Defesa de Jair Bolsonaro Exige Reavaliação no Plenário do STF após Condenação por Trama Golpista
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão em um processo relacionado à trama golpista, fez um novo pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira (12). Os advogados solicitam que o caso, já encerrado pela Corte, seja reavaliado pelo plenário.
O objetivo é a absolvição de Bolsonaro, com a argumentação centrada no voto divergente do ministro Luiz Fux durante a análise do caso pela Primeira Turma do STF. Este movimento busca reabrir a discussão sobre a condenação de Bolsonaro no STF, que já havia sido dada como final.
Trata-se de um agravo, um recurso que pede a reconsideração da Corte para que um “embargo infringente” seja analisado, permitindo que o mérito das alegações defensivas seja novamente apreciado. As informações foram divulgadas pela defesa do ex-presidente.
O Argumento Central da Defesa de Bolsonaro e o Voto de Luiz Fux
Os advogados de Jair Bolsonaro fundamentam seu pedido no posicionamento do ministro Luiz Fux. Segundo a defesa, Fux “destacou a absoluta ausência de provas da imaginada associação do ora agravante (Jair Bolsonaro) na também imaginada organização criminosa”. Este ponto é crucial para a estratégia de revisão da condenação de Bolsonaro no STF.
Com base nessa divergência, a defesa reforça a solicitação para que seja provido o agravo, reformando-se a decisão anterior. O objetivo final é que os Embargos Infringentes sejam conhecidos e providos, resultando na absolvição de Jair Messias Bolsonaro, prevalecendo os termos do voto divergente.
O Histórico do Recurso e a Posição de Alexandre de Moraes
Não é a primeira vez que a defesa de Bolsonaro tenta essa via. Em dezembro, um pedido semelhante de reavaliação do mérito, também por meio de um embargo infringente, já havia sido apresentado. No entanto, a solicitação foi barrada por um entendimento consolidado do STF.
Naquela ocasião, o ministro Alexandre de Moraes argumentou que o entendimento atual do Supremo é de que os embargos infringentes só podem ser apresentados contra decisões de uma turma se houverem dois votos pela absolvição do réu. No julgamento da trama golpista, apenas o ministro Fux votou pela absolvição, não atendendo a esse critério.
A Visão de Alexandre de Moraes sobre os Embargos Infringentes
Alexandre de Moraes foi enfático ao explicar a inadmissibilidade do recurso. Ele destacou que “esse entendimento do Supremo Tribunal Federal, no sentido da exigência de 2 (dois) votos absolutórios próprios, é pacífico há mais de 7 (sete) anos”. Para o ministro, isso torna manifesta a inadmissibilidade dos embargos.
Moraes ainda classificou os recursos como de “caráter meramente protelatório”, o que, segundo ele, autoriza a decretação imediata do trânsito em julgado. Essa posição indica um obstáculo significativo para a defesa na busca pela revisão da condenação de Bolsonaro no STF e sua absolvição.