Dívida Pública Federal Atinge R$ 8,6 Trilhões em 2025 e Projeta Crescimento Substancial para 2026
A Dívida Pública Federal (DPF), que engloba os débitos do governo brasileiro, registrou um aumento de 1,82% em dezembro de 2025 em comparação com o mês anterior, encerrando o ano em R$ 8,635 trilhões. Este patamar reflete a necessidade contínua de financiamento do Estado e as dinâmicas econômicas que influenciam o custo e a gestão desse passivo.
O valor alcançado ficou dentro do intervalo estabelecido como meta no Plano Anual de Financiamento (PAF) do Tesouro Nacional para 2025, que previa um estoque entre R$ 8,5 trilhões e R$ 8,8 trilhões. Contudo, o resultado superou a projeção inicial da pasta para o início do ano passado, que apontava para um estoque de até R$ 8,5 trilhões.
Para o ano de 2026, as perspectivas indicam uma trajetória de crescimento ainda mais acentuada. O Tesouro Nacional projeta que a Dívida Pública Federal poderá atingir um valor entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões. Esse cenário de expansão ocorre em um contexto de juros elevados, que impactam diretamente os custos de rolagem e serviço da dívida, conforme informações divulgadas pelo Tesouro Nacional nesta quarta-feira (28).
A Dinâmica da Dívida Interna e Externa no Fechamento de 2025
A composição da Dívida Pública Federal revela uma predominância da dívida interna, que representa a maior parte do endividamento do país. Em dezembro de 2025, a dívida interna brasileira alcançou R$ 8,309 trilhões, apresentando um crescimento de 1,76% em relação a novembro do mesmo ano. Este aumento reflete principalmente a emissão de novos títulos para financiar o orçamento e refinanciar dívidas antigas.
Paralelamente, a dívida externa, que corresponde aos empréstimos e títulos emitidos no exterior, também registrou uma elevação. No último mês de 2025, a dívida externa cresceu 3,53%, totalizando R$ 326 bilhões. Embora represente uma parcela menor do endividamento total, sua variação é sensível às flutuações cambiais e às condições do mercado financeiro internacional, que podem influenciar o custo de captação e o valor do principal em reais.
A gestão do Tesouro Nacional busca equilibrar a captação de recursos no mercado interno e externo, considerando as condições de liquidez, custo e risco de cada fonte. A predominância da dívida interna é uma característica da política fiscal brasileira, que visa reduzir a exposição a choques cambiais e manter maior controle sobre as condições de financiamento.
O Impacto da Taxa Selic e a Composição dos Títulos Pós-Fixados
Um dos fatores mais relevantes na dinâmica da Dívida Pública Federal é a taxa básica de juros do país, a Selic. Em dezembro de 2025, a participação dos títulos atrelados à Selic na composição da dívida federal atingiu 48,3%, um aumento em relação aos 46,3% registrados no final de 2024. Este patamar se manteve dentro da meta estabelecida pelo Tesouro para o ano, que variava entre 48% e 52%.
A importância dessa proporção reside no fato de que o Banco Central tem mantido a Selic em 15% ao ano, considerado o nível mais alto em quase duas décadas. Essa política monetária, adotada com o objetivo de conter a inflação e desacelerar a atividade econômica, tem um efeito colateral direto e significativo sobre o custo da dívida pública. Quanto maior a parcela de títulos indexados à Selic, maior o impacto dos juros elevados sobre os gastos do governo com o serviço da dívida.
Para 2026, o Tesouro Nacional prevê que a participação dos títulos atrelados à Selic deverá ficar entre 46% e 50%. Em sua apresentação, a instituição informou que esses títulos continuarão sendo um