A Venezuela, sob o comando do ditador Nicolás Maduro, realizou a transferência de um volume impressionante de ouro para a Suíça. Estima-se que o valor total dessas remessas atinja cerca de US$ 5,2 bilhões, conforme informações divulgadas nesta terça-feira, 6 de fevereiro.
Essas operações ocorreram predominantemente entre os anos de 2013, quando Maduro assumiu a presidência, e 2016, um período marcado pelo agravamento acentuado da crise econômica venezuelana e pela queda das receitas do petróleo. A movimentação do metal precioso visava prover liquidez ao regime.
Os dados, reportados pela agência Reuters e detalhados também pela emissora pública suíça SRF e pela Euronews, lançam luz sobre as estratégias financeiras adotadas por Caracas para tentar contornar a deterioração das contas públicas e a escassez de moeda forte no país.
A Origem e o Destino do Ouro Venezuelano
Segundo a Reuters, aproximadamente 113 toneladas de ouro foram enviadas à Suíça a partir do Banco Central da Venezuela nesse intervalo crucial. A Euronews, por sua vez, relata que, ao longo de cerca de cinco anos, Caracas chegou a transportar até 127 toneladas do metal precioso para refinarias suíças.
As refinarias da Suíça desempenham um papel central no mercado global de ouro, transformando o metal em barras certificadas no padrão internacional conhecido como “Good Delivery”. Essa certificação facilita imensamente a comercialização e a circulação financeira do ouro em escala global.
Especialistas citados pela Reuters indicam que houve uma venda acelerada de ouro pelo Banco Central da Venezuela entre 2012 e 2016. Este movimento foi uma tentativa de sustentar a economia do país, que sofria com a queda abrupta das receitas provenientes do petróleo, sua principal fonte de divisas.
Estratégias de Liquidez do Governo Maduro
Em um contexto de forte deterioração das contas públicas e de uma crescente escassez de moeda forte, o governo de Nicolás Maduro recorreu à redução de suas reservas metálicas. O objetivo era claro, obter liquidez imediata para as finanças do Estado.
Parte desse ouro era vendida diretamente no mercado internacional, enquanto outra parcela era utilizada como garantia em complexas operações financeiras. Além disso, o metal precioso serviu como um ativo valioso na renegociação de dívidas externas, oferecendo um respiro financeiro temporário ao regime.
A análise da emissora suíça RTS sugere que, após ser refinado na Suíça, parte do ouro venezuelano pode ter sido posteriormente transferida para outros centros financeiros internacionais, como o Reino Unido, além de ter sido vendido para países como a Turquia.
Sanções Internacionais e o Fim das Exportações
É importante destacar que, no período em que essas remessas ocorreram, as operações de exportação de ouro da Venezuela para a Suíça não violavam as sanções internacionais então em vigor. A situação mudaria nos anos seguintes, com o endurecimento das medidas contra o país.
Os dados revelam que as exportações de ouro da Venezuela para a Suíça cessaram a partir de 2017. Esse foi o ano em que a União Europeia (UE) começou a impor sanções direcionadas a autoridades venezuelanas, medidas que foram posteriormente adotadas também pelo governo suíço, impactando diretamente a capacidade de Caracas de movimentar seus ativos.