Mercado Cervejeiro Brasileiro em Retração Acentuada Pressiona Estratégia da Heineken Após Troca de CEO

A recente troca no comando global da Heineken, com a saída de Dolf van den Brink, acontece em um momento de grande instabilidade para o mercado cervejeiro brasileiro. O setor enfrenta uma queda significativa nos volumes de vendas e uma pressão crescente sobre as margens de lucro, cenário que reacende discussões cruciais sobre a sustentabilidade dos investimentos da companhia no país.

A gigante holandesa Heineken, seu ex-CEO global Dolf van den Brink, analistas de mercado, a Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil) e consultorias como o Citi e a NielsenIQ estão no centro desta análise. A saída de Van den Brink, anunciada no início da semana retrasada, é vista por fontes de mercado como um reflexo direto das pressões geradas pelos baixos volumes, especialmente na América Latina e no Brasil.

A mudança de liderança coincide com a divulgação de dados que mostram uma retração de consumo no Brasil ao longo de 2025, comparado a 2024, e um desempenho mais fraco da Heineken nas Américas no terceiro trimestre do ano passado. Essas informações emergem de análises de mercado e dados setoriais, que colocam a estratégia de expansão da cervejaria sob um intenso escrutínio.

O Desempenho Global da Heineken Reflete Desafios Regionais e Projeções Cautelosas

Embora a saída de Dolf van den Brink seja uma decisão de âmbito global, o contexto adverso do mercado cervejeiro brasileiro adiciona uma camada de complexidade e urgência à transição. A Heineken, que mantém um ritmo acelerado de expansão de capacidade no Brasil, com destaque para a planta de Passos (MG) que pode adicionar cerca de 5 milhões de hectolitros por ano, vê seus planos serem questionados em face da realidade econômica.

No terceiro trimestre do ano passado, a companhia registrou uma queda de 4,3% em seu volume global de cerveja, em comparação com o mesmo período de 2024. A retração foi ainda mais acentuada nas Américas, atingindo 7,4%. Este cenário global de desaceleração, combinado com as dificuldades específicas do mercado brasileiro, cria um ambiente desafiador para a nova liderança.

No balanço divulgado, a Heineken indicou que o crescimento do lucro operacional orgânico em 2025 deve se aproximar do piso do intervalo de projeções, entre 4% e 8%. Essa revisão para baixo reflete as incertezas e as pressões enfrentadas pela empresa em diversas regiões, com o Brasil emergindo como um ponto de atenção crucial devido à sua relevância e ao ritmo de investimentos.

A Queda do Consumo de Cerveja no Brasil: Números Preocupantes da Indústria

A fragilidade do mercado não é um problema exclusivo da Heineken, mas sim um desafio que atinge todo o setor cervejeiro nacional. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil), o mercado brasileiro de cerveja acumulou uma queda entre 6,5% e 7% no consumo em volume de janeiro a setembro de 2025, em comparação com o mesmo período de 2024. Esses números representam uma desaceleração significativa e acendem um sinal de alerta para as empresas do segmento.

Paulo Petroni, diretor-geral da CervBrasil, estima que os dados consolidados de 2025 devem fechar com uma retração entre 5% e 6% em volume. Ele aponta que os indicadores preliminares do IBGE para outubro e novembro não mostraram uma recuperação, o que consolida a expectativa de um ano difícil.

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