A Polícia Federal (PF) divulgou, na noite desta quarta-feira (14), um novo e detalhado balanço da segunda fase da Operação Compliance Zero. Esta ação de grande envergadura visa desmantelar uma suposta fraude bilionária que teria sido liderada pelo Banco Master, movimentando grandes somas de dinheiro e bens.
As atualizações da PF revelam o impressionante volume de bens apreendidos, que incluem um valor em espécie significativamente maior do que o inicialmente estimado, além de um arsenal e uma frota de veículos de luxo. A operação tem ganhado destaque pela complexidade e pelo alto perfil dos envolvidos.
Com 42 mandados de busca e apreensão cumpridos em cinco estados, a ação bloqueou um total de R$ 5,7 bilhões em bens dos investigados, conforme informações divulgadas pela própria Polícia Federal.
Detalhes das Apreensões Chocam Investigadores
O balanço atualizado da Operação Compliance Zero mostra um cenário de apreensões que surpreende pela diversidade e valor. A Polícia Federal confirmou a apreensão de 39 celulares e 31 computadores, equipamentos cruciais para a análise de dados e provas digitais.
Um dos pontos que mais chamam a atenção é a quantidade de armamentos. Foram apreendidas 30 armas, cujo tipo e calibre não foram detalhados, mas que indicam a complexidade e, possivelmente, os riscos envolvidos na investigação. A presença de um arsenal em operações financeiras é um dado que a PF está analisando.
O valor em dinheiro vivo também teve uma correção expressiva. Pela manhã, a estimativa era de R$ 97 mil, mas o novo balanço da PF aponta para a apreensão de R$ 645 mil em espécie. Esse montante sugere a movimentação de grandes valores fora dos canais bancários tradicionais.
Além do dinheiro e das armas, a operação resultou na apreensão de bens de alto valor. Foram 23 veículos de luxo, avaliados pela Polícia Federal em impressionantes R$ 16 milhões de reais. Relógios importados, joias e outros itens de valor também constam entre as apreensões, reforçando o perfil de alto padrão dos investigados.
Fraude Bilionária e os Alvos da Operação
A investigação da segunda fase da Operação Compliance Zero aprofunda-se na mecânica da suposta fraude. A Polícia Federal detectou que havia um esquema de captação de dinheiro, aplicação em fundos de investimento e, posteriormente, o desvio desses recursos para o patrimônio pessoal de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e de seus familiares.
Os alvos dos mandados de busca e apreensão são pessoas próximas ao empresário, incluindo seu pai, irmã e cunhado. A PF apura se o Banco Master estaria utilizando fundos de investimento de forma indevida para realizar operações financeiras fraudulentas, lesando investidores e o sistema financeiro.
A dimensão da fraude investigada é bilionária, com o bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens dos investigados. Essa medida visa garantir a reparação de possíveis danos e evitar a dissipação do patrimônio adquirido de forma ilícita.
STF e PGR na Análise do Material Apreendido
Em um desdobramento importante, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que todo o material apreendido na operação desta quarta-feira seja enviado à Procuradoria-Geral da República (PGR). Essa decisão assegura que a investigação tenha o acompanhamento e a análise adequados por parte da PGR.
Inicialmente, o ministro havia determinado a “lacração e acautelamento” de todo o material apreendido na sede do STF. Contudo, após um pedido da própria PGR, Toffoli recuou e autorizou que os procuradores tivessem acesso e pudessem analisar os dados e bens coletados, indicando a seriedade e a necessidade de celeridade na apuração.
A Posição da Defesa de Daniel Vorcaro
A defesa de Daniel Vorcaro, por meio de nota, se manifestou sobre as ações da Operação Compliance Zero. Os advogados informaram que tomaram conhecimento das medidas de busca e apreensão e reafirmaram que o Sr. Vorcaro “tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes”.
Segundo os advogados, todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência. A defesa reiterou que Daniel Vorcaro “permanece à disposição para prestar esclarecimentos sempre que solicitado, reforçando seu interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito”.
A nota da defesa conclui reforçando a “confiança no devido processo legal” e que a equipe jurídica “seguirá atuando nos autos para que as informações sejam tratadas de forma objetiva e dentro dos limites constitucionais”, buscando assegurar a ampla defesa do empresário diante das acusações de fraude bilionária.