Gastança Governamental Pressiona Juros e Leva População a Pagar ‘Taxa de Agiota’ por Dívida Pública

Um dia após o governo federal anunciar o cumprimento da meta fiscal de 2025, com um déficit de R$ 61,7 bilhões dentro do intervalo de tolerância, o diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI), Marcus Pestana, fez um alerta severo. Ele afirmou que a gastança desenfreada do Estado força a população a arcar com uma “taxa de agiota” para sustentar as contas públicas, um cenário que se agrava a cada ano.

A IFI, um órgão independente vinculado ao Senado, é responsável por analisar os resultados fiscais do governo e projetar cenários futuros. Em sua avaliação, o país enfrenta uma situação financeira nebulosa, impactando diretamente os cidadãos e limitando as perspectivas para os próximos mandatos presidenciais, independentemente do resultado das eleições de outubro.

As declarações de Pestana, concedidas em entrevista à GloboNews, surgem em um momento crítico, onde a contabilidade governamental é questionada e as projeções de dívida pública atingem patamares preocupantes, conforme informações divulgadas pela Instituição Fiscal Independente (IFI) e fontes do Tesouro Nacional.

Entendendo o Déficit Fiscal e a Pressão sobre os Juros

O déficit fiscal ocorre quando o governo gasta mais do que arrecada. Para cobrir essa diferença, o Estado precisa tomar empréstimos, o que aumenta a demanda por crédito no mercado financeiro. Esse aumento na demanda, por sua vez, eleva a taxa de juros básica da economia, a Selic, que serve como referência para todas as outras taxas de juros praticadas no país.

Marcus Pestana foi enfático ao descrever o impacto direto dessa dinâmica: “O governo, ao ficar no vermelho, precisa demandar empréstimos, crédito, e pressiona a taxa de juros [15%] que, por sua vez, chega a patamares que são os maiores do mundo, são taxas de agiota que a gente paga pela fragilidade fiscal por falta de consistência da nossa estrutura fiscal”. Isso significa que, indiretamente, cada cidadão e empresa paga mais caro por financiamentos, empréstimos e até mesmo em compras parceladas, um custo adicional imposto pela má gestão das contas públicas.

Essa elevação dos juros não apenas encarece o crédito para a população, mas também dificulta o investimento produtivo, freando o crescimento econômico. Empresas hesitam em expandir, gerando menos empregos e renda, criando um ciclo vicioso que prejudica a prosperidade do país a longo prazo. A necessidade de o governo se financiar no mercado compete diretamente com o setor privado, elevando o custo de capital para todos.

A Meta Fiscal de 2025 e a Realidade do Rombo

O governo anunciou que cumpriu a meta fiscal de 2025, registrando um déficit de R$ 61,7 bilhões. Embora esteja dentro do intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual previsto no arcabouço fiscal (que permitiria um rombo de R$ 31 bilhões para cima ou para baixo da meta de zerar o déficit), a IFI e outros analistas apontam para uma realidade fiscal mais desafiadora.

O déficit de 2025 representa um aumento de 32% em relação ao de 2024, que foi de R$ 42,9 bilhões. A expectativa inicial do governo era de zerar o rombo nas contas públicas, um objetivo que se mostra cada vez mais distante. A diferença entre a meta e o resultado efetivo reflete a dificuldade em controlar os gastos e equilibrar o orçamento, mesmo com a intenção declarada de responsabilidade fiscal.

Para o cidadão comum, o cumprimento da meta dentro da tolerância pode parecer uma boa notícia, mas a análise mais aprofundada da IFI revela que o custo de manter esse equilíbrio precário recai sobre todos, por meio de juros mais altos e um ambiente econômico menos favorável. A constante necessidade de ajustes e renegociações das metas fiscais indica uma fragilidade que se perpetua.

A ‘Contabilidade Criativa’ e o Verdadeiro Déficit

Um dos pontos mais criticados pela IFI é a prática de excluir diversos gastos do cálculo da meta fiscal, uma estratégia que Pestana e outros especialistas chamam de

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