EUA Lançam Segunda Fase do Plano para Estabilizar Gaza
Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira (14) o lançamento da segunda fase do seu ambicioso **plano de cessar-fogo em Gaza**. A iniciativa visa uma paz duradoura na Faixa de Gaza, um território que enfrenta desafios humanitários e de segurança sem precedentes.
Apesar do avanço, a primeira fase do plano enfrentou obstáculos significativos. Elementos cruciais, como o fim completo da troca de ataques entre Israel e o Hamas, ainda não foram plenamente cumpridos, conforme apontado por fontes próximas às negociações.
Essa nova etapa traz consigo desafios ainda mais complexos, incluindo o desarmamento do Hamas e a possível formação de uma força internacional de paz para Gaza, conforme informação divulgada pelos mediadores Egito, Catar e Turquia.
Uma Nova Estrutura de Governança para Gaza
Steve Witkoff, enviado especial do presidente Donald Trump, detalhou que esta segunda fase “estabelece uma administração palestina tecnocrata de transição em Gaza”. Este novo órgão terá como objetivo principal iniciar os processos de desarmamento e reconstrução da região.
O corpo palestino será composto por 15 integrantes e será liderado por Ali Shaath, ex-vice-ministro da Autoridade Palestina. Shaath era anteriormente responsável pelo desenvolvimento de zonas industriais, trazendo uma perspectiva de gestão e desenvolvimento para a nova administração.
Além disso, o **plano de cessar-fogo em Gaza** prevê que este órgão tecnocrático palestino seja supervisionado por um “Conselho de Paz” internacional. Este conselho terá a responsabilidade de governar Gaza durante um período de transição crucial para a estabilidade da região.
Entre os integrantes indicados para o Conselho de Paz por Nickolay Mladenov, ex-enviado da ONU para o Oriente Médio, estão figuras do setor privado e de ONGs. Um novo anúncio relacionado a este conselho é esperado em Davos na próxima semana, segundo um diplomata europeu.
O Desafio da Reconstrução: Ilhas Artificiais e Longo Prazo
Ali Shaath, o futuro líder do comitê, afirmou em entrevista que o foco inicial será em fornecer ajuda urgente para Gaza. Isso inclui a crucial tarefa de prover moradia para os palestinos deslocados, que perderam suas casas nos recentes conflitos.
Shaath apresentou uma visão ambiciosa para a reconstrução. “Se eu trouxer tratores e empurrar os escombros para o mar, criando novas ilhas e novas terras, posso conquistar novas terras para Gaza e, ao mesmo tempo, remover os escombros. Isso não levará mais de três anos”, pontuou à uma estação de rádio da Cisjordânia.
Contudo, a magnitude da destruição é imensa. Um relatório da ONU de 2024 indicou que a reconstrução das casas destruídas em Gaza deve durar, no mínimo, até 2040. Há a possibilidade de que este processo se arraste por muitas décadas, evidenciando a escala do desafio.
A Complexa Missão de Desarmar o Hamas
Witkoff ressaltou que a segunda fase do plano de Trump também dará início à “desmilitarização e reconstrução completas de Gaza, principalmente o desarmamento de todo o pessoal não autorizado”. Este é um ponto central e extremamente sensível do **plano de cessar-fogo em Gaza**.
O Hamas, que atualmente se recusa a depor suas armas, havia concordado em outubro em entregar a governança ao comitê tecnocrático. No entanto, a forma como o grupo será desarmado, conforme exigido pelo plano, ainda não está clara, especialmente após seu reagrupamento desde o início do frágil cessar-fogo em outubro.
Negociações e Condições para a Paz Duradoura
Líderes do Hamas e de outras facções palestinas estão atualmente no Cairo para negociações cruciais sobre a segunda fase do plano. Nesses encontros, integrantes do comitê tecnocrático palestino devem se reunir com Mladenov para discutir os próximos passos.
Fontes egípcias indicaram que as negociações com o Hamas agora se concentrarão intensamente no desarmamento do grupo. Esta é uma condição fundamental para a retirada de mais tropas de Israel de dentro de Gaza.
Porém, o Hamas tem uma condição clara: só entregará suas armas quando houver um Estado palestino estabelecido. As autoridades israelenses não responderam imediatamente a pedidos de comentário sobre os desdobramentos recentes, mantendo a complexidade e a incerteza sobre o futuro do **plano de cessar-fogo em Gaza**.