Escócia se torna pioneira no Reino Unido com a legalização da cremação por água, conhecida como aquamação
A Escócia deu um passo significativo na legislação funerária ao legalizar a cremação por água, um método que promete ser uma alternativa mais ecológica ao sepultamento e à cremação tradicional. Conhecido como aquamação, o processo utiliza uma reação química para decompor o corpo, gerando resultados que diferem das cinzas obtidas pela incineração.
A decisão, que entrou em vigor recentemente, coloca a Escócia na vanguarda do Reino Unido em termos de opções funerárias inovadoras. A legalização veio após uma consulta pública em 2023, onde 84% dos escoceses se mostraram favoráveis à atualização da lei de cremação, que datava de 1902.
Embora seja novidade no Reino Unido, a aquamação já é uma prática legalizada em mais da metade dos estados americanos e em países como Canadá, Austrália, Nova Zelândia e África do Sul. A informação foi divulgada pelo portal G1.
Como funciona a aquamação: o processo de hidrólise alcalina
Diferentemente da cremação tradicional, que envolve a queima do corpo em altas temperaturas (acima de 1.000°C), a aquamação, também chamada de hidrólise alcalina, utiliza um processo químico para a decomposição. O corpo é acondicionado em um cilindro metálico e submetido a uma mistura de água e uma substância alcalina, como o hidróxido de potássio, sob alta pressão.
A temperatura controlada, entre 90°C e 150°C, combinada com a pressão, impede a fervura da água. Em um período de três a quatro horas, essa combinação de calor, pressão e alcalinidade dissolve os tecidos moles do corpo, como pele, carne e cartilagem. Os proponentes da técnica afirmam que este processo simula o que ocorreria naturalmente com o corpo em um sepultamento convencional.
Ao final do procedimento, restam apenas os ossos, que são triturados até se transformarem em um pó fino e branco. Este material é distinto das cinzas da cremação tradicional, que geralmente apresentam coloração mais escura. O líquido resultante é estéril, contendo compostos orgânicos como sais, aminoácidos e proteínas, sendo tratado antes de ser devolvido à natureza de forma segura.
Aquamação: uma opção mais ecológica em comparação com a cremação tradicional
Uma das principais vantagens apontadas para a adoção da aquamação é seu menor impacto ambiental. Na cremação tradicional, implantes médicos, como marca-passos, precisam ser removidos para evitar riscos de explosão. Na aquamação, esses objetos são recuperados intactos ao final do processo e podem ser encaminhados para reciclagem ou descarte adequado.
A cremação convencional, que geralmente utiliza gás de cozinha, emite dióxido de carbono na atmosfera. A aquamação, por sua vez, elimina essas emissões, consumindo significativamente menos energia — cerca de um sétimo do necessário para a cremação tradicional. Essa característica a posiciona como uma alternativa mais sustentável.
O resultado final para as famílias é o mesmo em ambos os procedimentos: a obtenção de um material que pode ser guardado em urnas, sepultado ou espalhado, conforme os desejos do falecido. A diferença reside no processo e no impacto ambiental.
Avanço na Escócia: contexto legal e social da aquamação
A legalização da aquamação na Escócia representa uma modernização da legislação funerária. A lei de cremação escocesa, criada em 1902, foi atualizada para incluir esta nova opção. O expressivo apoio público, com 84% de aprovação na consulta, demonstra uma abertura da sociedade para métodos funerários mais sustentáveis e inovadores.
A técnica, desenvolvida no século XIX, já é uma realidade em diversos países, refletindo uma tendência global de busca por alternativas menos impactantes ao meio ambiente. A adoção em larga escala em outros locais, como nos Estados Unidos, onde é legal em muitos estados, e o uso em funerais de personalidades, como o arcebispo Desmond Tutu, evidenciam sua crescente aceitação.
A aprovação na Escócia pode impulsionar discussões similares em outras nações do Reino Unido e na Europa, incentivando a revisão de leis e a oferta de novas opções para o fim da vida.
Aquamação no Brasil: um cenário distante e os desafios da legislação
No Brasil, a cremação tradicional foi legalizada apenas em 1975, com modificações posteriores na legislação de Registros Públicos. Comparado à Escócia, o país está em uma fase inicial em relação a práticas funerárias menos convencionais. A aquamação, por sua vez, enfrenta barreiras legais significativas no território nacional.
Segundo especialistas, a lei brasileira que regulamenta a cremação é restrita e menciona apenas a