O cenário político global testemunha uma notável e preocupante guinada na abordagem do ex-presidente norte-americano, Donald Trump. Sua retórica, antes marcada por negociações agressivas, agora parece abraçar abertamente a linguagem da força e da coerção, redefinindo as relações internacionais e desafiando alianças históricas.
Essa mudança de postura se tornou ainda mais evidente após a decisão do comitê do Prêmio Nobel da Paz, que concedeu a honraria à venezuelana María Corina Machado. A reação de Trump a este evento parece ter desencadeado uma nova fase em sua política externa, priorizando unilateralismo e imposição.
As implicações dessa nova tática são vastas, abrangendo desde a tentativa de anexação da Groenlândia até o impacto nas alianças ocidentais e a percepção de alinhamento com interesses de potências rivais. As informações são da fonte.
A Guinda Após o Nobel da Paz e a Cobiça pela Groenlândia
A não concessão do Prêmio Nobel da Paz a Donald Trump, que reivindicava o reconhecimento por ter, segundo ele, interrompido oito guerras, parece ter sido um ponto de inflexão. Em mensagem ao primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, Trump afirmou: “Considerando que seu país decidiu não me conceder o Prêmio Nobel da Paz por ter interrompido oito guerras, não sinto mais a obrigação de pensar unicamente na paz, embora ela sempre seja predominante, mas agora posso pensar no que é bom e apropriado para os EUA”.
Com essa nova perspectiva, o que Trump considera “bom e apropriado para os EUA” ganhou contornos de imposição. Ele anunciou a intenção de anexar a Groenlândia, uma ilha dinamarquesa, afirmando que sua posse deve passar para os Estados Unidos “por bem ou por mal”. Esta declaração marca um rompimento com as normas diplomáticas tradicionais.
Para pressionar a Dinamarca, Trump anunciou tarifas de 10% sobre importações de diversos países europeus, incluindo Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia, a partir de 1º de fevereiro, com aumento para 25% em junho. Segundo publicação de Trump em sua rede Truth Social, as tarifas serão cobradas até “que se chegue a um acordo para a compra completa e total da Groenlândia”. Os outros países foram incluídos por terem participado de um exercício militar recente, desagradando Trump, que já vinha manifestando interesse na ilha. Isso, conforme a fonte, não é negociação, mas coerção pura e simples.
Groenlândia: Valor Estratégico e a Tática da Coerção
A Groenlândia possui uma importância estratégica inquestionável, especialmente por sua proximidade com a Rússia. Sua posse confere um controle decisivo sobre a navegação, tanto comercial quanto militar, no Ártico, além de acesso naval crucial ao Atlântico Norte. Os Estados Unidos estão cientes disso e já tentaram adquirir a ilha em diversas ocasiões desde meados do século XIX.
No entanto, as tentativas anteriores jamais recorreram a ameaças de intervenção armada ou a chantagem comercial para obter a ilha dos dinamarqueses. A situação é ainda mais delicada considerando que EUA e Dinamarca são aliados na OTAN. Atualmente, os Estados Unidos já mantêm uma base militar no noroeste da Groenlândia, e a ampliação dessa presença poderia ser alcançada por meio de um entendimento simples entre os países, sem a linguagem da força.
A fonte argumenta que, se os EUA realmente desejam comprar a ilha, deveriam fazer uma oferta convincente, em vez de “torcer o braço de aliados para que aceitem um negócio”. Além dos interesses geopolíticos, a ilha é rica em minerais, e os Estados Unidos estariam em uma posição muito mais favorável que russos ou chineses, que também teriam interesse na Groenlândia segundo Trump, para oferecer acordos de exploração justos.
Resistência Interna e o Impacto nas Alianças Ocidentais
O nível de absurdo da pretensão de Trump é tão grande que até mesmo membros de seu próprio partido, os republicanos, estão se opondo publicamente. Uma delegação bipartidária, por exemplo, visitou a Groenlândia e manifestou apoio à integridade territorial dinamarquesa. O comitê bipartidário do Senado responsável pelas relações com a OTAN também publicou uma nota condenando as tarifas impostas.
Uma pesquisa Reuters/Ipsos revelou que a proposta de Trump não tem amplo apoio nem mesmo entre os republicanos. Menos da metade dos entrevistados republicanos aprova os esforços para adquirir a Groenlândia, com apenas 40% favoráveis, enquanto 14% são contrários e 46% estão indecisos ou não responderam. Quando a questão envolve uma ação militar para tomar a ilha, a reprovação republicana sobe para 60%, com apenas 8% se mostrando favoráveis.
Os críticos dessa abordagem enxergam as consequências óbvias: a ambição de Trump pode fraturar, talvez permanentemente, uma aliança que por décadas garantiu a segurança do Ocidente democrático contra regimes totalitários. Os Estados Unidos podem deixar de ser vistos como um parceiro confiável, enfraquecendo tanto americanos quanto europeus. Os únicos beneficiados por este cenário, conforme a fonte, seriam a Rússia e a China, exatamente as potências que Trump afirma querer conter ao reivindicar a Groenlândia.
Alinhamento com Interesses do Kremlin e Elogios a Ditadores
Esta não seria a primeira vez que a postura de Trump parece favorecer os interesses do Kremlin. Sua atitude diante da guerra na Ucrânia tem sido majoritariamente pró-russa. O episódio mais recente a reforçar essa percepção foi uma entrevista de Trump à agência Reuters, na qual ele culpou o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pela falta de um acordo de paz entre Ucrânia e Rússia.
No entanto, a fonte observa que, se a proposta de paz referida é aquela de 28 pontos pela qual a Rússia consegue tudo o que deseja, Zelensky está “certíssimo em rejeitá-la, pois ela significaria a submissão completa da Ucrânia”.
O apreço de Trump por quem tem apenas a “própria moralidade como limite”, usando suas próprias palavras em entrevista ao New York Times, permite que ele invista na Groenlândia com linguagem da força, faça o jogo de Vladimir Putin na Ucrânia e até elogie a ditadora da Venezuela, Delcy Rodríguez. Ele a descreveu como uma “pessoa fantástica” que “nos dá tudo o que pedimos”, aparentemente excluindo democracia e liberdade para os venezuelanos dessa lista. Essa abordagem, segundo a fonte, está muito longe da “arte da negociação”, sendo, na verdade, a “consagração da força bruta, com ou sem tropas envolvidas, em substituição à lei e ao direito”.