Uma reportagem bombástica publicada neste domingo (4) pelo jornal americano The Washington Post trouxe à tona detalhes surpreendentes sobre a postura do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação à crise venezuelana e à principal líder da oposição, María Corina Machado.
Segundo a publicação, Trump teria deliberadamente deixado a política venezuelana de lado após a captura do ditador Nicolás Maduro, uma decisão que, para muitos, parecia inexplicável. O motivo por trás dessa atitude, contudo, é ainda mais inesperado e pessoal.
A reportagem aponta que a razão para o afastamento de Trump seria a aceitação do prestigioso Prêmio Nobel da Paz por María Corina Machado, um reconhecimento que o próprio ex-presidente americano esperava receber. As informações são de pessoas próximas à Casa Branca, conforme divulgado pelo The Washington Post.
O ‘Pecado Imperdoável’ do Nobel da Paz
María Corina Machado foi agraciada com o Prêmio Nobel da Paz no ano passado, em reconhecimento à sua incansável luta pela democracia na Venezuela. Contudo, essa honraria, que deveria ser um ponto a seu favor, transformou-se em um obstáculo inesperado nas negociações com os Estados Unidos.
Donald Trump, conhecido por seu apreço por reconhecimentos, esperava que sua intermediação em diversos conflitos globais o levasse a conquistar o mesmo prêmio. A aceitação do Nobel por María Corina, portanto, teria sido vista como uma afronta pessoal, um “pecado imperdoável” aos olhos do ex-presidente americano.
Uma das fontes consultadas pelo The Washington Post, próxima à Casa Branca, expressou a gravidade da situação com uma declaração contundente. “Se ela tivesse recusado [o prêmio] e dito: ‘Não posso aceitar porque é do Donald Trump’, ela seria a presidente da Venezuela hoje”, afirmou a fonte, sublinhando a importância da recusa do Nobel da Paz.
Embora María Corina tenha dedicado o prêmio a Trump, o gesto não foi suficiente para reverter a percepção do ex-presidente. A Casa Branca, por sua vez, ainda não se pronunciou oficialmente sobre as revelações da reportagem.
A Visão de Trump sobre a Liderança de María Corina
As revelações do Washington Post trazem um novo contexto às declarações anteriores de Donald Trump. Após a captura de Nicolás Maduro, o ex-presidente americano havia expressado publicamente suas dúvidas sobre a capacidade de María Corina Machado de liderar a Venezuela.
Na ocasião, Trump alegou que seria “muito difícil” para a oposicionista “ser a líder” do país. Ele justificou sua posição afirmando que María Corina “não tem o apoio nem o respeito [necessários] dentro do país”, o que dificultaria sua ascensão ao poder em um cenário pós-Maduro.
Plano de Transição Alternativo dos EUA e o Papel de Delcy Rodríguez
Diante do aparente desinteresse em apoiar María Corina Machado, os Estados Unidos parecem ter traçado um caminho alternativo para a transição na Venezuela. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, deu pistas sobre essa estratégia em uma entrevista à emissora CBS.
Rubio sugeriu que os EUA estariam dispostos a conduzir um processo de transição na Venezuela por meio de negociações com a ditadora interina Delcy Rodríguez, que ocupava o cargo de vice de Maduro. Essa abordagem contrasta fortemente com a postura em relação à líder opositora.
O secretário de Estado explicou a “diferença” entre os dois chavistas, afirmando que o ditador deposto, Nicolás Maduro, era alguém com quem os Estados Unidos não conseguiam “trabalhar”. “Ele nunca cumpriu nenhum dos acordos que fez”, justificou Rubio, indicando uma possível abertura para Delcy Rodríguez na busca por uma solução para a Venezuela.