, um código bem estruturado poderia estabelecer limites mais nítidos para a participação de ministros em eventos políticos, suas interações com o mercado e a mídia, e a forma como lidam com informações sensíveis. Isso não apenas protegeria a imagem individual dos ministros, mas, principalmente, a independência e a imparcialidade do próprio Supremo Tribunal Federal como instituição. A percepção de que os ministros seguem um rigoroso padrão ético é crucial para a manutenção da confiança da população na justiça.

Além disso, um código de conduta poderia servir como um balizador interno para os próprios ministros, oferecendo um guia para decisões éticas em situações complexas. Em um cenário de crescente ativismo judicial e de intensa polarização, ter um conjunto de normas que reforce os princípios de decoro, diligência e equidade seria um passo importante para solidificar a legitimidade da Corte. O que mudaria na prática seria uma maior responsabilização e uma elevação dos padrões de conduta, alinhando o STF às melhores práticas de governança judicial internacional e fortalecendo seu papel como guardião da Constituição.

Perspectivas Futuras: O que Esperar do Debate e da Instituição

O debate em torno do Código de Conduta para o STF está longe de ser concluído, mas a intensificação da pressão externa e o fortalecimento da posição do ministro Edson Fachin indicam que a pauta permanecerá em destaque. O que pode acontecer a partir de agora é uma aceleração das discussões internas, com a necessidade de a Corte responder de alguma forma às crescentes demandas por maior transparência e ética. As próximas etapas envolverão negociações delicadas entre os ministros, buscando um consenso que contemple tanto a necessidade de autorregulação quanto a preservação da autonomia e da imagem do tribunal.

Caso um código de conduta seja efetivamente adotado, espera-se que ele traga maior clareza sobre as expectativas de comportamento dos ministros, podendo mitigar algumas das críticas que a Corte tem recebido. Isso poderia resultar em um STF percebido como mais responsável e alinhado às expectativas sociais de integridade. Por outro lado, a forma como esse código será elaborado e aplicado será crucial. Um documento superficial ou que não aborde as questões centrais de forma robusta pode não atingir os objetivos esperados e até gerar novas críticas.

No cenário mais amplo, a discussão sobre a ética no STF reflete um momento de amadurecimento institucional e de maior escrutínio público sobre todos os Poderes da República. Independentemente do desfecho imediato, o debate já contribui para elevar a barra das expectativas em relação à conduta dos magistrados e para fortalecer a ideia de que a autorregulação é um caminho necessário para a perenidade e a credibilidade das instituições democráticas brasileiras em um futuro cada vez mais complexo e exigente.


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A discussão em torno da criação de um Código de Conduta para os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) tem ganhado um impulso significativo nas últimas semanas, um movimento que, segundo análises, pode fortalecer a posição do atual presidente da Corte, ministro Edson Fachin. A iniciativa, que visa estabelecer um conjunto claro de regras éticas para a atuação dos magistrados, enfrenta, contudo, considerável resistência dentro do próprio tribunal, evidenciando as complexidades e sensibilidades envolvidas no tema.

O ministro Fachin tem sido um defensor vocal da necessidade de tais diretrizes, buscando convencer seus pares sobre a importância de adotar um regramento ético formal. No entanto, seus esforços encontram obstáculos, com parte dos ministros argumentando que o momento atual não seria o mais propício para essa discussão, temendo que a adoção de um código pudesse ser interpretada como uma admissão de culpa em um cenário de intensas pressões externas sobre a instituição.

Este cenário é analisado pelo especialista em política Pedro Venceslau, em participação no programa Agora CNN. Venceslau destaca que a crescente pressão externa, aliada ao posicionamento proativo de Fachin, pode inclinar a balança a favor da implementação do código, apesar das objeções internas. As informações foram divulgadas durante o Agora CNN deste domingo (1º).

A Estratégia de Fachin e a Resistência Interna dos Ministros

Desde que assumiu a presidência do STF, o ministro Edson Fachin tem demonstrado uma postura calculada na promoção da ideia de um código de ética. Seus movimentos, embora discretos, visam pavimentar o caminho para que a Corte adote um conjunto de normas que regulem a conduta de seus membros, buscando maior transparência e previsibilidade na atuação judicial. A proposta de Fachin, no entanto, não é recebida de forma unânime por seus colegas, o que gera um embate interno sobre a pertinência e o timing da medida.

A principal barreira para a implementação do código reside na argumentação de que o momento político e social do Brasil é demasiadamente delicado para tal iniciativa. Muitos ministros expressam a preocupação de que, em meio a ataques e questionamentos frequentes à imparcialidade do STF, a criação de um código de conduta poderia ser mal interpretada pela opinião pública e por grupos políticos. A interpretação de que a medida seria uma confissão de falhas ou uma resposta a pressões externas é um dos receios centrais que alimentam a resistência interna.

Essa cautela se acentua em um contexto onde o Supremo Tribunal Federal se encontra no epicentro de diversas controvérsias e alvo de críticas, principalmente de setores da direita brasileira. A percepção de que a Corte está sob escrutínio constante faz com que qualquer movimento interno seja analisado com lupa, tanto por observadores externos quanto pelos próprios magistrados, que buscam preservar a imagem e a autonomia institucional em um período de alta polarização.

O Cenário de Ataques da Direita e a Pressão Eleitoral sobre o STF

A resistência interna à adoção de um código de conduta no STF é intensificada pelo clima de tensão política que permeia o país, especialmente em um ano eleitoral. O tribunal tem sido alvo constante de ataques da direita brasileira, que questiona suas decisões e a atuação de seus ministros. Essa campanha de descredibilização busca, em muitos casos, minar a autoridade da Corte e influenciar o debate público.

Um exemplo notório dessa estratégia é a postura do Partido Liberal (PL), legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro. O PL adotou como tática priorizar as eleições para o Senado Federal, com o objetivo claro de aumentar a pressão sobre o Supremo Tribunal Federal. A lógica por trás dessa estratégia é a de que um Senado com maior representatividade de partidos alinhados à direita poderia, eventualmente, abrir caminho para iniciativas de maior controle ou mesmo de impeachment de ministros do STF, caso se configurasse maioria para tal.

Além disso, situações recentes envolvendo figuras proeminentes da Corte, como os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, contribuem para o ambiente de acirramento. Embora a fonte não detalhe os casos específicos, é sabido que a atuação desses ministros em processos de grande repercussão, muitas vezes relacionados a investigações sobre ataques à democracia ou disseminação de fake news, gerou controvérsia e acentuou a polarização, alimentando a percepção de que a Corte estaria sob ataque e, por sua vez, sob necessidade de maior regramento ético.

A Crescente Demanda Externa por Transparência e Ética

Apesar das barreiras internas, a pressão da sociedade civil e de entidades representativas pela criação de um Código de Conduta para o STF tem crescido exponencialmente. Essa demanda reflete uma expectativa pública por maior transparência, responsabilização e clareza nas diretrizes que regem a conduta dos magistrados da mais alta Corte do país. A percepção de que o poder Judiciário, em especial o STF, exerce uma influência cada vez maior sobre a vida política e social brasileira, alimenta a busca por mecanismos que garantam a integridade e a imparcialidade de suas decisões.

Um marco recente dessa mobilização externa foi a iniciativa da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP). Há poucas semanas, a OAB-SP enviou ao STF uma sugestão de Código de Conduta, cuidadosamente elaborada por um grupo de notáveis, incluindo ex-ministros da Justiça e até mesmo ex-ministros do próprio Supremo Tribunal Federal. Essa proposta não é um evento isolado, mas se soma a uma série de outras ações e manifestações que buscam estabelecer parâmetros éticos claros para a atuação dos membros da Corte, reforçando a ideia de que a autorregulação é fundamental para a credibilidade institucional.

A elaboração de um documento por figuras de tamanha envergadura jurídica e institucional confere peso e legitimidade à demanda, dificultando que o STF ignore completamente as propostas. Essa iniciativa da OAB-SP é um sinal claro de que a discussão sobre a ética e a conduta dos ministros transcende os corredores do tribunal e se torna uma pauta de interesse público, com amplos setores da sociedade civil clamando por um Judiciário que opere sob as mais estritas normas de integridade e imparcialidade.

O Dilema do Timing e o Risco de Instrumentalização Política

O debate sobre o Código de Conduta para o STF é permeado por uma preocupação significativa em relação ao timing de sua implementação. Para alguns ministros, a discussão neste momento delicado, marcado por forte polarização política e ataques diretos à Corte, pode ser interpretada como uma fragilidade institucional, abrindo flanco para que setores políticos utilizem a pauta de forma instrumental. O receio é que o debate seja cooptado por grupos que buscam desestabilizar o tribunal ou promover agendas específicas.

A ala da ultradireita brasileira, por exemplo, tem defendido abertamente o impeachment de integrantes do STF, e a discussão sobre um código de conduta poderia ser vista como uma oportunidade para intensificar essa narrativa. A preocupação é que, ao invés de fortalecer a imagem da Corte, o debate sobre ética e conduta possa ser distorcido e utilizado como ferramenta para questionar a legitimidade dos ministros e de suas decisões, alimentando um ciclo de desconfiança e instabilidade que já afeta o cenário político nacional.

Diante desse cenário, a cautela se torna uma marca da discussão interna. Os ministros precisam ponderar cuidadosamente os benefícios de um código de conduta – como o aumento da credibilidade e a clareza de regras – contra os riscos de que a iniciativa seja politicamente explorada. A balança entre a necessidade de autorregulação e a proteção da instituição contra manipulações externas é um dos maiores desafios a serem enfrentados nesta complexa conjuntura.

Como a Pressão Externa Fortalece a Posição de Fachin

Paradoxalmente, a mesma pressão externa que gera apreensão entre alguns ministros do STF acaba por fortalecer a posição de Edson Fachin na defesa do Código de Conduta. Ao longo do tempo, Fachin tem sido um dos poucos a advogar abertamente pela necessidade de regras claras de conduta para os ministros. Sua insistência, antes vista como uma iniciativa mais isolada, ganha agora um novo peso com o aumento da demanda da sociedade civil e de importantes entidades, como a OAB-SP.

A intensificação da pressão externa confere legitimidade e um senso de urgência à proposta de Fachin. Quando a sociedade civil organizada, ex-ministros e a opinião pública clamam por maior rigor ético, a defesa de um código de conduta deixa de ser apenas uma visão pessoal de um ministro e se transforma em uma resposta institucional a uma demanda social. Isso permite que Fachin apresente a proposta não como uma reação a falhas, mas como um movimento proativo e necessário para a modernização e o fortalecimento da imagem do STF.

Ao ter o apoio de setores externos, Fachin ganha argumentos robustos para confrontar a resistência interna. A tese de que o momento não seria adequado para a discussão perde força quando se observa que a própria sociedade está pautando a necessidade de tais regras. Dessa forma, a pressão externa atua como um catalisador, dando a Fachin a alavancagem política necessária para impulsionar a pauta do código de conduta, transformando um desafio em uma oportunidade de consolidar sua liderança e promover uma agenda de integridade na Corte.

O Impacto Potencial de um Código de Conduta na Atuação do STF

A eventual implementação de um Código de Conduta para os ministros do STF teria um impacto significativo e multifacetado na atuação da Corte e na percepção pública sobre o Poder Judiciário. Em um nível fundamental, a existência de regras claras sobre ética, relacionamento com as partes, manifestações públicas e uso de informações privilegiadas poderia trazer maior previsibilidade e uniformidade à conduta dos magistrados, reduzindo a margem para interpretações subjetivas e potenciais conflitos de interesse.

Na prática, um código bem estruturado poderia estabelecer limites mais nítidos para a participação de ministros em eventos políticos, suas interações com o mercado e a mídia, e a forma como lidam com informações sensíveis. Isso não apenas protegeria a imagem individual dos ministros, mas, principalmente, a independência e a imparcialidade do próprio Supremo Tribunal Federal como instituição. A percepção de que os ministros seguem um rigoroso padrão ético é crucial para a manutenção da confiança da população na justiça.

Além disso, um código de conduta poderia servir como um balizador interno para os próprios ministros, oferecendo um guia para decisões éticas em situações complexas. Em um cenário de crescente ativismo judicial e de intensa polarização, ter um conjunto de normas que reforce os princípios de decoro, diligência e equidade seria um passo importante para solidificar a legitimidade da Corte. O que mudaria na prática seria uma maior responsabilização e uma elevação dos padrões de conduta, alinhando o STF às melhores práticas de governança judicial internacional e fortalecendo seu papel como guardião da Constituição.

Perspectivas Futuras: O que Esperar do Debate e da Instituição

O debate em torno do Código de Conduta para o STF está longe de ser concluído, mas a intensificação da pressão externa e o fortalecimento da posição do ministro Edson Fachin indicam que a pauta permanecerá em destaque. O que pode acontecer a partir de agora é uma aceleração das discussões internas, com a necessidade de a Corte responder de alguma forma às crescentes demandas por maior transparência e ética. As próximas etapas envolverão negociações delicadas entre os ministros, buscando um consenso que contemple tanto a necessidade de autorregulação quanto a preservação da autonomia e da imagem do tribunal.

Caso um código de conduta seja efetivamente adotado, espera-se que ele traga maior clareza sobre as expectativas de comportamento dos ministros, podendo mitigar algumas das críticas que a Corte tem recebido. Isso poderia resultar em um STF percebido como mais responsável e alinhado às expectativas sociais de integridade. Por outro lado, a forma como esse código será elaborado e aplicado será crucial. Um documento superficial ou que não aborde as questões centrais de forma robusta pode não atingir os objetivos esperados e até gerar novas críticas.

No cenário mais amplo, a discussão sobre a ética no STF reflete um momento de amadurecimento institucional e de maior escrutínio público sobre todos os Poderes da República. Independentemente do desfecho imediato, o debate já contribui para elevar a barra das expectativas em relação à conduta dos magistrados e para fortalecer a ideia de que a autorregulação é um caminho necessário para a perenidade e a credibilidade das instituições democráticas brasileiras em um futuro cada vez mais complexo e exigente.


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