O renomado cantor espanhol Julio Iglesias, uma figura icônica da música mundial desde a década de 1960, está no centro de uma séria investigação judicial na Espanha. Duas mulheres que trabalharam para ele apresentaram acusações de agressão sexual, descrevendo um ambiente de trabalho de abuso e coerção.

Os depoimentos são chocantes e detalham supostos incidentes que teriam ocorrido em 2021, nas propriedades do artista na República Dominicana e nas Bahamas. As alegações apontam para um padrão de comportamento que “normalizou o abuso”, segundo as vítimas.

A investigação foi aberta pelo Judiciário espanhol após as acusações serem reveladas em reportagens conjuntas dos veículos elDiario.es, da Espanha, e Univision, dos Estados Unidos. Conforme divulgado pela BBC News em Madri, que citou estas reportagens, os detalhes são perturbadores e exigem atenção.

Relatos de Coerção e Violência: As Vozes de Rebeca e Laura

Uma das denunciantes, identificada como Rebeca, uma trabalhadora doméstica dominicana que tinha 22 anos na época dos supostos fatos, compartilhou um relato angustiante. Ela afirmou que o cantor frequentemente a chamava ao seu quarto ao fim do dia, tocando-a de forma inapropriada e sem consentimento.

“Ele me usava quase todas as noites”, disse Rebeca, em depoimento impactante. “Eu me sentia como um objeto, como uma escrava.” Ela também alegou ter sido forçada a participar de relações sexuais a três com outra funcionária, além de receber tapas no rosto e ter seus genitais apalpados.

A segunda mulher, Laura, uma fisioterapeuta venezuelana, também trouxe à tona suas experiências. Ela relatou que Julio Iglesias tocou seus seios e a beijou na boca contra sua vontade. Laura descreveu um ambiente de trabalho onde era constantemente ameaçada de demissão.

Além das investidas, Laura detalhou um controle excessivo sobre sua vida pessoal, com Iglesias regulando sua alimentação e questionando sobre seu ciclo menstrual. “Ele sempre dizia que eu era gorda e que precisava emagrecer”, contou Laura, sublinhando a atmosfera de abuso normalizado.

O Ambiente de Trabalho e as Provas Documentais

As reportagens do elDiario.es e da Univision, fruto de uma investigação de três anos, indicam que as acusações são corroboradas por um vasto material probatório. Este inclui fotografias, registros telefônicos, mensagens de texto e laudos médicos, fortalecendo a seriedade das denúncias de abusos sexuais.

Outros ex-funcionários de Julio Iglesias, citados nas mesmas reportagens, descreveram um ambiente de trabalho que era frequentemente ameaçador e estressante. Isso sugere um padrão de comportamento e uma cultura organizacional que favoreciam a vulnerabilidade das empregadas.

Em 5 de janeiro, Rebeca e Laura formalizaram suas denúncias perante o tribunal nacional da Espanha, que tem competência para investigar crimes cometidos fora do território espanhol. As queixas incluem agressão sexual e tráfico de pessoas, adicionando uma camada ainda mais grave às alegações.

Repercussão e Apoio às Vítimas na Espanha

A notícia dos abusos sexuais contra Julio Iglesias gerou diversas reações na Espanha. A ministra da Igualdade, Ana Redondo, expressou a expectativa de que o caso seja investigado “até o fim”, reforçando a importância do consentimento. “Quando não há consentimento, há agressão”, publicou em rede social.

Ione Belarra, líder do partido Podemos e deputada, fez um apelo público pelo “fim do silêncio” em casos de agressão sexual, especialmente quando envolvem “agressores famosos protegidos por seu dinheiro”. Sua declaração ressalta a necessidade de responsabilização, independentemente do status social.

Até mesmo a biografia do cantor, “El español que enamoró al mundo” (O espanhol que deixou o mundo apaixonado), será atualizada para incluir as acusações. O biógrafo Ignacio Peyró e a editora Libros del Asteroide manifestaram seu “apoio e solidariedade às vítimas”, um gesto significativo em meio à controvérsia.

A Posição de Julio Iglesias e Seus Aliados

Até o momento, Julio Iglesias e seu advogado não se pronunciaram sobre as acusações, apesar de repetidos pedidos de posicionamento antes da publicação das reportagens. A BBC também tentou contato com representantes do cantor, mas não obteve resposta, mantendo um silêncio em torno das graves alegações de abusos sexuais.

Por outro lado, uma gerente de uma das propriedades caribenhas do cantor classificou as alegações como “absurdas”, defendendo o artista. Amigos próximos a Iglesias também vieram a público para contestar as denúncias.

O escritor Jaime Peñafiel, amigo de longa data, rotulou as acusações como “mentiras absolutas”. Da mesma forma, o jornalista Miguel Ángel Pastor, também próximo ao cantor, afirmou nunca ter tido “qualquer indício” de que Iglesias tivesse cometido tais atos. Essas declarações mostram uma divisão de opiniões e um forte apoio ao cantor por parte de seu círculo.

No entanto, a presidente da Comunidade de Madri, a conservadora Isabel Díaz Ayuso, expressou apoio a Julio Iglesias em uma rede social. Ela declarou: “A Comunidade de Madri não contribuirá para a difamação de artistas e, menos ainda, para a daquele que é o mais universal dos cantores: Julio Iglesias”.

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