Direita celebra queda da Acadêmicos de Niterói após homenagem a Lula no Carnaval do Rio
O rebaixamento da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que desfilou em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, gerou uma onda de comentários e celebrações por parte de figuras proeminentes do campo político da direita brasileira. A escola terminou em último lugar no Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro, caindo para a Série Ouro, e o resultado foi visto por esses políticos como um reflexo da insatisfação popular e uma vitória simbólica contra o governo.
Nas redes sociais, políticos como o ex-deputado Deltan Dallagnol, o senador Flávio Bolsonaro, os governadores Romeu Zema e Ronaldo Caiado, e as deputadas Damares Alves e Júnia Zanatta, além do deputado Nikolas Ferreira e Sostenes Cavalcante, manifestaram publicamente seu contentamento. As críticas direcionaram-se não apenas à homenagem ao presidente, mas também a temas abordados no desfile, que foram interpretados como uma afronta a valores conservadores.
A repercussão negativa e os comentários jocosos de políticos da oposição evidenciam a polarização política que se estende também ao universo cultural e festivo do Carnaval brasileiro, transformando um evento tradicional em palco para manifestações partidárias. As informações foram divulgadas amplamente nas redes sociais dos próprios políticos e repercutidas por portais de notícias.
Deltan Dallagnol ironiza: “Lula tem talento natural para o rebaixamento”
O ex-deputado federal e jurista Deltan Dallagnol foi um dos primeiros a comentar o resultado, utilizando o X (antigo Twitter) para expressar sua visão. Dallagnol ironizou a situação, afirmando que o “Brasil de bem” estaria em festa com o rebaixamento da escola. Ele acrescentou que o presidente Lula demonstra um “talento natural para o rebaixamento”, insinuando que, além de “rebaixar o país”, o presidente teria levado a escola de samba junto nessa queda. A declaração reflete a perspectiva de parte do eleitorado de direita que associa o desempenho do governo a aspectos negativos, utilizando o Carnaval como um pano de fundo para essa crítica.
Flávio Bolsonaro aponta “zombaria” à família como causa do rebaixamento
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) atribuiu o resultado negativo da Acadêmicos de Niterói a uma suposta zombaria promovida pela escola em relação à instituição familiar. Ele citou especificamente a ala intitulada “famílias em conserva”, que teria sido interpretada como uma crítica ou sátira aos modelos familiares tradicionais. Em sua publicação, o senador declarou que “Lula é sempre uma ideia ruim”, seja para governar o país ou para um enredo de samba, reforçando a importância que atribui à família como um valor sagrado. Sua fala alinha-se com o discurso conservador que busca defender a família tradicional como pilar da sociedade.
Governadores Romeu Zema e Ronaldo Caiado veem “primeira derrota” do PT
Os governadores Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, e Ronaldo Caiado (PSD), de Goiás, também usaram as redes sociais para comentar o rebaixamento da escola de samba. Ambos interpretaram o resultado como um prenúncio de futuras derrotas para o Partido dos Trabalhadores (PT) e para o presidente Lula. Romeu Zema declarou, com aparente sarcasmo, que o rebaixamento seria “a primeira derrota do PT em 2026”, ano das próximas eleições presidenciais. Ronaldo Caiado ecoou o sentimento, afirmando que a “única reação possível é o riso” e desejando que seja a primeira de muitas derrotas para o PT nas futuras eleições.
Damares Alves critica “zombaria” e “máscara de piedade” em épocas eleitorais
A senadora Damares Alves (PL-DF) aproveitou a ocasião para criticar o que ela percebe como uma atitude de desrespeito por parte da esquerda em relação aos valores conservadores e religiosos. Ela lembrou que, em períodos eleitorais, políticos de esquerda buscam o apoio de setores religiosos, o que, em sua visão, contrasta com a suposta zombaria e sátira demonstradas no desfile da escola de samba. Damares Alves acusou a esquerda de chamar os conservadores de “atrasados”, mas, quando as eleições se aproximam, “vestem uma máscara de piedade”, buscam pastores e “dobram os joelhos” apenas para garantir votos. A fala da senadora reflete uma crítica comum de setores religiosos conservadores à postura de políticos de esquerda.
Nikolas Ferreira e Sostenes Cavalcante associam rebaixamento ao “afundamento do país”
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o deputado Sostenes Cavalcante também ligaram o rebaixamento da Acadêmicos de Niterói a uma suposta tendência de declínio associada ao governo do PT. Ferreira considerou o rebaixamento um “sintoma de como o PT afunda o país” e ironizou que a homenagem a Lula foi, na verdade, “muito bem adequada”. Sostenes Cavalcante, por sua vez, escreveu em seu perfil no X que “prometeu tudo, não entregou nada. Lula rebaixado!”, associando diretamente o desempenho do presidente à queda da escola de samba. As declarações reforçam a narrativa de que o governo atual estaria levando o país a um estado de “afundamento”, utilizando o evento carnavalesco como metáfora.
Júnia Zanatta prevê “derrocada” do presidente e do PT
A deputada federal Júnia Zanatta (PL-SC) expressou sua expectativa de que o rebaixamento da escola de samba seja apenas o início de um processo de “derrocada” para o presidente Lula e seu partido. Em sua postagem, ela declarou: “Agora só falta REBAIXARMOS O LULA e o PT!”. A fala da deputada demonstra uma visão de que os resultados negativos, mesmo em esferas simbólicas como o Carnaval, podem ter um impacto na percepção pública e política do governo, antecipando um declínio eleitoral para o PT em futuras disputas.
O contexto do desfile da Acadêmicos de Niterói e a reação política
O desfile da Acadêmicos de Niterói no Carnaval do Rio de Janeiro deste ano trouxe como tema uma homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, abordando momentos de sua vida e carreira política. O enredo, intitulado “Niterói, a Cidade Sorriso do Rei. Do Morro que Encanta ao Rei que a Vida Destronou”, buscou celebrar a trajetória do presidente, mas também incluiu alas que geraram controvérsia. Uma dessas alas, com a frase “famílias em conserva”, foi interpretada por setores conservadores como uma crítica ou zombaria aos modelos familiares tradicionais, o que alimentou as críticas e comentários negativos após o resultado do desfile.
A Acadêmicos de Niterói, que em 2023 havia retornado ao Grupo Especial após anos na Série Ouro, não conseguiu manter sua posição na elite do carnaval carioca. Com um desempenho considerado abaixo do esperado pela crítica e pela comunidade do samba, a escola acumulou 264,6 pontos, ficando em último lugar entre as 12 agremiações que desfilaram. Este resultado levou à sua queda para a Série Ouro em 2025, o que, para os críticos políticos, tornou-se um símbolo de fracasso associado à figura homenageada.
A reação da direita política ao rebaixamento da escola de samba demonstra como eventos culturais e populares podem se tornar arenas para o debate e a disputa política no Brasil. A associação do desempenho da escola de samba com a popularidade ou a gestão do presidente Lula reflete a profunda polarização que caracteriza o cenário político atual, onde até mesmo o Carnaval se torna um espaço para manifestações partidárias e críticas ao governo.