A liquidação do Banco Master pelo Banco Central (BC) transformou-se em um dos maiores escândalos financeiros do país, com repercussões que vão muito além do setor bancário e da economia.
Diferentemente de outras grandes liquidações bancárias na história brasileira, como as do Econômico, Nacional e Bamerindus, a situação do Master tem sido marcada por intensas tentativas de interferência e blindagem política.
Essas ações, que incluem até o recrutamento de um influenciador digital, visam desmoralizar o Banco Central e questionar sua atuação, conforme informações detalhadas pelo jornal O Estadão.
Influenciador recrutado para atacar o Banco Central
Um vereador de Erechim, no Rio Grande do Sul, com uma impressionante base de 1,7 milhão de seguidores nas redes sociais, revelou ao Estadão ter sido abordado para uma campanha. A proposta era clara, receber dinheiro para divulgar a narrativa de que o Banco Master seria uma “vítima de perseguição” por parte do Banco Central.
Este contato ocorreu por volta do dia 20 de dezembro, aproximadamente um mês após a decisão do BC de liquidar a instituição financeira. A tentativa de manipulação da opinião pública, usando a influência digital, destaca a gravidade da situação em torno do caso.
Manobras políticas e o alcance de Daniel Vorcaro
O empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, é apontado como figura central por trás de uma complexa rede de influências. Sua capacidade de mobilização se estende a diversos setores, e a expectativa é que suas futuras declarações possam ter um impacto significativo em muitas vidas.
Entre as conexões questionáveis, destaca-se um contrato de R$ 3,6 milhões mensais com o escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A falta de transparência em torno desse acordo levanta sérias dúvidas sobre a lisura do processo.
Além disso, o ministro Dias Toffoli, também do STF, levou para a instância superior um caso que tramitava em primeira instância e impôs um sigilo absoluto sobre ele. Tais movimentos reforçam a percepção de uma tentativa de desmoralizar o Banco Central e de interferir em sua independência.
Até mesmo o Tribunal de Contas da União (TCU) se envolveu na questão, apesar de não haver indícios de dinheiro da União no Master. Pelo contrário, o Banco Master provavelmente adquiriu muitos papéis do Tesouro Nacional, o que torna a intervenção do TCU sem justificativa aparente, segundo a análise.
Investigação da Polícia Federal e CPI em curso
A situação escalou para o âmbito legislativo, com a coleta de assinaturas suficientes para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso Nacional. O objetivo é investigar a fundo todo o escândalo envolvendo o Banco Master e as tentativas de interferência.
A Polícia Federal, por sua vez, vai retomar as oitivas. Serão ouvidos novamente o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, além de diretores do Master e do BRB. A investigação busca esclarecer o intenso interesse do BRB na aquisição do Master.
A mobilização da bancada governista para aprovar a compra do Master no Legislativo do Distrito Federal, que considerava o negócio como “grande”, também será minuciosamente apurada. As motivações por trás dessa insistência são um ponto crucial da investigação em andamento.
Outras Notícias: Mudanças na Esplanada e Mistério em Portugal
Em um contexto mais amplo da política nacional, o presidente Lula enfrentará a saída de dois ministros importantes. Ricardo Lewandowski, da Justiça, e Fernando Haddad, da Fazenda, devem deixar seus cargos, gerando a necessidade de substituições na Esplanada.
Lewandowski é criticado por um projeto de segurança pública que, segundo a análise, desconsidera a Constituição ao centralizar competências que são dos estados. Já Haddad, apesar de suas iniciativas, não conseguiu resolver os desafios fiscais do país, resultando em um déficit imenso, mesmo com o arcabouço fiscal.
Em um enredo que parece saído de um mistério policial, o passaporte de Eliza Samudio, desaparecida há 15 anos e cujo ex-goleiro Bruno foi condenado por sua morte, foi encontrado em uma pensão em Portugal. A descoberta reacende o debate e as especulações sobre um dos casos mais intrigantes da crônica policial brasileira, com muitas perguntas ainda sem respostas.