A decisão do ministro Jhonatan de Jesus de recuar da inspeção no Banco Central marca um ponto de virada no Caso Master, acirrando a disputa sobre a credibilidade do sistema financeiro nacional.
O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Jhonatan de Jesus, deve paralisar seu pedido de inspeção técnica no Banco Central (BC), referente à investigação do Banco Master. Esta medida ocorre em um cenário de intensa pressão e questionamentos sobre a atuação do órgão de controle.
A reviravolta acontece logo após o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) protocolar uma representação contra o magistrado na Procuradoria-Geral da República (PGR). O parlamentar apontou suspeitas de abuso de autoridade nas ações do TCU relacionadas ao caso.
A informação sobre o recuo do TCU foi confirmada com exclusividade à coluna da jornalista Ana Flor, do G1, pelo próprio presidente da corte, Vital do Rêgo, que também se manifestou sobre a complexidade e sensibilidade do tema.
A reviravolta no processo do Banco Master
A possibilidade de reversão da liquidação do Banco Master, decretada pelo BC, também perdeu força após declarações públicas de Vital do Rêgo. Ele condicionou qualquer medida a uma eventual decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), indicando cautela por parte do TCU.
À Reuters, Vital do Rêgo afirmou que, até o momento, não há elementos suficientes que comprovem uma suposta precipitação do Banco Central no caso. Essa postura demonstra uma mudança significativa no tom da presidência do TCU diante da situação.
Vital do Rêgo informou ainda que tem agendada uma reunião na próxima semana com representantes do governo federal, incluindo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o presidente do BC, Gabriel Galípolo, para debater o delicado tema.
A representação do senador Alessandro Vieira
Nesta quarta-feira, o senador Alessandro Vieira formalizou a representação ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, contra Jhonatan de Jesus. Vieira levantou severas críticas à atuação do ministro do TCU no Caso Master.
Em uma postagem na rede social X, o parlamentar elevou o tom, classificando a atuação do ministro como “absolutamente inconstitucional”. Ele ainda afirmou que tal comportamento “coloca em risco a credibilidade do Banco Central e do sistema financeiro nacional”.
A representação de Vieira é um fator crucial que impulsionou o recuo do TCU. A iniciativa do senador trouxe à tona a discussão sobre os limites da fiscalização e a autonomia das instituições.
O contexto da disputa e as suspeitas sobre o TCU
Desde dezembro, o TCU tem levantado suspeitas sobre a atuação do Banco Central no caso, um comportamento que vem sendo interpretado por analistas como uma tentativa de salvar Daniel Vorcaro. Vorcaro é um banqueiro com notório relacionamento estreito com políticos influentes.
A movimentação do TCU representa mais um capítulo da intensa disputa que circunda a decisão inédita de questionar a liquidação do Banco Master pelo BC. Este embate institucional tem gerado grande repercussão nos meios político e financeiro.
A pressão institucional pode ter sido reforçada por campanhas digitais coordenadas. Tais campanhas visavam descredibilizar o BC e influenciar a opinião pública para um resultado que poderia levar à reversão da liquidação do Master, indicando uma estratégia mais ampla.
A liquidação do Banco Master e a Operação Compliance Zero
A liquidação do Banco Master foi decretada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025, uma data que marcou o ápice de uma série de investigações. A medida foi tomada em um contexto de irregularidades graves.
Paralelamente à liquidação, ocorreu a Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. Esta operação investigou a emissão de títulos falsos e outros crimes financeiros, revelando a complexidade do esquema.
Na mesma época da liquidação e da operação policial, o controlador Daniel Vorcaro tentou deixar o país, mas acabou sendo preso. Esse fato adiciona uma camada dramática e de alta relevância ao desfecho do Caso Master, sublinhando a gravidade das acusações.