Uma trama envolvendo figuras do mercado financeiro, investigações policiais e propriedades ligadas a nomes influentes vem à tona. No centro dessa história, um executivo cuja trajetória se cruza com suspeitas de envolvimento com uma das maiores facções criminosas do país: o PCC.

Este profissional atuou em uma negociação imobiliária de vulto, representando um fundo de investimento na aquisição de parte de um luxuoso resort. O detalhe que chama atenção é a anterior propriedade do empreendimento, que pertencia à família de um ministro do Supremo Tribunal Federal.

As informações, divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, revelam como Silvano Gersztel, então sócio da gestora de ativos Reag e investigado por ligação com o PCC, esteve diretamente envolvido na compra de uma parcela do resort Tayayá, que já foi da família Toffoli.

O Papel de Silvano Gersztel na Negociação do Resort

Silvano Gersztel, à época sócio e executivo da Reag, uma gestora de ativos, foi o representante de um fundo da empresa na compra de uma parcela do resort Tayayá, localizado no Paraná. O empresário, é importante ressaltar, encontra-se sob investigação por suposta ligação com a facção criminosa PCC.

A intermediação de Gersztel foi crucial na aquisição do resort. Segundo apuração do jornal O Estado de S. Paulo, ele foi sócio da Reag por nove anos, tendo renunciado ao cargo em meio às investigações que culminaram na liquidação da companhia.

A conexão de Gersztel com o negócio se deu por intermédio de Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro. Zettel era cotista de fundos de investimento administrados pela Reag, que destinaram R$ 20 milhões para a aquisição do empreendimento turístico.

A Conexão com a Família do Ministro Toffoli

Em 2021, o fundo representado por Gersztel adquiriu 50% da participação avaliada em R$ 6,6 milhões. Os vendedores dessa fatia eram José Eugenio e José Carlos Dias Toffoli, irmãos do ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli.

A compra de parte do resort da família Toffoli por um fundo ligado a um executivo sob investigação por elos com o PCC adiciona uma camada de complexidade ao caso. A Reag, por sua vez, sempre negou qualquer participação em atividades criminosas.

As Investigações e a Operação Carbono Oculto

Silvano Gersztel foi alvo de busca e apreensão durante a Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal (PF). Esta operação investigou a Reag por um suposto envolvimento em um esquema de combustíveis que beneficiaria o PCC.

As apurações buscam esclarecer a extensão do suposto envolvimento de Gersztel e da gestora de ativos com a facção. A liquidação da Reag ocorreu em meio ao aprofundamento dessas investigações que ligam a empresa e seus executivos a atividades ilícitas.

As Reações e Esclarecimentos dos Envolvidos

O Estadão informou não ter conseguido localizar Silvano Gersztel para que ele pudesse comentar sobre o assunto. O ministro Dias Toffoli e seus irmãos também não se manifestaram publicamente sobre o caso até o momento.

Nesta semana, Fabiano Zettel confirmou sua condição de cotista do fundo durante a aquisição do resort, mas afirmou ter se desfeito do investimento em 2022. Ele também mencionou que o fundo foi liquidado em 2025.

Já a defesa de Daniel Vorcaro declarou que ele “não tem, nem nunca teve, informação ou participação em negócios relacionados ao resort ou a quaisquer outros investimentos realizados por esses veículos”. A situação segue em apuração pelas autoridades competentes.

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