Crise Energética Atinge Nível Crítico em Cuba com Apagões Sem Precedentes
Cuba está mergulhada em uma das mais severas crises energéticas de sua história recente, com projeções indicando que até 63% do território nacional poderá ser afetado simultaneamente por apagões no período de pico. Este índice representa a maior taxa registrada desde 2022, ano em que os dados oficiais sobre a distribuição de energia na ilha caribenha passaram a ser divulgados publicamente.
A situação de emergência, que tem gerado profunda preocupação entre a população e analistas, é o resultado de uma combinação de fatores complexos. Entre eles, destacam-se as avarias contínuas em centrais termoelétricas envelhecidas e a crônica escassez de divisas essenciais para a importação de combustível, insumos vitais para a geração de eletricidade.
O cenário, já desafiador, foi significativamente agravado por uma intensificação das pressões exercidas pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. As medidas americanas visam diretamente o fornecimento de petróleo à ilha, adicionando uma camada extra de dificuldade à já precária infraestrutura energética cubana, conforme informações divulgadas.
A Escala do Apagão Recorde e Seus Precedentes
A previsão de que 63% de Cuba enfrentará um apagão simultâneo não é apenas um número, mas um indicativo da profundidade da crise que assola a nação. Desde que o governo cubano começou a divulgar dados mais transparentes sobre os cortes de energia em 2022, este percentual se configura como o mais elevado já reportado. Tal escala sugere não apenas um inconveniente, mas uma interrupção massiva de serviços essenciais e do cotidiano de milhões de cubanos.
Os apagões, que já são uma realidade diária em diversas regiões da ilha, tendem a se prolongar por horas, afetando residências, hospitais, escolas e indústrias. A falta de energia impacta diretamente a conservação de alimentos, a comunicação, o transporte e a capacidade produtiva do país, gerando uma cascata de problemas sociais e econômicos. A memória coletiva dos cubanos guarda recordações de crises energéticas anteriores, mas a atual se destaca pela sua abrangência e pela complexidade dos fatores que a desencadearam, prometendo um dos sábados mais sombrios em termos de disponibilidade elétrica.
A divulgação desses dados em si já reflete uma mudança na postura oficial, permitindo uma avaliação mais precisa da magnitude do problema. Contudo, a persistência e o agravamento dos cortes de energia demonstram que as soluções implementadas até o momento não têm sido suficientes para reverter o quadro, que se mostra cada vez mais crítico para a população cubana.
A Crise Energética Cubana: Causas Estruturais e Históricas
A atual crise energética em Cuba não é um fenômeno isolado, mas sim o ápice de décadas de desafios estruturais e decisões políticas. A ilha atravessa dificuldades graves desde meados de 2024, mas as raízes do problema são muito mais profundas. Um dos pilares dessa fragilidade reside na dependência de centrais termoelétricas obsoletas. Muitas dessas usinas datam da era soviética e operam muito além de sua vida útil projetada, exigindo manutenção constante e peças de reposição que são difíceis de adquirir devido à falta de recursos e ao embargo americano.
As sucessivas avarias nessas infraestruturas antigas são uma constante, resultando em interrupções frequentes no fornecimento de energia. A falta de investimento crônico no setor, que permanece integralmente sob controle do Estado desde a Revolução Cubana de 1959, impediu a modernização e diversificação da matriz energética. Especialistas independentes apontam que esse subfinanciamento é um fator-chave, limitando a capacidade de Cuba de construir novas usinas, investir em fontes renováveis ou sequer manter adequadamente as instalações existentes.
Além da infraestrutura precária, a escassez de divisas – moeda estrangeira forte como dólares ou euros – é um entrave fundamental. Cuba depende da importação de combustível para alimentar suas usinas, e a falta de divisas restringe severamente a capacidade do país de adquirir petróleo e gás no mercado internacional. Essa carência é agravada pela limitada capacidade de exportação cubana e pelas restrições impostas pelo embargo econômico, criando um ciclo vicioso de dependência e vulnerabilidade.
A Intensificação da Pressão dos EUA sob o Governo Trump
O cenário energético cubano, já fragilizado por questões internas, foi significativamente impactado pela intensificação das medidas de pressão adotadas pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A política externa americana em relação a Cuba tem sido historicamente complexa, mas a administração Trump adotou uma postura particularmente rigorosa, revertendo muitas das aberturas diplomáticas iniciadas pela gestão anterior.
A pressão americana ganhou um novo ímpeto após eventos envolvendo o presidente venezuelano Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, que foram interpretados por Washington como um gatilho para aumentar as sanções. Os Estados Unidos têm como objetivo declarado interromper o fornecimento de petróleo bruto da Venezuela a Cuba, uma aliança que tem sido vital para a ilha caribenha, especialmente após o declínio do apoio soviético.
Essa estratégia visa estrangular uma das principais fontes de energia de Cuba, exacerbando a já grave escassez de combustível. A Casa Branca argumenta que o regime cubano apoia o governo de Maduro e, ao cortar o fluxo de petróleo, busca pressionar ambos os países. As consequências dessas ações são sentidas diretamente no cotidiano dos cubanos, que dependem desse combustível para a geração de eletricidade e para o funcionamento de serviços essenciais.
O Bloqueio do Petróleo Venezuelano e as Novas Tarifas
A Venezuela tem sido um parceiro crucial para Cuba no fornecimento de petróleo nas últimas décadas, oferecendo condições preferenciais de pagamento que aliviam a pressão sobre as limitadas divisas cubanas. No entanto, essa relação tem sido alvo direto das sanções americanas. A pressão de Washington se intensificou de forma notável com o objetivo de frear esse fluxo de combustível, criando um desafio logístico e financeiro sem precedentes para Havana.
Em um movimento decisivo, o governo Trump anunciou, em uma quinta-feira recente (30), a imposição de tarifas a países ou entidades que vendam ou forneçam petróleo à