Agricultores em diversos países europeus, incluindo a Bélgica e a França, têm intensificado suas manifestações contra o polêmico acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul. Os protestos, que incluem bloqueios de rodovias e portos, refletem uma profunda preocupação com o futuro do setor agrícola local.

A principal queixa dos produtores reside no temor de que a abertura do mercado europeu a produtos do Mercosul, que muitas vezes seguem padrões de produção e controles menos rigorosos, crie uma concorrência desleal. Eles argumentam que isso poderia inviabilizar a produção local, que já enfrenta altos custos e regulamentações estritas.

As mobilizações, que já se estendem por dias, ganham força em um momento crucial, com a UE planejando a assinatura formal do acordo. As informações sobre os protestos foram divulgadas por agências de notícias e sindicatos agrícolas europeus, detalhando a persistência e a abrangência das ações.

Mobilização Cresce na Bélgica Contra o Acordo UE-Mercosul

Na Bélgica, as interrupções nas estradas persistiam neste domingo, especialmente nas províncias de Hainaut e Namur, que fazem fronteira com a França. Embora muitos bloqueios tivessem sido levantados na sexta-feira, veículos de imprensa locais confirmaram que as barreiras na rodovia E411, em Namur, continuavam ativas, mantendo parte da autoestrada fechada.

Em um ato simbólico de protesto, um agricultor despejou uma carga de batatas na Grand-Place, no coração de Bruxelas, a capital belga. A polícia de Bruxelas informou que o condutor do trator foi levado para interrogatório, evidenciando a ousadia das manifestações contra o acordo UE-Mercosul.

O sindicato flamengo Boerenbond, que se manifestou em frente ao Parlamento Europeu, denunciou que o acordo de livre comércio forçará o setor agrícola belga e europeu a competir com produtos importados. Estes produtos, segundo o sindicato, são produzidos “com padrões mais baixos e controles insuficientes”, um ponto central da insatisfação.

França Mantém Bloqueios e Ações Estratégicas

Na França, grupos de agricultores mantiveram bloqueios em diferentes rodovias e na entrada do porto de Le Havre. Cerca de 300 agricultores participaram da ação em Le Havre, onde fiscalizavam caminhões, permitindo apenas a passagem de produtos que respeitassem as regras de produção europeias.

Justin Lemaitre, secretário-geral do sindicato Jovens Agricultores no departamento de Sena Marítimo, afirmou à emissora France Info que o objetivo era “denunciar este acordo do Mercosul”. Ele ressaltou que, apesar do aval dos embaixadores da UE ao acordo, com o voto contrário da França, “ainda restam caminhos” para bloquear sua implementação.

Pontos de bloqueio foram estabelecidos no sul da França, como na rodovia A63, junto à fronteira espanhola, e na rodovia A64, que liga Toulouse a Bayona. Essas ações demonstram a determinação dos agricultores franceses em pressionar contra a ratificação do acordo UE-Mercosul.

Futuro do Acordo: Votação e Resistência Contínua

Apesar da aprovação pelos embaixadores dos países da UE na última sexta-feira, o caminho para a implementação do acordo UE-Mercosul ainda é longo e incerto. As organizações agrícolas europeias lamentaram o aval e garantiram que realizarão novas mobilizações, mantendo a pressão sobre os legisladores.

Justin Lemaitre mencionou duas vias importantes para tentar barrar o acordo: a votação no Parlamento Europeu e a possibilidade de um recurso perante o Tribunal de Justiça da UE. A União Europeia planeja assinar formalmente o acordo comercial no próximo dia 17 de janeiro, no Paraguai, mas a resistência dos produtores promete ser intensa.

Impacto Europeu: Protestos Além das Fronteiras

Os protestos dos agricultores não se limitam à Bélgica e à França. Nos últimos dias, produtores protagonizaram manifestações em diversos países, incluindo Espanha, Alemanha e Grécia. Essa onda de insatisfação sublinha a amplitude da preocupação europeia com o impacto do acordo UE-Mercosul na agricultura local.

A união dos agricultores em diferentes nações mostra um consenso sobre os potenciais riscos do tratado. Eles buscam proteger seus meios de subsistência e garantir que os produtos importados sigam os mesmos padrões de qualidade e sustentabilidade exigidos da produção europeia, evitando uma competição que consideram desleal.

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