O mundo do esporte e do crime se entrelaça novamente com a notícia da prisão de Ryan Wedding, um ex-atleta olímpico canadense que competiu no snowboard e, posteriormente, se tornou um dos criminosos mais procurados pelo FBI, a polícia federal americana. Sua captura encerra uma longa caçada que mobilizou autoridades de diversos países.
Wedding, que já esteve no top 10 da lista de fugitivos mais procurados do FBI, era investigado por crimes graves, incluindo tráfico de drogas em larga escala e homicídio. Sua trajetória, que o levou das pistas de neve para a associação com um dos cartéis de drogas mais temidos do mundo, choca pela guinada inesperada.
A prisão do ex-atleta olímpico foi anunciada nesta sexta-feira (23) pelo governo dos Estados Unidos, que confirmou a detenção no México. A operação de captura de Ryan Wedding é resultado de uma intensa cooperação internacional, conforme informações divulgadas pelo diretor do FBI, Kash Patel.
O Caçador de Recompensas: A Busca pelo Ex-Atleta Olímpico
A busca por Ryan Wedding intensificou-se consideravelmente nos últimos tempos. Em novembro do ano passado, o governo dos Estados Unidos elevou a recompensa por informações que levassem à sua captura, passando de US$ 10 milhões para impressionantes US$ 15 milhões, um indicativo da gravidade dos crimes atribuídos ao ex-atleta olímpico.
De acordo com a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, Wedding era considerado o principal distribuidor de cocaína no Canadá. Ele colaborava estreitamente com o temido Cartel de Sinaloa, sendo responsabilizado pelo tráfico de aproximadamente 60 toneladas de cocaína colombiana para Los Angeles, utilizando caminhões vindos do México.
O diretor do FBI, Kash Patel, celebrou a prisão em uma postagem na plataforma X, destacando a importância da colaboração. “Esta operação foi resultado de uma enorme cooperação e trabalho em equipe com o governo do México”, afirmou Patel, ressaltando o sucesso da parceria entre as nações.
De Pistas de Neve ao Crime: A Trajetória de Ryan Wedding
Ryan Wedding, hoje com 44 anos, teve um início de carreira promissor no esporte. Ele representou o Canadá nos Jogos Olímpicos de Inverno de Salt Lake City, em 2002, na modalidade de snowboard. Contudo, seu desempenho foi modesto, alcançando apenas o 24º lugar, e após a competição, ele abandonou o esporte de alto rendimento.
A transição para o mundo do crime começou discretamente. Em 2004, Wedding deixou os estudos universitários e se aventurou no mercado imobiliário. Contudo, ele financiava seus investimentos de maneira ilícita, cultivando maconha.
Em 2006, uma propriedade onde ele produzia a droga foi alvo de uma operação da Polícia Real Montada do Canadá (RCMP), equivalente à Polícia Federal no Brasil. No entanto, Ryan Wedding não estava no local no momento da ação e não foi indiciado por falta de provas, o que permitiu sua escalada em atividades criminosas ainda mais graves.
A Escalada no Mundo do Crime: A Conexão com o Cartel de Sinaloa
Após escapar da prisão em 2006, o ex-atleta olímpico mergulhou de vez no tráfico de cocaína. Essa atividade o levou a ser condenado pela Justiça dos Estados Unidos a quatro anos de prisão em 2010 por tráfico de drogas, marcando um ponto de virada em sua vida.
Após cumprir parte da pena e ser deportado para o Canadá em 2011, Wedding, segundo as autoridades americanas, tornou-se um criminoso ainda mais perigoso. Foi nesse período que ele se associou ao poderoso Cartel de Sinaloa, uma das maiores organizações de tráfico de drogas do mundo.
Sua atuação no cartel lhe rendeu diversos apelidos, como “El Jefe”, “Gigante” e “Inimigo Público”. Além do tráfico em si, Ryan Wedding é acusado de chefiar uma organização criminosa, conspiração para distribuir cocaína e, alarmantemente, de vários assassinatos, o que o colocou no radar das maiores agências de segurança global.
A Importância da Cooperação Internacional na Captura de Fugitivos
A prisão de Ryan Wedding é um exemplo contundente da eficácia da cooperação internacional no combate ao crime organizado. O diretor do FBI, Kash Patel, enfatizou que esta é a sexta captura de um fugitivo da lista dos dez mais procurados em apenas um ano, somando quase 40 anos de fuga desses criminosos.
Patel atribuiu o sucesso a uma mudança de postura: “Isso não é por acaso. O presidente [Donald] Trump está permitindo que bons policiais façam seu trabalho e os resultados falam por si”, disse ele, destacando o empenho das forças policiais e a colaboração entre os governos no enfrentamento de criminosos de alto perfil como o ex-atleta olímpico, que agora enfrentará a justiça pelas graves acusações de tráfico de drogas e homicídio.