Representantes dos presidentes Donald Trump e Vladimir Putin realizaram um encontro em Davos, Suíça, classificado como “muito positivo” e “construtivo”. O diálogo de duas horas focou em como encerrar a guerra na Ucrânia, o conflito mais letal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
Apesar do tom otimista, a reunião ocorre em um cenário de grande apreensão. Aliados europeus da Ucrânia expressam preocupação com a possibilidade de os Estados Unidos exigirem que o país aceite concessões territoriais para alcançar um acordo de paz.
As discussões giraram em torno do futuro da Ucrânia, do papel das potências europeias e da durabilidade de um eventual acordo de paz mediado pelos Estados Unidos, conforme informações divulgadas pela agência de notícias russa RIA e por fontes anônimas.
Contexto da Guerra e Territórios em Disputa
A Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022, após oito anos de combates no leste ucraniano. Este evento desencadeou o maior confronto entre Moscou e o Ocidente desde o auge da Guerra Fria, alterando profundamente a geopolítica global.
Atualmente, a Rússia controla aproximadamente 19% do território ucraniano. Esta área inclui a península da Crimeia, anexada em 2014, grande parte da região oriental de Donbas, porções significativas das regiões de Kherson e Zaporizhzhia, e pedaços de outras quatro regiões.
Moscou insiste que a Crimeia, Donbas, Kherson e Zaporizhzhia são agora partes integrantes de seu território. No entanto, a Ucrânia declara que jamais aceitará essas anexações, uma posição amplamente apoiada pela maioria da comunidade internacional, que não reconhece as incorporações.
Temores Europeus e a Posição Russa
Líderes ucranianos e europeus argumentam que a Rússia não pode ser permitida a atingir seus objetivos, o que consideram uma apropriação de terras de estilo imperial. Há um temor generalizado de que, se a Rússia prevalecer, ela poderá um dia atacar membros da OTAN.
Em resposta a essas preocupações, Moscou classifica tais afirmações como “ridículas”, reiterando que não tem qualquer intenção de atacar um membro da OTAN. A Rússia também acusa líderes europeus de tentarem sabotar as negociações de paz.
Segundo a Rússia, isso ocorre ao introduzir condições que eles sabem serem inaceitáveis para Moscou. A Rússia afirma que tomou de 12 a 17 km² de território ucraniano por dia em 2025, uma declaração que destaca a complexidade das negociações.
O Caminho para a Paz e os Desafios Futuros
O enviado de Putin, Kirill Dmitriev, afirmou que “o diálogo é construtivo e cada vez mais pessoas entendem a imparcialidade da posição russa”, após as conversas com o enviado de Trump, Steve Witkoff, e o genro de Trump, Jared Kushner, na “Casa dos EUA” em Davos.
Steve Witkoff, por sua vez, foi citado pela agência de notícias russa RIA, dizendo: “Tivemos uma reunião muito positiva”. Essa avaliação mútua positiva sugere uma abertura para futuras discussões, apesar das profundas divergências existentes.
O presidente russo, Vladimir Putin, tem repetidamente declarado estar aberto à paz, mas sempre com base nas “realidades do campo de batalha“. Ele trata a guerra como um momento decisivo nas relações com o Ocidente, que, em sua visão, humilhou a Rússia após a queda da União Soviética em 1991 ao expandir a OTAN e invadir sua esfera de influência.