A Nova Ordem Pós-Maduro e a Doutrina Donroe no Hemisfério Ocidental
A recente captura do então ditador venezuelano Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, no último dia 3, marcou um ponto de virada significativo na geopolítica das Américas. O evento, parte da recém-instituída Doutrina Donroe do presidente Donald Trump, visava reafirmar o predomínio de Washington no Hemisfério Ocidental, buscando explicitamente afastar a crescente influência de Pequim e Moscou. No entanto, o que se observa é que essa presença estratégica e econômica está longe de ser erradicada, mesmo após a perda do principal aliado de China e Rússia na região.
A Doutrina Donroe, inspirada na Doutrina Monroe do século XIX, estabelece diretrizes de segurança nacional que priorizam a hegemonia americana, com foco na contenção de potências extrarregionais. A ação na Venezuela, embora emblemática, não parece ter sido suficiente para desmantelar as redes de influência que China e Rússia construíram ao longo dos anos, conforme análises e informações detalhadas em entrevista à Gazeta do Povo com Eduardo Galvão, professor de políticas públicas do Ibmec Brasília, e dados de organismos internacionais.
Este cenário complexo revela que a disputa por influência nas Américas é multifacetada e profunda, abrangendo desde acordos comerciais bilionários e investimentos em infraestrutura crítica até cooperações militares e estratégias diplomáticas que remodelam o panorama regional. A queda de Maduro, longe de ser um fim, parece ser apenas um novo capítulo nessa intrincada competição geopolítica.
A Pólvora Econômica da China na América Latina: Comércio e Investimentos Estratégicos
A China emergiu como um ator econômico dominante na América Latina, e sua influência continua a se expandir de forma robusta, mesmo após os eventos na Venezuela. Pequim é, atualmente, o maior parceiro comercial de diversas nações sul-americanas, incluindo potências como Brasil, Peru e Chile. Essa relação se traduz em um fluxo constante de investimentos bilionários e linhas de crédito que se tornaram vitais para o desenvolvimento de infraestruturas e a estabilidade econômica de muitos países.
Um exemplo claro dessa atuação é a aprovação, na semana passada, de uma nova rodada de ajuda a Cuba. O pacote, que inclui US$ 80 milhões em assistência financeira emergencial para a compra de equipamentos elétricos e outras “necessidades urgentes”, além de uma doação de 60 mil toneladas de arroz, demonstra o compromisso chinês em sustentar aliados estratégicos na região. Segundo comunicado do Ministério das Relações Exteriores cubano, essa assistência é crucial para o regime castrista.
Além do apoio direto, a influência chinesa é visível em grandes projetos de infraestrutura que redefinem a logística e a conectividade regional. O Porto de Chancay, um megaterminal de águas profundas inaugurado no Peru em novembro de 2024, é um testemunho do poder de investimento chinês. Complementarmente, um corredor ferroviário bioceânico, projetado para ligar o Brasil ao porto peruano, está em fase avançada de estudos técnicos e de viabilidade, prometendo integrar ainda mais as economias sul-americanas ao gigante asiático. A atração desses investimentos tem levado nações como Panamá, El Salvador e República Dominicana a cortar relações diplomáticas com Taiwan nos últimos anos, realinhando-se com a política de