Um novo relatório divulgado pela Oxfam para a abertura do Fórum Econômico Mundial em Davos revela um cenário alarmante de desigualdade global. A riqueza dos bilionários, segundo o estudo, cresceu US$ 2,5 trilhões em 2025, um aumento de mais de 16% em relação ao ano anterior, conforme o relatório da Oxfam.

Esse montante exorbitante, segundo a organização, seria suficiente para erradicar a pobreza extrema 26 vezes, evidenciando o abismo crescente entre os mais ricos e o restante da população mundial. A riqueza coletiva de cerca de 3 mil pessoas é quase equivalente à riqueza total detida pela metade mais pobre da humanidade, que soma 4,1 bilhões de indivíduos.

Este crescimento acelerado das fortunas dos super-ricos ocorre em um momento crítico, onde a pobreza extrema persiste e, em algumas regiões, até se agrava, conforme informações divulgadas pela Oxfam.

O Crescimento Recorde das Fortunas e o Cenário Global

O aumento da riqueza dos bilionários no ano passado foi três vezes mais rápido do que a média dos últimos cinco anos, alcançando a marca histórica de US$ 18,3 trilhões, um crescimento de 81% desde 2020. Enquanto isso, a realidade para muitos é dramática.

O relatório destaca que 1 em cada 4 pessoas não tem regularmente o suficiente para comer, e quase metade da população mundial vive na pobreza. Essa disparidade é um reflexo de decisões políticas que, segundo a Oxfam, favorecem a manutenção e reprodução dessa riqueza concentrada.

Viviana Santiago, diretora executiva da Oxfam Brasil, analisa que “o aumento desproporcional da riqueza dos bilionários em um contexto global de pobreza coincide com várias medidas políticas que são tomadas para garantir a manutenção e a reprodução dessa riqueza”.

Ela cita, por exemplo, a administração Trump e sua agenda “completamente voltada para a proteção de bilionários que financiam suas campanhas”. Santiago ressalta que muitos países compartilham dessa agenda de redução de impostos para os super-ricos, impedindo o avanço na tributação global das grandes corporações.

A Estagnação da Redução da Pobreza e as Consequências

Na outra ponta da balança social, a taxa de redução da pobreza estagnou, retornando a níveis semelhantes aos de 2019, com um preocupante aumento da pobreza extrema na África. A Oxfam alerta que decisões políticas tomadas por governos para reduzir orçamentos de ajuda afetaram diretamente os mais vulneráveis.

Essa política pode levar a mais de 14 milhões de mortes adicionais até 2030, conforme projeções da organização. As escolhas governamentais, portanto, têm um impacto direto e fatal na vida de milhões de pessoas em todo o mundo.

A Desigualdade Chocante no Brasil

No Brasil, o cenário de concentração de riqueza é particularmente marcante. O país detém o maior número de bilionários da América Latina e do Caribe, com 66 pessoas que acumulam juntas cerca de US$ 253 bilhões, representando a maior fortuna total da região.

Esse quadro coexiste com um sistema tributário historicamente regressivo, onde a maior parte da carga fiscal recai sobre o consumo e os trabalhadores, penalizando desproporcionalmente os mais pobres. As rendas mais altas, por sua vez, continuam insuficientemente tributadas.

Apesar de uma recente reforma do imposto de renda, a Oxfam aponta que o Brasil ainda precisa avançar significativamente na tributação de dividendos, grandes fortunas e heranças para enfrentar de forma estrutural a desigualdade.

Viviana Santiago explica que “ao pensar a realidade do Brasil, um dos principais entraves para uma agenda de reforma tributária de fato progressiva é o posicionamento dos super-ricos e a defesa que se faz desses indivíduos no próprio parlamento”.

Ela critica a narrativa de que tributar lucros, dividendos e heranças prejudicaria a economia, classificando-a como falsa. “Existe um pânico na maioria da população de que ameaçar grandes riquezas ameaçaria a sociedade como um todo, essas narrativas estão presentes para dificultar a discussão da tributação”, afirma.

Santiago conclui com uma reflexão provocadora: “Costumamos falar de uma linha da pobreza, por que não se fala em linha da riqueza? Não é possível que o país em que milhões de pessoas vivem em situação de fome tenha a maior concentração de bilionários da América Latina.”

O Poder Político e a Influência dos Bilionários

O estudo da Oxfam, intitulado “Resistindo ao Domínio dos Ricos: Protegendo a Liberdade do Poder dos Bilionários”, também explora como os super-ricos estão garantindo poder político para moldar as regras econômicas e sociais em benefício próprio.

A organização estima que bilionários têm 4.000 vezes mais probabilidade de ocupar cargos políticos do que cidadãos comuns. Essa influência direta na governança global é uma preocupação crescente para a democracia e o acesso a direitos básicos.

Para Viviana Santiago, essa concentração de poder econômico se reflete na construção de candidaturas. “Começamos a ver um incremento no número das candidaturas de super-ricos e eles ocupam os cargos públicos para moldar as decisões políticas de maneira que garanta a manutenção dos seus privilégios”, adverte a diretora executiva da Oxfam Brasil.

A urgência em analisar os impactos da concentração de riqueza sobre a democracia é crucial, pois ela afeta diretamente a criação de políticas públicas e o acesso da população a serviços essenciais.

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