O ‘Estado-Ladrão’ e a Necrofilia Financeira que Assola o Brasil
Em um cenário que remete a filmes de ficção, farmácias com portas fechadas e sem atividade aparente ressurgem nos registros governamentais com vendas fictícias. Essa realidade, longe de ser uma obra cinematográfica, é apresentada como um reflexo do que se denomina “Estado-Ladrão”, um sistema onde o desvio de recursos públicos se tornou uma prática institucionalizada, afetando desde programas sociais essenciais até órgãos de fiscalização.
A má utilização de fundos públicos e a criação de esquemas fraudulentos, como o que teria ocorrido com a Farmácia Popular, evidenciam uma profunda crise ética e administrativa no país. A suspeita é que facções criminosas estariam utilizando a estrutura de empresas inativas para canalizar dinheiro público, transformando o que deveria ser um alívio para a população em financiamento para atividades ilícitas.
Essa dinâmica, segundo as fontes, se estende a outros casos de desvio de verbas e privilégios em órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União (TCU), que deveria ser o guardião do dinheiro do contribuinte, mas que, segundo denúncias, se tornou um celeiro de supersalários e regalias. As informações sobre esses desvios e a alegada cleptocracia no país foram divulgadas por meio de análises e artigos de opinião, com destaque para as reflexões de figuras como Olavo de Carvalho, que comparou o cronista Paulo Briguet a Rubem Braga.
A Farmácia Popular: Um Fantasma Digital a Sugar Recursos Públicos
A descrição de farmácias fantasmas ganhando vida nos sistemas eletrônicos do governo, sem qualquer atividade real, é um dos exemplos mais contundentes apresentados sobre a alegada atuação do “Estado-Ladrão”. Essa prática, que se assemelha a uma “necrofilia financeira”, envolveria a reativação de CNPJs inativos para injetar dinheiro público, desviando-o de seu propósito original.
Em vez de farmacêuticos atendendo pacientes e remédios chegando às mãos de quem precisa, o que se veria, segundo essa ótica, seria a atuação de contadores ligados ao narcotráfico, utilizando os recursos para financiar atividades criminosas, como as FARC. O Brasil, já conhecido por seu alto índice de mortes empresariais, seria palco de um narcoterrorismo que opera no ramo da “necrofilia financeira”, explorando a estrutura de negócios falidos.
A suspeita recai sobre a possibilidade de que o programa Farmácia Popular, ou estruturas a ele ligadas, tenham sido alvos de fraudes. A falta de comprovação em contrário e a recorrência de escândalos envolvendo desvio de verbas públicas, como os apontados em casos envolvendo familiares e aliados de figuras políticas proeminentes, alimentam o ceticismo sobre a gestão dos recursos federais.
O Estado-Ladrão e a Corrupção Sistêmica: Mais que um Roubo, um Modo de Governança
A tese central é que o Brasil, sob o regime atual, operaria não como uma república, mas como uma cleptocracia, onde o roubo e o desvio de recursos são formas de governo. O “Estado-Ladrão” não agiria apenas no varejo, permitindo fraudes em programas como a Farmácia Popular, mas também no atacado, por meio de mecanismos legais como impostos, gastos desenfreados e endividamento público.
O roubo maior, segundo essa perspectiva, não estaria visível nas transações de uma farmácia, mas sim nas entrelinhas do orçamento público. Impostos considerados “criminosos”, gastos excessivos em áreas não prioritárias, rombos em empresas estatais, supersalários e uma dívida pública astronômica, que já ultrapassa R$ 10 trilhões, seriam as verdadeiras ferramentas de confisco do trabalho de gerações presentes e futuras.
Essa forma de “assalto legalizado” operaria por meio do Diário Oficial, com o carimbo da legalidade, mas com o objetivo de expropriar o futuro do país. A comparação é feita com um batedor de carteira, que seria insignificante diante de um “assaltante ubíquo” que opera em escala nacional, drenando a riqueza gerada pelo trabalho dos brasileiros.
O Peso dos Impostos e a Armadilha do Assalariado
Um exemplo prático da ação do “Estado-Ladrão” é detalhado através da situação de um trabalhador assalariado que ganha R$ 10 mil por mês. Para o governo, segundo essa visão, esse profissional seria um “playboy”, dada a quantidade de impostos e contribuições que incidem sobre seu rendimento.
Ao contratar esse trabalhador, o empregador é obrigado a pagar cerca de R$ 9 mil em encargos sociais e tributários, quase o mesmo valor do salário bruto. Desse montante, o trabalhador efetivamente recebe R$ 7 mil, pois R$ 3 mil são retidos para Imposto de Renda, FGTS e outros descontos. A situação se agrava quando, desses R$ 7 mil líquidos, aproximadamente 50% são consumidos pelo pagamento de impostos embutidos em bens e serviços.
Com apenas R$ 3,5 mil restantes, o trabalhador ainda precisa arcar com outros impostos, como IPTU e IPVA, além de custear serviços básicos de saúde, segurança e educação, pelos quais já pagou ao governo e que, segundo essa crítica, não são entregues de forma satisfatória. Essa engrenagem, que drena as finanças do cidadão comum, seria o motor que sustenta uma “máquina imensa, ineficaz e corrupta” que consome as forças vitais da sociedade brasileira.
TCU: O Monumento aos Supersalários e Privilégios
Para que o “permanente assalto” ao erário público ocorra sem grandes sobressaltos, é fundamental que os órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União (TCU), estejam, na visão crítica apresentada, “devidamente alimentados”. O TCU é apontado como um “monumento máximo dessa perversão”, transformado em um “ralo de supersalários e privilégios nababescos”.
Segundo os dados apresentados, sete em cada dez servidores do TCU recebem salários superiores ao teto constitucional de R$ 46,3 mil. Entre dezembro de 2023 e o início de 2026, o tribunal teria destinado R$ 55 milhões apenas para pagamentos que excederam esse limite. Casos de salários que chegaram a R$ 264 mil em um único mês foram registrados, inflados por licenças compensatórias, ajudas de custo e diárias internacionais.
Essa prática, de acordo com a crítica, desvirtua a função primordial do TCU, que deveria ser a fiscalização rigorosa dos gastos públicos e a proteção do dinheiro do contribuinte. Em vez disso, o órgão se tornaria um exemplo de como o sistema permite e até estimula o acúmulo de riqueza por parte de uma elite burocrática, às custas do sofrimento e da privação da população.
O Roubo da Justiça e da Liberdade: Além do Dinheiro
O “Estado-Ladrão” não se contentaria apenas em subtrair recursos financeiros, mas avançaria sobre o que há de mais sagrado para o indivíduo: a Justiça e a Liberdade. Ao subverter leis para proteger aliados e perseguir opositores, o governo estaria, na prática, roubando a própria Justiça.
A censura de opiniões, o cerceamento do pensamento e o banimento de jornalistas, sob o pretexto de defender a democracia, seriam formas de roubar a Liberdade. Enquanto o dinheiro é um instrumento criado para facilitar trocas e pode ser perdido ou desvalorizado, a Liberdade e a Justiça são apresentadas como “substâncias imateriais, dons criados por Deus para elevar a dignidade humana”.
O avanço do Estado sobre esses domínios seria, portanto, um “sacrilégio contra a ordem natural”. A ambição do “Estado-Ladrão” seria tão grande que ele buscaria roubar a alma daqueles que se recusam a ser escravos, atacando os pilares da dignidade humana.
A Dualidade da Corrupção: Narcotráfico e Burocracia
A tragédia brasileira é descrita como um cenário onde dois tipos de crimes, ambos “amaldiçoados”, operam em paralelo. De um lado, o narcoterrorismo que utiliza a fachada de empresas, como a Farmácia Popular, para lavar dinheiro.
De outro lado, o burocrata que, munido do Diário Oficial e do carimbo da legalidade, “vampiriza” o país através de gastos excessivos, impostos e endividamento. Entre o “balcão empoeirado” da farmácia e o “mármore de Brasília”, o cidadão comum seria o “eterno espoliado”, vítima de um sistema que o oprime e o despoja de seus direitos e de sua dignidade.
No entanto, mesmo diante desse cenário sombrio, uma certeza é apresentada como inabalável: o poder do “Estado-Ladrão” é temporal e limitado. Nenhum líder, por mais poderoso que pareça, pode criar a verdadeira Justiça ou conceder a Liberdade, pois estes são dons divinos que não se sujeitam a carimbos ou à ganância de cleptocratas.
A Alma Intocável: A Resistência contra o Estado-Ladrão
O “Estado-Ladrão”, por mais sofisticado que seja em seus métodos de confisco, não encontraria a arma capaz de subtrair a alma daqueles que se recusam a viver sob o jugo da escravidão. A mensagem final é um apelo à resistência e à preservação da integridade pessoal.
A recomendação é clara: “Não venda a sua alma”, pois, para tal ato, “não há remédio”. Essa intangibilidade da alma humana, mesmo diante da opressão e da corrupção sistêmica, é apresentada como a última trincheira de liberdade e dignidade para o indivíduo. A luta contra o “Estado-Ladrão” seria, em última instância, uma batalha pela preservação da essência humana.