A Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDF) instaurou, nesta terça-feira (13), um procedimento para investigar as condições de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. A iniciativa surge após pedidos formais de parlamentares, que expressaram profunda preocupação com o bem-estar do ex-mandatário.
A apuração da DPDF foca em garantir que os direitos de Bolsonaro estejam sendo respeitados, especialmente no que tange ao acesso a cuidados médicos adequados enquanto ele está sob custódia. Este desenvolvimento adiciona uma nova camada de complexidade ao caso do ex-presidente.
As solicitações para a investigação foram apresentadas pelo senador Izalci Lucas (PL-DF) e pelo deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO), conforme divulgado pela Gazeta do Povo.
A Investigação da Defensoria Pública
O deputado federal Gustavo Gayer confirmou em suas redes sociais que o pedido de investigação foi acatado. “Protocolei ontem, segunda-feira, 12/01, um pedido para que a Defensoria Pública investigasse as condições de saúde do presidente Bolsonaro na PF. Hoje, terça-feira, tivemos a informação de que o pedido foi acatado e a investigação foi aberta”, declarou Gayer. A ação da Defensoria do DF busca transparência e assegura que as normas de direitos humanos sejam observadas.
O senador Izalci Lucas, por sua vez, foi mais enfático em suas declarações, acusando o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, de conduzir uma “vingança” contra Bolsonaro. Ele defende a necessidade de prisão domiciliar para o ex-presidente.
“O que estão fazendo com o presidente Bolsonaro é desumano. Isso tudo por vingança do ministro Alexandre de Moraes. A prisão domiciliar é fundamental para cuidar da saúde dele”, afirmou o senador em um vídeo divulgado nas redes sociais. As declarações ressaltam a tensão política em torno da situação.
Preocupações com a Saúde de Bolsonaro
As preocupações com a saúde de Bolsonaro na PF ganharam destaque após um incidente na semana passada, quando o ex-presidente sofreu uma queda na cela durante a noite. Ele foi prontamente atendido pela equipe médica de plantão na manhã seguinte ao ocorrido.
A defesa de Bolsonaro solicitou sua transferência para um hospital, mas a autorização do ministro Alexandre de Moraes só foi concedida no dia seguinte ao pedido. Este atraso gerou questionamentos por parte dos apoiadores e da família do ex-presidente.
O cardiologista Brasil Caiado, responsável pelo acompanhamento de Bolsonaro, revelou que os exames realizados após a queda indicaram uma lesão que caracterizava um traumatismo craniano leve. Felizmente, não foram detectadas lesões intracranianas, o que poderia agravar ainda mais o quadro.
No último fim de semana, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) informou que o ex-presidente vem apresentando tonturas e instabilidade ao se levantar. Estes sintomas são atribuídos à queda e reforçam a urgência na avaliação de suas condições de saúde.
A Polêmica com o CFM e Alexandre de Moraes
A situação escalou com a intervenção do Conselho Federal de Medicina (CFM), que chegou a determinar a instauração de uma sindicância. O objetivo era avaliar o atendimento médico prestado pela Polícia Federal a Bolsonaro, em uma tentativa de assegurar a qualidade dos serviços.
Contudo, o ministro Alexandre de Moraes anulou a medida do CFM, gerando mais controvérsia. Além disso, Moraes determinou que o presidente da entidade, José Hiran da Silva Gallo, seja ouvido pela corporação para explicar a “conduta ilegal do CFM”.
A anulação da sindicância e a convocação do presidente do CFM destacam a complexidade das relações entre os poderes e as instituições. A Defensoria do DF, com sua investigação, busca agora trazer clareza e garantias para a situação de saúde do ex-presidente.