A saída do presidente do São Paulo, Julio Casares, de uma reunião do Conselho Consultivo do clube, tornou-se palco de um intenso protesto na tarde desta terça-feira, 6 de fevereiro. Torcedores se reuniram em frente ao Centro de Treinamento, expressando sua insatisfação de forma veemente.
O clima de revolta é alimentado por uma série de denúncias que envolvem a gestão do mandatário, incluindo a investigação sobre movimentações financeiras consideradas atípicas. A situação escalou rapidamente, culminando em um bloqueio ao veículo de Casares.
As manifestações ocorrem em meio a um cenário de investigações sérias, que incluem um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), conforme informações divulgadas pelo UOL.
Protesto Acalorado no CT da Barra Funda
Em um momento de grande tensão, torcedores do São Paulo se posicionaram em frente ao carro que transportava Julio Casares, impedindo temporariamente sua saída do local. A ação foi acompanhada pela exibição de uma faixa com a frase “gestão criminosa”, evidenciando a gravidade das acusações.
Após alguns segundos de gritos e cobranças diretas ao veículo, os manifestantes liberaram a passagem. No entanto, o ato de protesto não terminou sem um impacto, com um dos torcedores desferindo um tapa no vidro do motorista, um momento capturado por jornalistas presentes, como Gabriel Sá do UOL.
O episódio sublinha a pressão crescente sobre a diretoria do clube, com os torcedores exigindo respostas e maior transparência diante dos recentes acontecimentos. A insatisfação com a gestão criminosa, como apontado na faixa, atinge um novo patamar.
Investigação do Coaf Revela Depósitos Milionários em Dinheiro Vivo
A raiz da indignação dos torcedores está nas revelações de um relatório do Coaf, que aponta para movimentações financeiras suspeitas envolvendo o presidente Julio Casares. O documento indica que o mandatário do São Paulo recebeu um total de R$ 1,5 milhão em depósitos em dinheiro vivo.
Esses depósitos teriam ocorrido entre janeiro de 2023 e maio de 2025, um período relativamente curto para o montante. O valor representa uma parcela significativa da renda total de Casares no período, correspondendo a impressionantes 47% de seus rendimentos, segundo documentos divulgados pelo UOL nesta terça-feira.
A forma como os depósitos foram realizados também levanta sérias suspeitas. A prática de depósitos fracionados, conhecida como “smurfing”, é definida pelo Coaf como uma tentativa de burlar os mecanismos de controle e fiscalização. Essa metodologia é frequentemente associada a atividades ilícitas, intensificando as denúncias contra a gestão Casares.
Outras Denúncias Agravam a Crise na Gestão do São Paulo
A crise na gestão Julio Casares não se limita apenas aos depósitos suspeitos investigados pelo Coaf. O São Paulo Futebol Clube está no centro de outras apurações que adicionam complexidade e preocupação ao cenário atual, aumentando a pressão dos protestos.
Entre os casos em análise, destacam-se a exploração ilegal de um camarote no estádio Morumbis por dirigentes do clube. Essa prática, se comprovada, aponta para um desvio de recursos e uso indevido da estrutura do clube para benefício próprio, configurando mais uma das denúncias.
Além disso, há investigações sobre saques vultosos dos cofres do Tricolor, totalizando R$ 11 milhões. A sucessão de denúncias e a falta de clareza sobre esses valores contribuem para a imagem de uma gestão criminosa e aumentam a pressão por respostas definitivas e ações corretivas no São Paulo.