A Síria vive dias de alta tensão com a intensificação dos confrontos entre as forças do governo e as milícias curdas no norte do país. No terceiro dia de embates, as autoridades sírias anunciaram um toque de recolher em seis bairros, incluindo duas áreas de maioria curda.
A violência já resultou em pelo menos 22 mortos e 173 feridos, conforme os dados mais recentes. A situação humanitária é alarmante, com cerca de 100 mil civis forçados a abandonar suas casas em busca de segurança, fugindo da escalada do conflito.
Estes acontecimentos recentes evidenciam a complexa e volátil realidade síria, que, mesmo após a queda do regime de Bashar al-Assad, continua a enfrentar desafios internos e novas frentes de conflito. Entenda os detalhes e o histórico que levaram a este grave cenário, conforme informações divulgadas.
A Ascensão Curda e o Apoio Internacional
As Forças Democráticas Sírias (FDS), majoritariamente curdas, exercem controle sobre uma vasta área no norte e nordeste da Síria, conhecida como Curdistão sírio ou Administração Autônoma do Norte e do Leste da Síria. Esta região possui fronteiras, forças de segurança e autoridades civis que operam de forma independente do restante do país.
Durante o período da guerra civil síria, as FDS foram cruciais no combate ao grupo extremista Estado Islâmico (EI), recebendo inclusive apoio direto dos Estados Unidos. Esse suporte internacional permitiu que as forças curdas consolidassem seu controle militar e administrativo sobre o território.
Acordo Frustrado e Desconfiança Crescente
Com a queda do regime de Bashar al-Assad, em dezembro de 2024, e a subsequente formação de um novo governo em Damasco, a perspectiva sobre a região curda mudou drasticamente. O novo governo sírio passou a considerar esse território como parte integrante que deveria ser reincorporada à autoridade central do Estado.
Em março de 2025, um acordo de integração foi anunciado entre o governo sírio e as FDS, visando a incorporação das forças curdas às instituições civis e militares do Estado. Contudo, a implementação desse pacto tem sido marcada por uma profunda desconfiança e impasses significativos entre as partes envolvidas.
A principal fonte de tensão reside no fato de que os curdos, que heroicamente combateram o Estado Islâmico, agora se veem diante de um governo composto por ex-combatentes de grupos jihadistas, incluindo o próprio EI e a Al Qaeda. Essa composição gera apreensão e dificulta a confiança mútua.
Novas Frentes de Conflito e a Perseguição a Minorias
Desde a queda do regime de Assad, a Síria tem testemunhado o surgimento de novas e preocupantes frentes de conflito. Desta vez, o foco da violência recai sobre as minorias sectárias do país, que se tornaram alvos de perseguição e ataques sistemáticos.
Comunidades como alauítas, drusos e os próprios curdos têm sofrido com a intensificação da violência e a falta de segurança. A atual escalada de confrontos no norte do país é um reflexo direto dessa instabilidade generalizada e da fragilidade da paz na região.