O ministro da Educação, Camilo Santana, posicionou-se nesta quinta-feira, 22 de fevereiro, sobre a repercussão da primeira edição do Enamed, o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica. A prova, que gerou uma série de questionamentos sobre seus critérios e resultados, foi o tema central de uma coletiva de imprensa convocada pelo Ministério da Educação (MEC).
Em meio à controvérsia, Santana fez questão de esclarecer o propósito do exame. Ele afirmou que o MEC retomou seu protagonismo na regularização dos cursos superiores, tanto federais quanto privados, no Brasil. O ministro enfatizou que o Enamed visa assegurar a qualidade da formação dos futuros profissionais da saúde.
Durante o encontro com a imprensa, o chefe da pasta foi categórico ao afirmar, “Aqui nós não temos intenção de fazer caça às bruxas ou penalizar intencionalmente ninguém”, conforme divulgado na coletiva de imprensa.
A Reação das Entidades e a Busca por Qualidade
A coletiva de imprensa foi uma resposta direta às preocupações e questionamentos de diversas instituições de ensino superior, que demonstraram apreensão com as possíveis consequências dos resultados do Enamed. As baixas notas obtidas por uma parte significativa dos estudantes geraram um debate intenso sobre a qualidade do ensino médico no país.
O Conselho Federal de Medicina (CFM), por exemplo, manifestou-se por meio de nota divulgada nas redes sociais. A entidade criticou os resultados do exame, alertando que o cenário atual representa um risco direto à segurança do paciente. O CFM defende a aprovação urgente do ProfiMed, um exame de proficiência obrigatório para garantir que apenas profissionais com conhecimento comprovado recebam o registro médico.
Por outro lado, a Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup) tomou uma medida diferente. A entidade entrou com uma ação legal solicitando que os cursos que obtiveram avaliações insatisfatórias no Enamed não sofram qualquer tipo de punição, evidenciando a tensão entre as instituições e o órgão regulador.
Rigor e Avaliação Contínua
Camilo Santana reforçou a importância do Enamed como um instrumento fundamental para aprimorar a educação médica. Ele destacou a mudança no período de avaliação, que agora será anual, e um maior rigor no acompanhamento das instituições. Essa medida visa garantir que os padrões de qualidade sejam mantidos e aprimorados continuamente.
O ministro também comentou sobre o desempenho geral no exame, observando que o Enamed “mostrou muito bem as outras universidades federais, mostrou bem as faculdades estaduais, mostrou bem as faculdades comunitárias, mas uma preocupação grande das privadas com fins lucrativos, onde mais da metade não adquiriram nota suficiente e satisfatória”.
Para Santana, o Enamed é a garantia de que o Brasil formará bons profissionais, independentemente de virem de universidades públicas ou privadas. Ele enfatizou a responsabilidade desses futuros médicos, que atuarão em postos de saúde, UPAs e hospitais. “Vão cuidar da vida das pessoas, então precisamos ter bons profissionais formando”, concluiu o ministro, reforçando o compromisso com a saúde e bem-estar da população.