Os Estados Unidos devem se retirar oficialmente da Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta quinta-feira, dia 22. A decisão, que já vinha sendo discutida há tempos, ocorre em meio a alertas globais sobre os impactos negativos que essa saída pode trazer tanto para a saúde americana quanto para a cooperação internacional em saúde.

Especialistas e líderes globais expressam preocupação com a medida, que ainda levanta questionamentos sobre a legalidade da ação, visto que a lei americana exige que Washington pague à agência de saúde da ONU um valor de US$ 260 milhões em taxas devidas antes de se desligar.

A saída dos EUA da OMS é vista como um golpe para a organização, que agora enfrenta uma crise orçamentária e desafios para manter suas operações. As informações foram divulgadas por fontes ligadas ao Departamento de Estado americano e à própria OMS.

A Controversa Decisão de Washington

A decisão de retirar os EUA da OMS foi impulsionada por alegações de que a organização falhou em conter, gerenciar e compartilhar informações sobre crises de saúde, o que, segundo o governo americano, teria custado trilhões de dólares ao país. O presidente Donald Trump exerceu sua autoridade para suspender a transferência futura de quaisquer fundos, apoio ou recursos do governo americano para a OMS.

Um porta-voz do Departamento de Estado americano afirmou que o povo americano já pagou mais do que o suficiente a esta organização e que este impacto econômico é muito maior do que um pagamento inicial de quaisquer obrigações financeiras para com a organização. Essa declaração reflete a justificativa do governo para a interrupção do financiamento e a efetivação da retirada.

Desafios Legais e Financeiros da Saída Americana

A lei americana estabelece que o país precisa notificar a OMS com um ano de antecedência sobre sua intenção de saída e, crucialmente, pagar todas as taxas pendentes antes de deixar a organização. No entanto, a OMS informou que os EUA ainda não quitaram as taxas devidas referentes aos anos de 2024 e 2025.

Lawrence Gostin, diretor fundador do Instituto O’Neill de Direito da Saúde Global da Universidade de Georgetown, em Washington, e observador atento da OMS, classificou a situação como uma clara violação da lei americana. Apesar disso, Gostin acrescentou que é muito provável que Trump saia impune, indicando a complexidade política da situação.

O Impacto Profundo na Organização Mundial da Saúde e Saúde Global

Para a OMS, a saída dos EUA desencadeou uma severa crise orçamentária. Washington tem sido tradicionalmente o maior financiador da agência de saúde da ONU, contribuindo com cerca de 18% de seu financiamento total. Essa perda massiva de recursos já resultou na redução de sua equipe de gestão pela metade e na diminuição de suas atividades, com cortes orçamentários em toda a agência.

A agência também planeja reduzir seu quadro de funcionários em cerca de um quarto até meados deste ano, demonstrando a gravidade da situação. Especialistas em saúde global alertam que essa retirada representa riscos significativos para os EUA, a OMS e o mundo.

Kelly Henning, líder do programa de saúde pública da Bloomberg Philanthropies, uma organização sem fins lucrativos com sede nos EUA, ressaltou que a saída dos EUA da OMS pode enfraquecer os sistemas e as colaborações dos quais o mundo depende para detectar, prevenir e responder a ameaças à saúde. A colaboração entre os EUA e a OMS, que ocorreu ao longo do último ano, agora se torna incerta.

Um Retorno Improvável no Curto Prazo, Segundo Especialistas

Ao longo do último ano, muitos especialistas em saúde global têm instado a uma reconsideração da decisão. O Diretor-Geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, manifestou sua esperança, afirmando: Espero que os EUA reconsiderem e voltem a integrar a OMS, e acrescentou que a saída da OMS é uma perda para os Estados Unidos e para o resto do mundo.

No entanto, as expectativas de um retorno rápido são baixas. Em entrevista, Bill Gates, presidente da Fundação Gates, uma das principais financiadoras de iniciativas globais de saúde, afirmou: Não acredito que os EUA retornarão à OMS em um futuro próximo. Ele enfatizou a importância da organização, declarando: O mundo precisa da Organização Mundial da Saúde, o que sublinha a gravidade da ausência americana no cenário da saúde global.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você também pode gostar

Petróleo despenca mais de 4% e quebra sequência de alta: Acalmam-se tensões no Irã e negociações globais redefinem o futuro dos preços

“`json { “title”: “Petróleo despenca mais de 4% e quebra sequência de…

Crise no Irã: Marco Rubio e EUA Declaram Apoio a Manifestantes em Meio a Protestos e Ameaças de Pena de Morte

O Irã tem sido palco de intensos protestos antigovernamentais nos primeiros dias…

O Alarme de Washington: Pilotos dos EUA Perseguiram Ovnis em 1952 e o Mistério Persiste Mais de 70 Anos Depois

A noite era quente e úmida sobre a Base Aérea de New…

Trump Descartou Uso da Força na Groenlândia e Exige Negociações Urgentes para Aquisição do Território Estratégico

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, trouxe novamente à tona sua…