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“title”: “Delegados da PF Pressionam Lula por Fundo Urgente Contra Crime Organizado e Alertam para Crise Orçamentária”,
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Associação de Delegados da Polícia Federal Cobra Apoio Orçamentário e Proposta de Fundo para Reverter Crise e Fortalecer o Combate ao Crime no Brasil
A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) encaminhou, recentemente, uma carta aberta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), solicitando medidas urgentes para garantir a sustentabilidade da instituição. O documento expressa uma profunda preocupação com a crescente fragilidade operacional da Polícia Federal, que, apesar de resultados expressivos no combate ao crime organizado, enfrenta um cenário de desafios estruturais e orçamentários sem precedentes.
A principal demanda da categoria é a criação do Fundo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (FUNCOC), uma proposta que visa reinvestir os recursos confiscados de atividades ilícitas diretamente na modernização e valorização da própria Polícia Federal. Segundo a ADPF, essa iniciativa é crucial para reverter a evasão de talentos e o declínio no interesse pela carreira, problemas que ameaçam a eficácia da corporação em suas missões mais sensíveis.
O alerta dos delegados ocorre em um momento em que a Polícia Federal tem se destacado na estratégia de asfixia financeira do crime, recuperando bilhões de reais para os cofres públicos. No entanto, o sucesso nas operações contrasta com a percepção interna de que a instituição tem recebido novas atribuições sem a devida recomposição orçamentária, colocando em risco a continuidade e a qualidade do trabalho desenvolvido, conforme informações divulgadas pela Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF).
O Alerta da PF: Risco Operacional Apesar dos Sucessos no Combate ao Crime
A Polícia Federal, reconhecida por sua atuação combativa e estratégica, tem sido um pilar fundamental na segurança pública brasileira, especialmente no enfrentamento de grandes esquemas de corrupção e organizações criminosas transnacionais. O presidente da ADPF, Edvandir Paiva, fez questão de reconhecer o apoio recente do Planalto, o que demonstra um canal de diálogo aberto com o governo federal. Contudo, o teor da carta enviada ao presidente Lula revela uma preocupação subjacente e urgente: o sucesso operacional da corporação está em risco iminente devido a desafios estruturais e orçamentários que se acumulam ao longo do tempo.
A estratégia de asfixia financeira do crime, que consiste em descapitalizar as organizações criminosas por meio da recuperação de ativos ilícitos, tem gerado resultados históricos e impressionantes. Entre os anos de 2024 e 2025, a Polícia Federal conseguiu recuperar aproximadamente R$ 16,4 bilhões, um montante que sublinha a eficácia e a importância do trabalho de inteligência e investigação da instituição. Esses bilhões representam não apenas um golpe financeiro contra o crime, mas também um retorno significativo para a sociedade, que poderia ser reinvestido em áreas essenciais.
Apesar desses números expressivos, a ADPF aponta um cenário de fragilidade interna que compromete a capacidade da PF de manter esse ritmo. A entidade ressalta que a Polícia Federal tem recebido, de forma contínua, uma série de novas atribuições legais e operacionais, muitas delas complexas e de alta sensibilidade, sem que haja uma correspondente recomposição orçamentária. Essa desproporção entre as responsabilidades crescentes e os recursos disponíveis gera uma sobrecarga que, a longo prazo, é insustentável e pode minar a capacidade da instituição de continuar entregando resultados de excelência.
A falta de recursos adequados não afeta apenas a capacidade de investimento em tecnologia e equipamentos, mas também a valorização e a retenção de seus profissionais. O alerta da ADPF é claro: sem as garantias institucionais e orçamentárias necessárias, a Polícia Federal corre o risco de ver seu sucesso operacional comprometido, transformando uma força de elite em uma estrutura sobrecarregada e com dificuldades para cumprir sua missão.
Desafios Estruturais e a Perda de Talentos na Polícia Federal
A sobrecarga de trabalho e a falta de garantias institucionais, conforme apontado pela ADPF, têm provocado um fenômeno preocupante e sem precedentes: a evasão de talentos na Polícia Federal. Delegados, agentes e peritos, que dedicam anos de estudo e treinamento para ingressar na corporação, estão optando por deixar a instituição em busca de outras carreiras que ofereçam melhores condições e perspectivas.
Os números apresentados pela associação são alarmantes e ilustram a gravidade da situação. Nos últimos três anos, enquanto 104 novos delegados tomaram posse, um número significativo de 50 autoridades deixou a instituição. Essa disparidade não apenas dificulta a reposição do quadro funcional, mas também representa uma perda inestimável de experiência e conhecimento acumulado. Cada delegado que parte leva consigo anos de treinamento, vivência em investigações complexas e uma rede de contatos que são cruciais para o combate ao crime organizado.
Essa rotatividade excessiva ameaça a própria natureza da carreira de delegado federal. Historicamente, a Polícia Federal tem sido almejada como um projeto profissional de longo prazo por operadores do Direito, que viam na instituição uma oportunidade de servir ao país com estabilidade e prestígio. No entanto, a nota da ADPF alerta que essa carreira, antes tão cobiçada, corre o risco de se transformar em um mero cargo de transição. Profissionais utilizam a PF como um trampolim para outras carreiras, mais bem remuneradas ou com melhores condições de trabalho, descapitalizando a instituição de seu capital humano mais valioso.
A perda de talentos é um problema multifacetado. Ela não só impacta a capacidade operacional da PF, mas também afeta o moral da tropa e a percepção da sociedade sobre a instituição. Delegados são a espinha dorsal das investigações, responsáveis por conduzir inquéritos complexos e coordenar equipes. A sua saída em massa pode levar a uma diminuição na qualidade e na celeridade das investigações, comprometendo a capacidade da Polícia Federal de responder eficazmente às crescentes ameaças à segurança nacional.
O Impacto da Desvalorização na Carreira e nos Concursos Públicos
A percepção de desvalorização e a deterioração das condições de trabalho não se refletem apenas na evasão de talentos, mas também na queda do interesse pela carreira de delegado federal nos concursos públicos. Os números de inscritos, um termômetro claro da atratividade de uma carreira, mostram um declínio preocupante, o que indica que a crise da Polícia Federal está afetando sua capacidade de atrair os melhores profissionais do futuro.
A ADPF destaca que o total de inscritos em concursos públicos para a Polícia Federal despencou significativamente nos últimos anos. Em 2021, o concurso atraiu 321 mil candidatos, demonstrando o alto nível de interesse e competitividade pela vaga. No entanto, em 2025, esse número caiu para 218 mil inscritos. Essa redução de mais de 100 mil candidatos em apenas quatro anos é um sinal inequívoco de que a carreira de delegado federal está perdendo seu brilho e sua atratividade.
Para os delegados, essa situação é inaceitável. Eles argumentam que a autoridade responsável por investigações sensíveis contra ameaças à República, como o crime organizado, a corrupção e o terrorismo, não pode se encontrar em uma posição de desvantagem institucional. Essa desvantagem é percebida tanto em relação a carreiras e órgãos congêneres, que muitas vezes oferecem melhores salários e condições de trabalho, quanto no âmbito do próprio Poder Executivo, onde outras instituições têm tido maior sucesso na valorização de seus quadros.
A comparação com outras carreiras de Estado é particularmente dolorosa para os delegados. Em um cenário onde a concorrência por talentos é acirrada, a Polícia Federal precisa ser competitiva para atrair e reter os melhores. A falta de reconhecimento e de uma estrutura de carreira atrativa pode levar a um ciclo vicioso, onde a desvalorização afasta os bons profissionais, o que, por sua vez, compromete a qualidade do serviço prestado e a imagem da instituição. A ADPF enfatiza que a excelência da Polícia Federal depende diretamente da capacidade de atrair e manter quadros altamente qualificados e motivados.
A Proposta do FUNCOC: Uma Solução para Asfixiar o Crime Financeiramente
Diante do cenário de fragilidade e desvalorização, a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) apresenta uma solução concreta e estratégica: a criação do Fundo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (FUNCOC). Esta proposta não é nova; ela foi inicialmente apresentada pelo Ministério da Justiça em novembro do ano passado, o que demonstra um alinhamento prévio entre a corporação e parte do governo federal sobre a necessidade dessa ferramenta.
O FUNCOC representa uma abordagem inovadora e auto-sustentável para o combate ao crime. Sua premissa central é que os recursos financeiros e bens confiscados do crime organizado sejam reinvestidos diretamente na própria Polícia Federal e em outras instituições de segurança pública envolvidas nesse combate. Atualmente, os bens e valores apreendidos muitas vezes seguem um caminho burocrático complexo, com parte sendo direcionada a fundos gerais ou a outras finalidades, perdendo-se a oportunidade de fortalecer diretamente as forças que atuam na linha de frente.
A lógica por trás do FUNCOC é poderosa e alinhada com a estratégia de “asfixia financeira” do crime, tão bem-sucedida pela PF. Ao invés de o produto do crime ser revertido de forma genérica, ele seria canalizado para aprimorar as ferramentas e o capital humano que possibilitaram essa recuperação. Isso cria um ciclo virtuoso: quanto mais eficaz for o combate ao crime financeiro, mais recursos estarão disponíveis para fortalecer a polícia, que, por sua vez, se tornará ainda mais eficiente na descapitalização das organizações criminosas.
A criação de um fundo específico garante que os recursos sejam aplicados de forma transparente e direcionada, evitando desvios e garantindo que o investimento retorne diretamente para o aprimoramento da segurança pública. É uma forma de transformar a própria atividade criminosa em uma fonte de financiamento para o seu combate, utilizando a inteligência e a capacidade de investigação para gerar os meios necessários à sua própria sustentabilidade e modernização.
Como o FUNCOC Reverteria o Cenário Atual e Valorizaria a Instituição
A implementação do Fundo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (FUNCOC) é vista pela ADPF como a principal alavanca para reverter o atual cenário de desvalorização e fragilidade estrutural da Polícia Federal. A proposta detalha como esses recursos confiscados do crime seriam reinvestidos, buscando não apenas modernizar a instituição, mas também valorizar seus profissionais de forma estratégica e meritocrática.
Um dos pilares do FUNCOC é a modernização tecnológica da Polícia Federal. Em um mundo onde o crime organizado utiliza tecnologias cada vez mais sofisticadas, é imperativo que a polícia esteja à frente, com equipamentos de ponta, softwares avançados para análise de dados, ferramentas de investigação digital e infraestrutura de rede segura. A capacidade de investir continuamente em tecnologia é vital para manter a superioridade investigativa e operacional, garantindo que a PF possa enfrentar os desafios impostos pelas novas modalidades criminosas.
Além da modernização, o FUNCOC prevê a criação da Gratificação de Eficiência Institucional (GEI). Esta gratificação é um mecanismo inovador que busca vincular a valorização profissional ao aumento da recuperação de ativos ilícitos. Em outras palavras, quanto mais eficaz a Polícia Federal for na apreensão de bens e valores do crime, maior será o reconhecimento financeiro para os profissionais envolvidos. A GEI funcionaria como um incentivo direto à produtividade e à excelência, motivando os delegados e suas equipes a intensificarem seus esforços na descapitalização das organizações criminosas.
Essa valorização profissional, atrelada a resultados concretos, seria fundamental para combater a evasão de talentos e o declínio no interesse pela carreira. Ao oferecer uma perspectiva de remuneração mais competitiva e ligada ao desempenho, a GEI poderia transformar a Polícia Federal em um destino mais atraente para os melhores profissionais do Direito e da segurança pública. Isso não apenas ajudaria a reter os delegados experientes, mas também atrairia novos talentos, revertendo a tendência de queda nos concursos públicos.
A ADPF entende que o FUNCOC, com seus mecanismos de investimento em tecnologia e valorização profissional, criaria um ambiente onde a Polícia Federal poderia operar com maior autonomia financeira e estratégica. Isso permitiria à instituição planejar a longo prazo, investir em capacitação contínua e garantir que seus profissionais sejam recompensados de forma justa pela complexidade e pelo risco de seu trabalho, consolidando a PF como uma força de segurança de elite no cenário nacional e internacional.
Urgência Política e o Apelo ao Congresso Nacional
A ADPF não apenas apresentou a proposta do FUNCOC, mas também fez um apelo veemente ao presidente Lula para que mobilize os esforços do Governo Federal em prol de sua rápida aprovação. A urgência na tramitação do Projeto de Lei que institui o fundo é um ponto crucial para a associação, especialmente considerando as restrições impostas pelo calendário eleitoral que se aproxima, o que pode dificultar a aprovação de matérias complexas.
O pedido da associação é claro: o governo deve promover o envio imediato do Projeto de Lei instituidor do FUNCOC ao Congresso Nacional. Uma vez no parlamento, a mobilização do Poder Executivo será fundamental para garantir sua célere apreciação e aprovação. A experiência legislativa mostra que projetos de lei que contam com o apoio e a articulação do governo têm chances significativamente maiores de avançar e serem sancionados em tempo hábil. A ausência de uma sinalização forte do Planalto pode fazer com que a proposta se perca nas complexidades do processo legislativo.
O calendário eleitoral é um fator complicador. Com a proximidade das eleições, o Congresso Nacional tende a ter suas pautas dominadas por temas de maior visibilidade política e, muitas vezes, há uma redução na produtividade legislativa para projetos que demandam debates mais aprofundados. A ADPF reconhece essa realidade e, por isso, enfatiza a necessidade de uma ação proativa e rápida por parte do governo para que o FUNCOC seja votado e aprovado antes que as atenções se voltem inteiramente para o pleito.
Para a categoria, a aprovação do FUNCOC neste momento não é apenas uma questão de conveniência, mas de estratégia. A consolidação desse fundo seria um legado permanente para a segurança pública brasileira, uma ferramenta que transcenderia governos e garantiria a continuidade e o aprimoramento do combate ao crime organizado. É um investimento de longo prazo na capacidade do Estado de proteger seus cidadãos e de manter a ordem jurídica.
Edvandir Paiva reforça que, com pequenos ajustes já encaminhados pela ADPF ao Diretor-Geral da Polícia Federal, a aprovação do FUNCOC permitirá ao Governo Federal transmitir uma mensagem clara e inequívoca à sociedade brasileira. Essa mensagem é poderosa e simbólica: “o produto do crime será utilizado no combate ao próprio crime”. Isso não apenas reforça a confiança na instituição, mas também envia um sinal forte aos criminosos de que seus ganhos ilícitos serão usados contra eles mesmos, fechando um ciclo de justiça e eficiência.
O Legado do FUNCOC: Um Novo Paradigma para a Segurança Pública
A visão da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) sobre o Fundo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (FUNCOC) transcende a mera obtenção de recursos; ela representa a busca por um novo paradigma na segurança pública brasileira. A aprovação e implementação do FUNCOC são consideradas um legado duradouro, capaz de transformar a forma como o Estado financia e sustenta o combate ao crime organizado, garantindo que a Polícia Federal e outras forças de segurança tenham os meios necessários para cumprir sua missão de forma eficaz e contínua.
Um dos aspectos mais relevantes do FUNCOC é sua capacidade de gerar autonomia e previsibilidade. Ao vincular o financiamento do combate ao crime diretamente aos bens e valores recuperados das próprias atividades criminosas, o fundo cria uma fonte de recursos mais estável e menos suscetível às flutuações orçamentárias e às prioridades políticas de cada governo. Essa autonomia financeira é crucial para que a Polícia Federal possa planejar investimentos de longo prazo em tecnologia, infraestrutura e capacitação de pessoal, sem depender exclusivamente das dotações anuais que, muitas vezes, são insuficientes ou contingenciadas.
O FUNCOC também promove uma cultura de eficiência e meritocracia. A Gratificação de Eficiência Institucional (GEI), ao recompensar os profissionais pelo aumento na recuperação de ativos ilícitos, alinha os incentivos individuais e coletivos com os objetivos estratégicos da instituição. Isso não só eleva o moral da tropa, mas também fortalece o compromisso com a excelência e a busca por resultados cada vez mais expressivos na descapitalização do crime organizado. A valorização profissional, assim, deixa de ser uma demanda isolada e passa a ser intrínseca ao modelo de financiamento do combate ao crime.
A mensagem de Edvandir Paiva, presidente da ADPF, de que “o produto do crime será utilizado no combate ao próprio crime”, é mais do que um slogan; é a essência do FUNCOC. Ela simboliza uma justiça restaurativa em um nível macro, onde os recursos desviados da sociedade pelas mãos criminosas são devolvidos e utilizados para fortalecer as instituições que defendem essa mesma sociedade. É uma forma de fechar o ciclo da impunidade financeira, transformando a riqueza ilícita em investimento em segurança e bem-estar.
Em última análise, o FUNCOC representa um passo fundamental para a consolidação de uma Polícia Federal mais forte, moderna e autônoma, capaz de enfrentar os desafios complexos e em constante evolução do crime organizado. Sua aprovação não seria apenas uma vitória para os delegados, mas para toda a sociedade brasileira, que se beneficiaria de uma segurança pública mais robusta e de uma instituição com capacidade renovada para proteger a República e seus cidadãos.
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