A tensão entre Venezuela e Estados Unidos atingiu um novo patamar nesta semana, com a ditadora interina venezuelana, Delcy Rodríguez, respondendo de forma categórica às recentes investidas do ex-presidente americano Donald Trump. A disputa pela narrativa de quem realmente governa o país sul-americano esquentou, após uma publicação de Trump que gerou controvérsia.
Rodríguez, vista como a sucessora de Nicolás Maduro, utilizou a televisão estatal para reiterar a soberania nacional, em um claro recado a Washington. O embate acontece em um momento delicado, onde a administração dos EUA tem sinalizado intenções de gerenciar uma transição de poder na Venezuela.
Este cenário de disputa pela soberania da Venezuela se intensificou após a circulação de uma imagem polêmica nas redes sociais, conforme informações divulgadas pela televisão estatal VTV.
A Resposta Firme de Delcy Rodríguez
Nesta segunda-feira, 12 de fevereiro, Delcy Rodríguez, a ditadora interina da Venezuela, pronunciou-se em resposta à postagem de Donald Trump que se autodenominava “presidente interino” do país caribenho. Em uma transmissão pela VTV, Rodríguez foi enfática, sem mencionar diretamente o nome de Trump.
“Daqui, ratificamos e reafirmamos a soberania e a independência da Venezuela. Vi caricaturas na Wikipedia sobre quem manda na Venezuela. Aqui há um governo que manda na Venezuela”, afirmou a chavista, sublinhando a autonomia do país. A declaração visa reforçar a autoridade interna frente a qualquer intervenção externa.
Rodríguez ainda alegou que a Venezuela tem uma presidente no comando e classificou o ditador Nicolás Maduro como “refém”. Segundo a fonte, Maduro foi capturado em 3 de janeiro, junto à sua esposa Cilia Flores, durante uma operação dos EUA em Caracas. A chavista também destacou o avanço nas relações internacionais de respeito e legalidade.
A Provocação de Trump e a Montagem da Wikipedia
O pano de fundo para a resposta de Rodríguez foi uma publicação de Donald Trump na rede Truth Social, no fim de semana. Trump compartilhou um suposto recorte da enciclopédia online Wikipedia, onde o artigo sobre ele o descrevia como “presidente interino da Venezuela” desde janeiro de 2026, antes de listá-lo como 45º e 47º presidente dos Estados Unidos.
Entretanto, conforme a fonte, tratava-se de uma montagem. O artigo de Trump na Wikipedia, na realidade, segue descrevendo-o apenas como mandatário americano, sem qualquer menção à presidência interina da Venezuela. Essa provocação de Trump gerou grande repercussão, aumentando a tensão diplomática.
Cenário de Transição e a Posição dos EUA
A controvérsia sobre a soberania venezuelana se aprofunda com as declarações anteriores de Trump. Após a operação em que Maduro teria sido capturado, Trump afirmou que os Estados Unidos administrariam a Venezuela até que houvesse uma transição de poder no país. Essa postura sugere uma intervenção direta nos assuntos internos venezuelanos.
Posteriormente, o ex-presidente americano declarou que membros de sua gestão, como os secretários de Estado, Marco Rubio, e de Guerra, Pete Hegseth, formariam um grupo para coordenar essa transição. Ele chegou a afirmar que Rodríguez estaria “cooperando” com essa iniciativa, algo que a ditadora interina venezuelana tem veementemente negado.
Continuidade da Tensão
Na terça-feira passada, 6 de fevereiro, Delcy Rodríguez havia afirmado que “nenhum agente externo” estava governando o país caribenho, reiterando a posição de soberania. Contudo, no dia seguinte, a secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, declarou que os Estados Unidos continuarão “ditando” decisões do regime interino da Venezuela.
A troca de farpas e as declarações contraditórias de ambos os lados evidenciam a complexidade da situação política na Venezuela e a persistência da tensão entre Caracas e Washington. A sucessora de Maduro continua a reafirmar a independência do país, enquanto os EUA mantêm sua postura de influência sobre a transição de poder.