Eduardo Bueno, o Peninha, gera intenso debate ao questionar o direito de voto de evangélicos em novo vídeo viral
O escritor, historiador e YouTuber Eduardo Bueno, popularmente conhecido como “Peninha”, voltou a ser o centro de uma intensa controvérsia nacional. Em um vídeo recente de seu canal “Buenas Ideias”, ele defendeu abertamente que pessoas evangélicas não deveriam ter o direito de votar em eleições, provocando uma imediata e ampla repercussão nas redes sociais.
A declaração, feita no vídeo intitulado “Com Mil Raios”, publicado na última quarta-feira (28) e que rapidamente viralizou no domingo seguinte, gerou uma onda de revolta e debate. A fala reacende discussões cruciais sobre liberdade de expressão, os limites do discurso público e o papel da religião na política brasileira, com muitos condenando a sugestão de restrição de direitos civis.
Bueno questionou a lógica do voto religioso, afirmando categoricamente: “Evangélico tem que ficar no culto, tem que ficar pastando junto com o pastor. Devia ser proibido evangélico votar, porque eles não votam para pastor! Por que eles têm que votar para vereador, para deputado estadual, etc?”, conforme informações. A fala, proferida em tom cômico, rapidamente se espalhou, gerando indignação e críticas por parte de diversos setores da sociedade.
A Nova Polêmica: O Raio, Nikolas Ferreira e a Necessidade de Engajamento
A mais recente controvérsia de Peninha teve como pano de fundo um incidente que já havia gerado burburinho na internet. O vídeo “Com Mil Raios” foi gravado por Eduardo Bueno para comentar, em tom jocoso, o episódio de um raio que caiu durante uma manifestação do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Este evento, ocorrido no domingo do dia 25, já havia sido tratado com deboche por perfis identificados com a esquerda, que interpretaram a descarga elétrica como uma “resposta divina” ao evento político.
Aproveitando o ensejo do incidente, Bueno inseriu em sua narrativa o questionamento sobre o direito ao voto de evangélicos, ampliando o escopo de sua provocação. No início do vídeo, o youtuber afirmou lamentar “ter de falar” sobre o episódio envolvendo Nikolas Ferreira, mas admitiu abertamente que precisava de “engajamento” para seu canal. Essa confissão sugere uma estratégia deliberada de usar temas polêmicos para atrair a atenção do público, uma tática comum no universo digital.
Entre os assuntos que cogitou abordar para gerar esse engajamento, Bueno mencionou o caso do banco Master e o do cão comunitário Orelha, demonstrando uma busca por temas que pudessem capturar a atenção da audiência, independentemente de sua natureza ou da profundidade da discussão. A escolha de pautas quentes e potencialmente divisivas parece ser um caminho recorrente em sua produção de conteúdo online, visando manter a relevância e o número de visualizações de seu canal.
O Histórico de Declarações Controversas e Suas Consequências
A recente fala de Eduardo Bueno não é um fato isolado em sua trajetória. O historiador e youtuber acumula um longo histórico de declarações polêmicas que resultaram em repercussões significativas, tanto no ambiente digital quanto em sua carreira profissional. Em meados do ano passado, por exemplo, Peninha obteve grande “engajamento” ao comentar sobre o ativista americano Charlie Kirk, com uma frase que chocou muitos: “É sempre terrível um ativista ser morto por suas ideias, exceto quando é o Charlie Kirk”.
Essa declaração, que expressava um desejo de morte a um adversário ideológico, teve consequências diretas e severas para Bueno. As repercussões incluíram o cancelamento de duas palestras importantes, uma na Livraria da Travessa, em Porto Alegre, e outra na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). Além disso, a fala gerou uma onda de repúdio público que se estendeu para além dos círculos conservadores, alcançando figuras do próprio campo progressista, que criticaram o teor da manifestação.
A polêmica também culminou no encerramento do podcast “Nós na História”, programa que Eduardo Bueno apresentava havia três anos. O comunicado oficial, que informou o fim do programa “em vista dos últimos acontecimentos”, deixou clara a conexão entre as declarações controversas e a interrupção de seu trabalho. Adicionalmente, o escritor foi afastado do Conselho Editorial do Senado Federal (CEDIT) após forte pressão parlamentar. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), declarou publicamente que o escritor “deveria ter sido demitido no momento em que o vídeo chegou ao seu conhecimento”, sublinhando a gravidade das manifestações e o impacto institucional de suas palavras.