EUA e Irã: Ataque Aéreo é Altamente Provável, Diz Eurasia Group
A tensão no Oriente Médio atinge um novo patamar com a recente avaliação do Eurasia Group, que indica uma significativa probabilidade de os Estados Unidos realizarem ataques aéreos contra alvos militares no Irã. Essa projeção acende um alerta global sobre os próximos passos na já delicada relação entre as duas potências.
A análise da consultoria sugere que, embora Washington enfrente desafios e limitações semelhantes aos observados em outras crises, a via aérea permanece como uma opção prioritária. O cenário desenha um possível agravamento da instabilidade regional, com repercussões que podem ser sentidas em diversas partes do mundo.
Christopher Garman, diretor-executivo da consultoria, compartilhou essa avaliação durante uma entrevista ao WW, conforme informações divulgadas pelo Eurasia Group.
Ameaça de Ataques Aéreos Cresce
Segundo Christopher Garman, o governo americano está ativamente analisando diversas opções militares contra o Irã. Contudo, há uma clara resistência da atual Casa Branca em envolver tropas em solo, um fator que molda a estratégia a ser adotada. Essa aversão a um conflito terrestre é um ponto crucial na decisão sobre como proceder.
Garman explicou que o próprio presidente demonstra relutância em se engajar ativamente em operações militares que possam implicar o uso de forças armadas americanas no terreno. Essa postura limita as opções, mas não elimina a possibilidade de ação militar.
Apesar dessa resistência ao envolvimento terrestre, a consultoria considera que ataques aéreos contra instalações militares e forças de segurança dentro do território iraniano são muito prováveis. “A gente coloca uma probabilidade de 80% que isso possa ocorrer”, afirmou Garman, destacando a seriedade da projeção para um possível ataque aéreo.
Limitações e Resistência a Tropas em Solo
A estratégia americana, embora considere um ataque aéreo, esbarra na falta de vontade de Washington em iniciar uma nova guerra prolongada com envolvimento de tropas terrestres. Essa cautela reflete o aprendizado de conflitos passados, onde o custo humano e financeiro de operações em solo se mostrou extremamente elevado.
A preferência por ações remotas, como um ataque aéreo, minimiza o risco direto para os militares americanos e busca alcançar objetivos estratégicos sem o ônus de uma ocupação ou confronto direto em terra. Essa abordagem, porém, não garante a ausência de escalada ou retaliação por parte do Irã.
Ainda assim, a relutância em usar tropas no chão é um fator determinante. Ela direciona a Casa Branca para alternativas que, embora impactantes, buscam evitar um engajamento militar profundo e de longo prazo, mantendo a possibilidade de um ataque aéreo como principal ferramenta de pressão.
Sanções Econômicas e Pressão Internacional
Além da possibilidade de um ataque aéreo, o diretor do Eurasia Group ressaltou que a Casa Branca deve impor sanções econômicas mais severas contra o Irã. Recentemente, foi anunciado um plano para aplicar uma tarifa de 25% sobre países que mantêm negócios com o regime iraniano, visando intensificar a pressão econômica.
Essa medida busca asfixiar financeiramente o Irã, limitando sua capacidade de financiar programas militares e apoiar grupos regionais. A intenção é gerar instabilidade interna no regime, forçando-o a reconsiderar suas políticas e ações.
A estratégia americana parece espelhar o modelo utilizado nas sanções contra a Rússia, aplicadas seletivamente de acordo com interesses estratégicos. Garman concluiu que “A Casa Branca está claramente agindo oportunamente para tentar gerar mais instabilidade no regime”.
O Desafio Chinês e a Instabilidade Regional
A implementação dessas tarifas, no entanto, deve ser seletiva, especialmente no caso da China. Garman observou que “O maior complicador é a China, porque colocar uma tarifa de 25% sobre o país é muito difícil no contexto em que os dois países estão negociando uma redução das tarifas”.
A complexidade da relação com a China, um dos maiores parceiros comerciais do Irã, impõe um desafio significativo à eficácia das sanções. Washington precisa equilibrar a pressão sobre Teerã com seus próprios interesses comerciais e diplomáticos com Pequim.
Apesar de todas as medidas, Garman ressaltou que, sem o uso de tropas terrestres, é improvável que essas ações, incluindo um possível ataque aéreo, provoquem a queda do regime iraniano. A estratégia visa gerar instabilidade e pressão, mas a mudança de regime por esses meios é considerada pouco provável.