O recém-empossado Ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, escolhido pelo presidente Lula em um movimento de aproximação com o Centrão, traz consigo um histórico empresarial complexo. Sua trajetória à frente de companhias levanta sérias preocupações sobre a gestão de recursos públicos e privados.
Feliciano, agora responsável por um orçamento de R$ 3,5 bilhões na pasta do Turismo, esteve diretamente ligado a empresas que acumularam uma série de problemas. Estas incluem instituições de ensino superior que fecharam as portas e uma construtora.
As dificuldades englobam atrasos no pagamento de salários, dívidas consideráveis com a União e sanções impostas pelo próprio governo federal. As informações foram divulgadas pelo GLOBO.
Faculdades em Crise: Descredenciamento e Suspensão de Financiamento
Entre as empresas geridas por ministro do Turismo, destacam-se duas instituições de ensino superior com sérios problemas. A Faculdade de Ciências e Tecnologias de Natal (Faciten), da qual o ministro foi sócio, foi descredenciada pelo Ministério da Educação (MEC) em novembro de 2025.
O descredenciamento ocorreu por falhas na prestação de serviços educacionais, uma das mais severas sanções do governo federal. A instituição, que oferecia cursos como Administração e Direito, está proibida de apresentar novos pedidos de credenciamento por dois anos.
Outra instituição com a qual o ministro mantém vínculos, a Faculdade de Campina Grande, foi suspensa do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) em julho do ano passado e está inoperante ao menos desde 2024. No sistema e-mec do Ministério da Educação, Gustavo Feliciano ainda aparece como diretor-presidente da União de Ensino Superior de Campina Grande (Unesc-PB), que controla a faculdade.
Dívidas Milionárias e Inúmeras Ações Trabalhistas
A trajetória das empresas de Gustavo Feliciano é marcada por profundas dificuldades financeiras. A Unesc-PB, por exemplo, consta no rol de devedores da União, com um débito de R$ 2,59 milhões, conforme dados da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).
Desse montante, R$ 1,6 milhão refere-se a dívidas previdenciárias, R$ 338,8 mil a multas trabalhistas e R$ 603 mil a passivos relacionados ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Além disso, a Unipb, mantenedora da Faciten, possui débitos de R$ 334 mil com a União, em sua maioria por questões trabalhistas.
A crise da Unesc-PB se arrasta há anos, com atrasos no pagamento de salários e no recolhimento do FGTS dos funcionários desde 2012. Ex-professores relatam que posts de Gustavo Feliciano no Instagram de uma viagem ao Japão, para assistir à final do Mundial de Clubes em 2012, causaram indignação, pois ocorreram em meio aos problemas financeiros da faculdade.
O Tribunal Regional do Trabalho da 13ª Região registra 313 ações trabalhistas mencionando supostas irregularidades da Unesc-PB. Casos incluem falta de pagamento de salários, rescisão trabalhista e ausência de recolhimento de FGTS por anos. Em outro processo, uma ex-professora trabalhou por mais de um ano sem registro em carteira, resultando em um acordo de indenização de R$ 24 mil.
Ligações Familiares e Mudanças na Estrutura Societária
A gestão das empresas ligadas ao ministro do Turismo tem forte conexão familiar. Lígia Feliciano, mãe de Gustavo e ex-vice-governadora, dirigiu a Unesc-PB antes de 2015, quando Gustavo Feliciano assumiu o comando, período que coincide com o agravamento da crise financeira da instituição.
O irmão do ministro, Renato Feliciano, que é sócio-administrador da mantenedora da Faculdade de Campina Grande, afirmou que Gustavo Feliciano