Tensões entre Donald Trump e Jerome Powell escalam, ameaçando a estabilidade do Federal Reserve e a economia mundial
A relação entre o ex-presidente Donald Trump e Jerome Powell, atual presidente do Federal Reserve (Fed), atingiu um ponto crítico, desencadeando uma crise institucional que pode ter repercussões globais. As recentes pressões sobre Powell levantam sérias questões sobre a capacidade do banco central americano de manter sua autonomia.
Este cenário de alta tensão é considerado sem precedentes, colocando em xeque um dos pilares da economia global, a independência do Fed. A situação atual é vista como um momento de grave instabilidade, com implicações que vão além das fronteiras dos Estados Unidos.
A gravidade da situação foi analisada pela economista Lucinda Pinto, em sua participação no CNN Prime Time, conforme informações divulgadas pela CNN Brasil, que ressaltou a seriedade do momento.
Crise Institucional e a Rara Manifestação de Powell
O nível de preocupação é tão elevado que Jerome Powell fez um pronunciamento extraordinário no último fim de semana. Este tipo de iniciativa é extremamente raro, tendo ocorrido apenas três vezes nas últimas duas décadas em momentos de extrema gravidade, como a crise do Lehman Brothers, a pandemia de Covid-19 e a quebra de bancos médios em 2023.
Segundo Lucinda Pinto, “O que podemos dizer é que estamos vivendo um momento em que as relações que já não eram boas ficaram ainda mais graves”. A atitude de Powell de vir a público indica a seriedade das ameaças a Jerome Powell e à autonomia do banco central.
“O fato do Powell ter tomado essa iniciativa de vir a público e dizer que está sendo pressionado, e o presidente está querendo trazer questões para desviar o foco do que importa, que é a política monetária, mostra uma crise grave”, complementou a analista, sublinhando a natureza da crise.
O Alcance Global da Crise de Independência do Fed
A analista Lucinda Pinto enfatizou que esta não é uma crise isolada dos Estados Unidos, mas sim uma questão com impacto mundial. O Federal Reserve, por sua posição e influência, serve como um modelo e referência para outros bancos centrais ao redor do mundo, especialmente em termos de liberdade e independência institucional.
Os Estados Unidos possuem uma longa tradição e um legado de instituições robustas, o que torna a atual situação ainda mais alarmante. A percepção é que as ações de Donald Trump parecem ter motivações mais políticas do que estritamente econômicas, configurando uma demonstração de poder que pode minar a integridade dessas instituições.
Há uma preocupação crescente sobre quem sucederá Powell em maio e, principalmente, como será conduzida a política monetária americana em um período tão crucial para a estabilidade econômica global, diante das contínuas ameaças a Jerome Powell e à autonomia do Fed.
Impactos Imediatos nos Mercados Financeiros Mundiais
Os efeitos dessa tensão já são visíveis nos mercados internacionais, com o dólar sendo um dos principais indicadores. “O primeiro efeito e o impacto que, na verdade, a gente já vinha sentindo há algum tempo e deve sentir bastante daqui para frente é sobre o dólar, porque o Banco Central americano, no fim das contas, o que ele faz? Ele tem que controlar a inflação em dólar”, explicou Lucinda Pinto.
Ao longo do dia, a moeda americana registrou queda em relação a importantes divisas como o euro e o iene, além de ceder terreno frente a outras moedas emergentes, com a notável exceção do real brasileiro. Este comportamento reflete a incerteza gerada pelas pressões sobre o Fed.
Paralelamente, o ouro, considerado um porto seguro em tempos de instabilidade, continua sua trajetória de alta, sinalizando a apreensão dos investidores. Os juros de longo prazo dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) de 30 anos também subiram, ultrapassando os 4,80%, um patamar incomum para os padrões dos EUA, indicando um problema fiscal significativo.
O ‘Tiro no Pé’ de Trump e as Consequências Econômicas
O aumento dos juros de longo prazo representa um custo considerável para o Tesouro americano, dificultando a rolagem de sua dívida e agravando a situação dos cofres públicos. “Esse juro longo, custa para o Tesouro americano fazer a rolagem da sua dívida, ele custa para os cofres públicos, então ele agrava a situação”, alertou Lucinda Pinto.
A analista concluiu que, embora Trump esteja tentando marcar uma posição política e defender sua liberdade de intervir em órgãos públicos, suas ações podem ser um “tiro no pé”. Na prática, a intervenção e as ameaças a Jerome Powell resultam no enfraquecimento da moeda americana e na pressão sobre os juros de longo prazo.
Este cenário sublinha a importância da independência do Fed para a estabilidade econômica, não apenas dos Estados Unidos, mas de todo o sistema financeiro global, que observa com atenção os desdobramentos dessa crise.