A influenciadora “Esquerdogata”, Aline Bardy Dutra, reaparece após meses de internação, admitindo o desacato durante sua prisão em 2025, mas negando veementemente as acusações de racismo e classismo, e expondo sua versão dos fatos.
A influenciadora Aline Bardy Dutra, amplamente conhecida nas redes sociais como “Esquerdogata”, voltou a movimentar seu perfil no Instagram nesta sexta-feira, 23 de fevereiro. Em um vídeo extenso, ela fez seu primeiro pronunciamento público detalhado desde sua prisão em outubro de 2025, por desacato e racismo, durante uma abordagem policial no interior de São Paulo.
Após um período de internação psiquiátrica, Aline abordou as acusações, confirmando que de fato cometeu o crime de desacato. No entanto, ela negou ter cometido injúria racial, argumentando que sua fala foi uma crítica social e não uma ofensa intencional.
A repercussão do caso da “Esquerdogata” gerou intenso debate na época, levando a influenciadora a um período de recolhimento. Agora, ela busca esclarecer sua perspectiva sobre os eventos, conforme informações divulgadas pela Gazeta do Povo.
“Crítica social” e a negação do racismo
Em seu pronunciamento, Aline Bardy Dutra, a “Esquerdogata”, admitiu ter resistido a uma ordem de prisão proferida por um policial militar. Contudo, ela defendeu-se da acusação de injúria racial, afirmando que sua intenção não era ofender o PM ao comentar que seria “triste” um policial negro abordar outro negro.
Para a influenciadora, sua declaração foi uma “crítica social” e um “lamento pela violência institucional e ‘intrarracial’”. Ela explicou que o desacato ocorreu no momento em que recebeu voz de prisão por injúria racial. “Aí eu surto, porque sabia que não tinha cometido este crime”, declarou Aline, destacando seu desespero.
As acusações de classismo também foram refutadas pela “Esquerdogata”. Ela havia perguntado ao policial se ele conhecia a Europa e afirmado que o valor de seus calçados seria o mesmo da viatura, dizendo: “Minha sandália vale o carro de vocês”. Aline justificou que estava “desesperada” e com o “poder de decisão afetado pelo álcool”, negando qualquer intenção classista ao argumentar que, economicamente, ela e o policial estariam no mesmo nível. Aline possui uma loja virtual e atuava como professora infantil no município.
Arrependimento e críticas às autoridades
A influenciadora expressou profundo arrependimento pelas palavras ofensivas proferidas ao policial. “Se você se sentiu decepcionado, você não imagina o quanto eu me senti decepcionada comigo”, disse Aline Bardy Dutra.
Apesar de admitir o erro e se comprometer a responder judicialmente pelos fatos, a “Esquerdogata” manteve um tom crítico em relação às autoridades. Ela alegou que seu celular foi apreendido sem mandado judicial e nunca foi periciado. Além disso, afirmou ter sido impedida de usar o banheiro na delegacia, um direito “básico”, o que a fez “urinar na roupa, mais de uma vez”.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) foi contatada pela Gazeta do Povo para verificar essas informações e deve se pronunciar em breve. A SSP-SP, em outubro de 2025, confirmou a prisão da mulher de 45 anos por desacato, resistência e preconceito de raça e cor em Ribeirão Preto, durante uma fiscalização de trânsito. O boletim de ocorrência descreveu que a mulher “passou a resistir e ofender os agentes, inclusive com ofensas raciais”.
Contexto da prisão e repercussão política
A abordagem policial que levou à prisão da “Esquerdogata” teria ocorrido após ela presenciar um PM negro abordando outra pessoa negra. Aline teria começado a filmar os agentes, acusando-os de abordar o homem por ser negro. Vídeos da época mostravam a influenciadora com fala “amolecida”, aparentando estar sob efeito de substâncias psicoativas.
Após as formalidades na delegacia, Aline foi liberada com a condição de realizar tratamento psiquiátrico e cumprir medidas cautelares, como não sair de casa à noite. Na época, seus advogados, Douglas Marques e Roberto Bertholdo, divulgaram um comunicado à imprensa, afirmando que ela estava arrependida e constrangida, mas também tentando justificar o incidente ao citar supostos excessos da PM paulista.
Filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT) desde maio de 2022, a “Esquerdogata” teve um processo de desligamento iniciado pelo diretório do partido após o incidente, mas não há informações sobre o desfecho. Apesar da filiação, ela nunca exerceu funções partidárias. Atualmente, afastada de seu cargo público como educadora infantil, Aline mantém uma loja virtual onde se descreve como “comunicadora, professora e militante política com mais de 800 mil seguidores nas redes sociais”, promovendo “análises críticas, conteúdos sobre política e debates que unem informação e mobilização”.
Apesar do período de recolhimento, a “Esquerdogata” fez uma breve aparição nas redes em 22 de novembro de 2025, data da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, para celebrar o ocorrido. “A democracia venceu e o Bolsonaro? O Bolsonaro foi para a Papuda, é alegria demais”, disse Aline em um áudio, ignorando que a custódia, na época, era na sede da Polícia Federal, e não no complexo penitenciário.