Nesta segunda-feira, 12 de agosto, o dólar e a Bolsa no Brasil rondaram a estabilidade. Esse cenário reflete a cautela dos investidores diante de um importante acontecimento nos Estados Unidos.
O motivo é a abertura de uma investigação criminal contra Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed), o Banco Central americano. Essa iniciativa do governo Trump levanta sérias preocupações sobre a autonomia da instituição.
A medida é vista como uma estratégia de pressão para influenciar a política de juros dos EUA, conforme informações divulgadas.
O que está em jogo: a investigação contra Powell e a independência do Fed
Procuradores federais dos Estados Unidos iniciaram uma investigação criminal contra Jerome Powell, presidente do Fed. O inquérito apura se Powell mentiu ao Congresso sobre a reforma da sede do Banco Central em Washington.
Essa ação é interpretada nos mercados globais como uma estratégia de pressão de Donald Trump. O objetivo seria forçar novos cortes de juros nos Estados Unidos, pauta que Trump defende reiteradamente.
Em pronunciamento por escrito, Jerome Powell afirmou que a investigação ‘deve ser vista no contexto mais amplo das ameaças e da pressão contínua do governo’. Ele expressou preocupação com a autonomia do Fed.
Powell questionou se a política monetária do Fed continuará baseada em evidências ou se será ‘dirigida por pressão política ou intimidação’. Ele reforçou a importância da independência da instituição.
Donald Trump, por sua vez, negou envolvimento na investigação. Contudo, ele criticou Jerome Powell, afirmando que o presidente do Fed ‘certamente não é muito bom no Fed, e nem em construir prédios’.
Repercussões globais: aversão ao risco e a busca por segurança
A notícia da investigação criminal contra Jerome Powell acendeu um alerta entre analistas financeiros. Temores de maior interferência política na política de juros dos EUA impactam diretamente os mercados globais.
Internacionalmente, o dólar reagiu com queda. O índice DXY, que mede a moeda frente a uma cesta de seis divisas fortes, recuou 0,30%, para 98.834 pontos por volta das 13h32.
O mercado de commodities também sentiu o impacto. O ouro chegou a subir 2%, atingindo US$ 4.600 por onça troy. A prata saltou até 5,9%, alcançando US$ 84,60.
Ian Lopes, economista da Valor Investimentos, destaca a importância de bancos centrais independentes. O ruído em torno do Fed, segundo ele, leva à venda do dólar e à busca por ativos de reserva, como ouro e prata.
Nickolas Lobo, especialista da Nomad, aponta que a situação gera incerteza sobre a autonomia do Fed e a trajetória de juros. Ativos americanos podem se tornar menos atrativos, impulsionando a diversificação global.
João Daronco, analista da Suno Research, acredita que a aversão ao risco deve continuar. Ele prevê que ‘poderíamos ver uma desvalorização mais acentuada do dólar‘ diante da instabilidade institucional nos EUA.
Daniel Teles, sócio da Valor Investimentos, concorda. Ele descreve o momento como de ‘reposicionamento’, que ‘acaba chacoalhando ativos’. Debates sobre o Fed, Irã e Groenlândia contribuem para a cautela global.
O cenário brasileiro: estabilidade e o atrativo dos juros altos
No Brasil, a segunda-feira foi marcada por uma agenda econômica e política esvaziada, com o Congresso Nacional ainda em recesso. Isso manteve o foco nos acontecimentos internacionais.
Mais cedo, o boletim Focus do Banco Central trouxe projeções. A mediana para o dólar no fim de 2026 e 2027 permaneceu em R$ 5,50. A inflação esperada para 2026 foi de 4,05%, e para 2027, de 3,80%.
A taxa básica Selic para o fim deste ano continuou em 12,25%. Para o final do próximo ano, a projeção permaneceu em 10,50%.
O diferencial entre a taxa de juros norte-americana (3,50% a 3,75%) e a brasileira (15%) atrai recursos para o Brasil. Isso tem mantido o dólar em níveis mais distantes dos R$ 6,00.
Essa tese se ampara na estratégia de carry trade. Investidores tomam empréstimos a taxas baixas, como a dos EUA, e investem em países de juros mais altos, como o Brasil.
O aporte de capital no Brasil, nesse contexto, implica na compra de reais. Essa dinâmica contribui para a desvalorização do dólar em solo nacional, contrabalanceando, em parte, as pressões externas.