A Ericsson, renomada fabricante sueca de equipamentos de telecomunicações, anunciou um plano ambicioso de devolver aproximadamente US$ 1,7 bilhão aos seus investidores, por meio de seu primeiro programa de recompra de ações. A notícia veio após a empresa superar significativamente as expectativas de lucros trimestrais.
Este movimento estratégico, que representa um marco para a companhia, impulsionou suas ações em mais de 10% no pregão de Estocolmo, na sexta-feira (23). O mercado reagiu positivamente à robustez financeira demonstrada pela gigante sueca.
A decisão de iniciar uma recompra de ações e o forte desempenho financeiro refletem um período de ajustes e otimização, conforme informações divulgadas pela própria empresa.
Primeira Recompra de Ações da História da Ericsson
O programa de recompra de ações proposto pela Ericsson está previsto para começar após a publicação do relatório do primeiro trimestre e se estenderá até 2027. Este é um passo inédito para a empresa, sinalizando confiança em sua saúde financeira e um compromisso com o retorno aos acionistas.
Além da recompra de ações, a Ericsson também elevou o pagamento de dividendos anuais para US$ 0,33 por ação, um aumento em relação aos US$ 0,31 pagos no ano passado. Esta medida reforça a política de remuneração aos investidores, que se beneficiam diretamente do bom momento da companhia.
A decisão de lançar a recompra de ações segue uma melhora acentuada na posição de caixa da Ericsson. Essa melhoria foi impulsionada por uma série de fatores, incluindo cortes de custos eficazes e a bem-sucedida venda de seu negócio Iconectiv, sediado nos Estados Unidos.
Resultados Financeiros Acima do Esperado
A Ericsson divulgou lucros ajustados antes de juros e impostos, excluindo encargos de reestruturação, de cerca de US$ 1,3 bilhão para o último trimestre de 2025. Este valor superou a previsão média de US$ 1,1 bilhão em uma sondagem da Infront a analistas, demonstrando um desempenho robusto.
As vendas líquidas do grupo no quarto trimestre também impressionaram, atingindo US$ 7,7 bilhões. Este montante superou a estimativa dos analistas de US$ 7,4 bilhões, indicando um crescimento significativo em suas operações globais.
O desempenho foi particularmente forte em algumas regiões, com os negócios na Europa, Oriente Médio e África apresentando crescimento. A América do Norte, um mercado crucial para a empresa, permaneceu estável, contribuindo para os resultados positivos.
Estratégias de Reestruturação e Cenário Global
A Ericsson, um dos dois principais fornecedores ocidentais de equipamentos de rede ao lado da Nokia, agiu rapidamente para se ajustar às tarifas de importação dos Estados Unidos no ano passado. Essa agilidade na adaptação foi crucial para manter a competitividade no mercado global.
A empresa também manteve um programa contínuo de reestruturação, visando combater os investimentos mais fracos em 5G. Como parte desses esforços para aumentar a eficiência, o grupo sueco afirmou no início deste mês que cortaria 1.600 empregos no país.
Perspectivas na Europa e a Concorrência
A Ericsson e a Nokia podem recuperar terreno significativo na Europa, após a Comissão Europeia propor a eliminação gradual de fornecedores considerados de alto risco em setores críticos. Essa medida pode reconfigurar o cenário da concorrência, especialmente em relação a empresas chinesas.
Em uma entrevista à Reuters, o diretor financeiro da Ericsson, Lars Sandström, declarou que é “um pouco cedo para dizer” o quanto as propostas da União Europeia mudarão a participação no mercado. Ele ressaltou que essas iniciativas geralmente levam tempo para serem implementadas e sentidas.
No entanto, Sandström também enfatizou a prontidão da empresa para aproveitar novas oportunidades. “Se isso acontecer, é claro que estaremos prontos para aproveitar essa oportunidade”, destacou o executivo, indicando otimismo quanto ao futuro no continente europeu.