Mercado Reage: Ouro e Prata em Alta Diante da Crise Geopolítica na Venezuela
A recente escalada das tensões geopolíticas, impulsionada pela crise na Venezuela, provocou uma forte valorização nos mercados de ouro e prata. Investidores buscaram refúgio em ativos considerados seguros, resultando em um movimento expressivo de alta para os metais preciosos, um claro sinal do impacto do risco geopolítico.
A captura do líder venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, juntamente com as declarações do presidente Donald Trump sobre o futuro político do país e o acesso às suas reservas, incluindo petróleo, elevou a percepção de risco global.
Esse cenário de incerteza gerou um apetite imediato por proteção, levando a uma disparada nos preços. Para entender os movimentos e as perspectivas, analistas técnicos, como Rodrigo Paz, oferecem uma visão aprofundada sobre o desempenho desses metais no mercado.
Impacto Imediato e Perspectivas de Longo Prazo
O ouro registrou uma valorização significativa, chegando a subir até 2,5% e superando a marca de US$ 4.430 a onça. A prata, por sua vez, demonstrou um desempenho ainda mais notável, com ganhos acima de 7% na última sessão, refletindo a urgência dos investidores em proteger seus portfólios diante da crise.
Contudo, apesar dessa reação inicial robusta, analistas de mercado ressaltam que o impacto da crise na Venezuela tende a ser mais limitado no médio e longo prazo. As avaliações indicam uma expectativa de resolução relativamente rápida, sem a projeção de um conflito militar prolongado, o que pode mitigar o risco geopolítico a longo prazo.
Historicamente, a valorização do ouro em momentos de estresse geopolítico costuma ser passageira e menos duradoura se comparada a outros ativos, como o petróleo. Isso sugere que a sustentação dos atuais patamares de preço dependerá de fatores estruturais mais amplos do que apenas a situação venezuelana.
Análise Técnica do Ouro: Tendência de Alta Preservada
Segundo o analista técnico Rodrigo Paz, o ouro atualmente negocia acima das médias móveis de 9 e 21 períodos, bem como das referências de médio e longo prazo, o que preserva sua tendência primária de alta. O metal acumulou uma valorização superior a 60% em 2025 e iniciou o ano com forte apetite comprador.
Na última sessão, o ouro avançou 2,5%, reforçando o controle dos compradores e a consistência do movimento altista. Apesar desse cenário construtivo, o afastamento das médias no curto prazo pode sugerir um espaço para movimentos de correção técnica ou lateralização, sem descaracterizar o viés altista predominante.
O Índice de Força Relativa (IFR) de 14 períodos, em 63,23 pontos, permanece em zona neutra, mas já se aproxima da região de sobrecompra. Para a continuidade da alta, a superação da região de topo em US$ 4.550, que corresponde à máxima histórica, é crucial.
Um rompimento consistente desse patamar tende a renovar o fôlego comprador e abrir espaço para novas projeções de alta. Os principais pontos de resistência e suporte são:
- Resistências: US$ 4.500, US$ 4.550. Acima desse nível, os alvos projetados situam-se em US$ 4.608, US$ 4.690, US$ 4.735 e US$ 4.835.
- Suportes: US$ 4.342, US$ 4.275, US$ 4.168, US$ 4.127, US$ 3.997 e US$ 3.893.
Prata em Destaque: Mais de 140% de Valorização em 2025
A prata também exibe uma clara tendência primária de alta, negociando acima das médias móveis de 9 e 21 períodos, conforme análise de Rodrigo Paz. O ativo acumulou uma valorização impressionante, superior a 140% em 2025, e iniciou o novo ano com um forte apetite comprador, mesmo em meio ao aumento do risco geopolítico.
Na última sessão, a prata avançou mais de 7%, consolidando o controle dos compradores e mantendo um fluxo direcional positivo. Similar ao ouro, o afastamento das médias no curto prazo sugere a possibilidade de correções técnicas ou movimentos de consolidação, sem, contudo, descaracterizar a estrutura de alta.
O IFR de 14 períodos da prata, em 63,77 pontos, também se encontra em zona neutra e se aproxima da região de sobrecompra. Para a continuidade do movimento de alta, a superação da região de topo em US$ 82,67, que representa a máxima histórica, é um ponto crucial.
Um rompimento consistente desse nível tende a renovar o fôlego comprador e abrir espaço para alvos mais longos. Os principais pontos de resistência e suporte são:
- Resistências: US$ 77,83, US$ 80,00, US$ 82,67 (máxima histórica). Acima desse patamar, os alvos projetados encontram-se em US$ 85,46, US$ 89,61 e US$ 95,00.
- Suportes: US$ 70,51, US$ 67,47, US$ 61,01, US$ 56,85, US$ 53,75 e US$ 48,05.
A volatilidade impulsionada por eventos geopolíticos, como a crise na Venezuela, continua a moldar os mercados de commodities, incluindo o ouro e a prata. Acompanhar a análise técnica é fundamental para investidores que buscam navegar por esses cenários de risco e oportunidade.