Equador impõe tarifa de 30% à Colômbia por falta de cooperação antidrogas na fronteira
O Equador deu um passo firme e controverso em sua política externa, anunciando a imposição de uma tarifa de 30% sobre todas as importações provenientes da Colômbia. A medida, que entrará em vigor a partir de 1º de fevereiro, visa pressionar o país vizinho por mais engajamento.
A decisão, comunicada pelo presidente Daniel Noboa, reflete uma crescente frustração equatoriana com a percepção de falta de apoio colombiano na luta contra o narcotráfico e o garimpo ilegal. A fronteira entre os dois países tem sido palco de intensos confrontos.
Segundo informações divulgadas pelo governo do Equador, a falta de reciprocidade e ações conjuntas firmes de Bogotá levaram a essa retaliação econômica, em um cenário de esforços contínuos e custos elevados para as forças de segurança equatorianas.
A Tarifa e a Tensão Fronteiriça
O anúncio da tarifa de 30% foi feito pelo presidente Daniel Noboa nesta quarta-feira, 21 de fevereiro. A medida é uma resposta direta àquilo que o Equador considera como “falta de reciprocidade e ações firmes” por parte de Bogotá no combate ao narcotráfico.
Em uma publicação na rede social X, Noboa destacou a necessidade de uma cooperação mais efetiva. A imposição da tarifa demonstra a seriedade com que o Equador encara a questão da segurança na fronteira e o impacto do crime organizado.
Acusações de Falta de Cooperação
O Equador afirma que, apesar de manter esforços de cooperação e conviver com um déficit comercial anual superior a US$ 1 bilhão com a Colômbia, suas forças de segurança continuam enfrentando grupos ligados ao narcotráfico sem o apoio efetivo do país vizinho.
O presidente Noboa foi enfático em sua crítica, afirmando: “Enquanto insistimos no diálogo, nossos militares continuam enfrentando o narcotráfico na fronteira sem cooperação alguma”. Essa declaração sublinha a urgência do problema para o governo equatoriano.
O Déficit Comercial e o Custo da Luta
A imposição da tarifa não é apenas uma medida de segurança, mas também uma estratégia econômica. O Equador, ao mencionar o déficit comercial, sugere que está arcando com um custo desproporcional na luta contra o crime transnacional.
A tarifa, conforme Noboa, será mantida até que a Colômbia demonstre um compromisso real. Esse compromisso deve incluir o enfrentamento conjunto do narcotráfico e do garimpo ilegal na região fronteiriça, com a mesma “seriedade e decisão” adotadas pelo Equador.
O Impacto do Narcotráfico na Região
Dados divulgados pelas autoridades equatorianas mostram que apreensões de drogas provenientes da Colômbia ou em áreas de fronteira são frequentes. Recentemente, em 6 de janeiro, o Exército equatoriano localizou 2,2 toneladas de narcóticos na província amazônica de Sucumbíos.
Há suspeitas de que essa carga pertencia aos Comandos de la Frontera, uma facção dissidente das extintas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Este grupo é também atribuído ao assassinato de 11 militares equatorianos em maio do ano passado, durante uma emboscada em operação contra o garimpo ilegal.
Exigências para a Normalização
A decisão do Equador envia uma mensagem clara sobre suas expectativas. A normalização das relações comerciais e a remoção da tarifa estão condicionadas a uma ação mais robusta da Colômbia. O foco é a segurança regional e a redução do impacto do narcotráfico.
O governo equatoriano busca uma parceria mais equitativa e eficaz. A imposição da tarifa é vista como um último recurso para garantir que a luta contra o crime organizado na fronteira seja uma responsabilidade compartilhada e efetiva entre as duas nações.