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“subtitle”: “Do ‘Microslop’ à busca por um estilo de vida analógico, a crescente rejeição à IA generativa e ao conteúdo de baixa qualidade transformam o cenário tecnológico e desafiam gigantes do setor.”,
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A Ascensão da Fadiga de IA: Quando o Excesso Gera Rejeição

A onipresença da inteligência artificial (IA) no cotidiano digital tem gerado um fenômeno cada vez mais perceptível: a fadiga de IA. Este termo descreve o incômodo crescente dos usuários com a saturação de ferramentas de IA e, consequentemente, com a proliferação de conteúdos de baixa qualidade gerados por essa tecnologia. Longe de ser um mero aborrecimento passageiro, a fadiga de IA sinaliza um esgotamento real, impactando desde a escolha de produtos tecnológicos até o bem-estar mental das pessoas, conforme informações do portal Express.

O epicentro desse descontentamento frequentemente reside na inteligência artificial generativa, aquela capaz de criar textos, imagens ou vídeos a partir de dados e instruções. Ferramentas como ChatGPT e Gemini exemplificam essa capacidade, mas a acessibilidade técnica da IA generativa levou à sua integração massiva em editores de texto, serviços de mensagens, ambientes de programação e redes sociais, muitas vezes sem que os usuários sequer desejassem.

Esse cenário é agravado pelo que se convencionou chamar de “AI slop”, uma onda de conteúdo produzido com auxílio da inteligência artificial que se destaca pela qualidade questionável. Desde memes feitos para viralizar até textos lapidados para impacto no LinkedIn ou vídeos falsos para constranger celebridades, a baixa qualidade e a falta de originalidade desses materiais contribuem diretamente para a exaustão digital, reforçando a sensação de falta de controle e sobrecarga informacional.

O Protesto Digital: O Fenômeno ‘Microslop’ Contra a Microsoft

Um dos momentos mais emblemáticos da fadiga de IA surgiu em protesto direto contra a Microsoft. No final de 2025, Satya Nadella, CEO da empresa, publicou um texto em seu blog pedindo que as pessoas parassem de ver o conteúdo produzido por IA como “slop”, termo que pode ser traduzido como “lixo”. A resposta pública foi imediata e irônica: a criação da palavra “Microslop”, um trocadilho que viralizou nas redes sociais.

Esse movimento de rejeição não foi apenas uma brincadeira, mas uma manifestação de irritação dos usuários com a estratégia da Microsoft de “inchar” seus produtos com recursos de IA considerados pouco relevantes. O Windows 11, por exemplo, tem sido alvo de críticas pela adição de funcionalidades baseadas em IA que muitos consideram desnecessárias, como a capacidade de criar livros de colorir no Paint. A reação mostra que a integração de IA, quando percebida como forçada ou sem valor agregado claro, pode gerar uma forte resistência.

O episódio do “Microslop” ilustra como a percepção de utilidade e a qualidade da implementação da IA são cruciais para a aceitação do público. Quando a tecnologia é vista como um excesso que compromete a experiência do usuário, em vez de aprimorá-la, a rejeição se torna um movimento coletivo, capaz de impactar a reputação de grandes corporações.

AI PCs: A Promessa Não Cumprida e o Ceticismo do Consumidor

A indústria de tecnologia tem investido pesado na promoção dos chamados AI PCs, computadores equipados com hardware específico para executar tarefas de IA localmente. No entanto, o interesse dos consumidores por essas máquinas, que geralmente são mais caras, tem sido notavelmente baixo. Este é outro forte indicativo da fadiga de IA e do ceticismo do público em relação aos benefícios tangíveis da tecnologia.

Em um ato de franqueza incomum para o setor, a própria Dell admitiu no início de 2026 que a IA ainda não entregou o prometido em PCs. Jeff Clarke, vice-presidente e COO da companhia, declarou que “a promessa não cumprida da IA e a expectativa de que a IA irá aumentar a demanda por parte dos consumidores finais” foram aspectos desafiadores para o setor em 2025 e continuarão sendo em 2026. Essa declaração reflete uma realidade de mercado onde a inovação, por si só, não é suficiente para impulsionar a demanda se não houver um valor claro e percebido pelo usuário final.

A baixa adesão aos AI PCs sugere que, para muitos, as funcionalidades de IA oferecidas nesses dispositivos ainda não justificam o investimento adicional. O público parece estar avaliando com mais critério a real necessidade de ter processamento de IA em seu hardware, em vez de se render ao entusiasmo da indústria. Isso representa um desafio significativo para fabricantes que apostam na IA como o próximo grande diferencial do mercado de computadores.

Em Busca do Equilíbrio: O Crescente Apelo por um Estilo de Vida Analógico

A fadiga de IA e a saturação tecnológica em geral têm impulsionado um movimento crescente em direção a um estilo de vida mais analógico. Como reação à “invasão” da IA em celulares, PCs, TVs, painéis de carro, geladeiras e alto-falantes, muitas pessoas buscam uma desconexão digital e a redescoberta de atividades que não dependem de dispositivos inteligentes ou da constante interação com algoritmos.

Na prática, isso se manifesta de diversas formas. Há quem opte por fazer exercícios físicos sem dispositivos vestíveis por perto, preferindo sentir o próprio corpo e o ambiente. Outros redescobrem o prazer de ler revistas ou livros físicos, em papel, longe das telas. A busca por hobbies manuais, como tricô, artesanato ou jardinagem, também ganha força, oferecendo uma pausa das interações digitais. Até mesmo a fotografia, com o retorno das câmeras analógicas e seus filmes, reflete esse desejo de uma experiência mais tangível e menos mediada pela tecnologia.

Esse movimento não é apenas uma nostalgia, mas uma resposta consciente ao excesso de informação e à pressão constante por conectividade. Ele representa uma tentativa de retomar o controle sobre o próprio tempo e atenção, valorizando experiências autênticas e a interação humana em detrimento da dependência tecnológica. A inteligência artificial, ao se tornar ubíqua, acaba por catalisar essa busca por um refúgio analógico, onde a simplicidade e a tangibilidade são valorizadas.

A Voz do Usuário: DuckDuckGo e a Preferência por Buscas Tradicionais

A DuckDuckGo, conhecida por seu mecanismo de busca focado na privacidade, revelou um dado contundente sobre a preferência dos usuários em relação à IA nas buscas. Em uma enquete online realizada entre 19 e 26 de janeiro, a empresa perguntou se os usuários preferiam buscas na web auxiliadas por IA ou buscas tradicionais, sem a intervenção da IA generativa. O resultado foi revelador: mais de 175.000 pessoas participaram, e 90% delas declararam preferir as buscas tradicionais.

Essa pesquisa é um sinal claro de que uma grande parcela dos usuários não está entusiasmada com o “Modo IA” de buscas, presente em plataformas como o Google. Embora a IA generativa possa oferecer resumos e respostas diretas, muitos usuários parecem valorizar a capacidade de navegar pelos resultados originais, analisar múltiplas fontes e formar suas próprias conclusões, em vez de depender de uma resposta sintetizada por um algoritmo.

A preferência esmagadora por buscas sem IA sugere que a promessa de uma experiência de busca mais eficiente e inteligente, impulsionada pela IA, ainda não convenceu a maioria. Para muitos, a integridade da informação e a autonomia na pesquisa superam a conveniência de resumos gerados automaticamente. Esse dado representa um desafio direto para as empresas que investem pesadamente na integração da IA em seus motores de busca, indicando a necessidade de repensar a abordagem para atender às expectativas e necessidades reais dos usuários.

Ferramentas ‘Anti-IA’: A Resposta do Mercado à Saturação Tecnológica

À medida que a fadiga de IA se intensifica, surge um novo nicho de mercado: ferramentas projetadas para afastar os usuários da inteligência artificial. Inicialmente de forma sutil, como a própria DuckDuckGo oferecendo uma versão de seu buscador com e outra sem recursos de IA, essas soluções estão se tornando cada vez mais diretas e eficazes em sua proposta de controle.

Existem agora ferramentas “anti-IA” que permitem aos usuários remover ou ocultar funcionalidades de IA de seus sistemas e navegadores. O Just the Browser, por exemplo, é um script capaz de remover recursos de IA de navegadores populares como Chrome, Edge e Firefox. Para usuários do Windows 11, o RemoveWindowsAI é outro script de código aberto que se propõe a eliminar o Copilot, o Recall e outras funcionalidades baseadas em IA do sistema operacional. Essas ferramentas oferecem um caminho para aqueles que desejam despoluir sua experiência digital do excesso de IA não solicitada.

Além disso, extensões como Hide Gemini and Google AI, disponível para Chrome e Firefox, ocultam o Gemini e outros recursos de IA do Google no buscador, Gmail, Drive e demais serviços. Para os puristas do Google, o truque de adicionar o parâmetro “&udm=14” ao endereço da busca, ou usar o site udm14 para automatizar, permite retornar à versão “antiga” do buscador, sem resultados incrementados por IA. A proliferação dessas soluções demonstra uma demanda clara por parte dos usuários em ter a autonomia para decidir o quanto de IA desejam em seu dia a dia, evidenciando que a inteligência artificial, quando imposta, pode gerar resistência em vez de aceitação.

O Impacto Profundo da Fadiga de IA: Além do Aborrecimento

O fenômeno da fadiga de IA transcende o mero aborrecimento com tecnologias intrusivas. Há indícios crescentes de que ele tem um impacto mais profundo na vida das pessoas, tanto no âmbito profissional quanto no pessoal. A pressão para dominar e integrar constantemente novas ferramentas de inteligência artificial no ambiente de trabalho, por exemplo, tem levado muitos profissionais a se sentirem sobrecarregados e estressados. A expectativa de que a IA aumente a produtividade pode, paradoxalmente, gerar mais ansiedade e exaustão.

Em um contexto mais amplo, o excesso de informação propiciado pelas IAs generativas também contribui para um aumento nos níveis de estresse e depressão. A constante exposição a conteúdos gerados automaticamente, a dificuldade em discernir a veracidade das informações e a sensação de estar sempre “ligado” em um fluxo interminável de dados podem ser mentalmente exaustivas. A inteligência artificial, que prometia simplificar a vida, em muitos casos, adiciona camadas de complexidade e pressão.

Este impacto psicológico e profissional da fadiga de IA é um alerta para a indústria e para a sociedade. Ele sugere que a corrida pela inovação e pela integração da IA deve ser acompanhada de uma reflexão sobre seus efeitos no bem-estar humano. A usabilidade, a relevância e o controle do usuário sobre a tecnologia tornam-se fatores cruciais para evitar que uma ferramenta com potencial transformador se torne uma fonte de esgotamento coletivo.

O Futuro da Inteligência Artificial: Uma Bolha a Estourar ou um Ajuste de Rota?

Diante desses múltiplos sinais de rejeição e fadiga de IA, a grande questão que se impõe é sobre o futuro da inteligência artificial. É cedo para determinar se esses movimentos representam os primeiros indícios de uma bolha tecnológica prestes a estourar ou se, ao menos, forçarão os grandes nomes do setor a repensarem suas estratégias e tirarem o pé do acelerador na integração massiva e, por vezes, desnecessária da IA.

Embora seja improvável que as gigantes da tecnologia abandonem o desenvolvimento da IA, os protestos e a baixa adesão a certas inovações são poderosos indicadores do sentimento do consumidor. Eles podem levar a um ajuste de rota, priorizando a qualidade sobre a quantidade, a utilidade real sobre a mera novidade e, fundamentalmente, o controle do usuário sobre a intromissão da tecnologia.

O que está claro é que a fadiga de IA é muito mais do que um mero aborrecimento; é um fenômeno com consequências sociais, psicológicas e mercadológicas significativas. A forma como a indústria responderá a esse cansaço generalizado definirá a próxima fase da interação humana com a inteligência artificial. Com o perdão do trocadilho, AI de nós, se não houver uma reflexão profunda sobre o equilíbrio entre inovação e bem-estar humano.


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A onipresença da inteligência artificial (IA) no cotidiano digital tem gerado um fenômeno cada vez mais perceptível: a fadiga de IA. Este termo descreve o incômodo crescente dos usuários com a saturação de ferramentas de IA e, consequentemente, com a proliferação de conteúdos de baixa qualidade gerados por essa tecnologia. Longe de ser um mero aborrecimento passageiro, a fadiga de IA sinaliza um esgotamento real, impactando desde a escolha de produtos tecnológicos até o bem-estar mental das pessoas, conforme informações do portal Express.

O epicentro desse descontentamento frequentemente reside na inteligência artificial generativa, aquela capaz de criar textos, imagens ou vídeos a partir de dados e instruções. Ferramentas como ChatGPT e Gemini exemplificam essa capacidade, mas a acessibilidade técnica da IA generativa levou à sua integração massiva em editores de texto, serviços de mensagens, ambientes de programação e redes sociais, muitas vezes sem que os usuários sequer desejassem.

Esse cenário é agravado pelo que se convencionou chamar de “AI slop”, uma onda de conteúdo produzido com auxílio da inteligência artificial que se destaca pela qualidade questionável. Desde memes feitos para viralizar até textos lapidados para impacto no LinkedIn ou vídeos falsos para constranger celebridades, a baixa qualidade e a falta de originalidade desses materiais contribuem diretamente para a exaustão digital, reforçando a sensação de falta de controle e sobrecarga informacional.

O Protesto Digital: O Fenômeno ‘Microslop’ Contra a Microsoft

Um dos momentos mais emblemáticos da fadiga de IA surgiu em protesto direto contra a Microsoft. No final de 2025, Satya Nadella, CEO da empresa, publicou um texto em seu blog pedindo que as pessoas parassem de ver o conteúdo produzido por IA como “slop”, termo que pode ser traduzido como “lixo”. A resposta pública foi imediata e irônica: a criação da palavra “Microslop”, um trocadilho que viralizou nas redes sociais.

Esse movimento de rejeição não foi apenas uma brincadeira, mas uma manifestação de irritação dos usuários com a estratégia da Microsoft de “inchar” seus produtos com recursos de IA considerados pouco relevantes. O Windows 11, por exemplo, tem sido alvo de críticas pela adição de funcionalidades baseadas em IA que muitos consideram desnecessárias, como a capacidade de criar livros de colorir no Paint. A reação mostra que a integração de IA, quando percebida como forçada ou sem valor agregado claro, pode gerar uma forte resistência.

O episódio do “Microslop” ilustra como a percepção de utilidade e a qualidade da implementação da IA são cruciais para a aceitação do público. Quando a tecnologia é vista como um excesso que compromete a experiência do usuário, em vez de aprimorá-la, a rejeição se torna um movimento coletivo, capaz de impactar a reputação de grandes corporações.

AI PCs: A Promessa Não Cumprida e o Ceticismo do Consumidor

A indústria de tecnologia tem investido pesado na promoção dos chamados AI PCs, computadores equipados com hardware específico para executar tarefas de IA localmente. No entanto, o interesse dos consumidores por essas máquinas, que geralmente são mais caras, tem sido notavelmente baixo. Este é outro forte indicativo da fadiga de IA e do ceticismo do público em relação aos benefícios tangíveis da tecnologia.

Em um ato de franqueza incomum para o setor, a própria Dell admitiu no início de 2026 que a IA ainda não entregou o prometido em PCs. Jeff Clarke, vice-presidente e COO da companhia, declarou que “a promessa não cumprida da IA e a expectativa de que a IA irá aumentar a demanda por parte dos consumidores finais” foram aspectos desafiadores para o setor em 2025 e continuarão sendo em 2026. Essa declaração reflete uma realidade de mercado onde a inovação, por si só, não é suficiente para impulsionar a demanda se não houver um valor claro e percebido pelo usuário final.

A baixa adesão aos AI PCs sugere que, para muitos, as funcionalidades de IA oferecidas nesses dispositivos ainda não justificam o investimento adicional. O público parece estar avaliando com mais critério a real necessidade de ter processamento de IA em seu hardware, em vez de se render ao entusiasmo da indústria. Isso representa um desafio significativo para fabricantes que apostam na IA como o próximo grande diferencial do mercado de computadores.

Em Busca do Equilíbrio: O Crescente Apelo por um Estilo de Vida Analógico

A fadiga de IA e a saturação tecnológica em geral têm impulsionado um movimento crescente em direção a um estilo de vida mais analógico. Como reação à “invasão” da IA em celulares, PCs, TVs, painéis de carro, geladeiras e alto-falantes, muitas pessoas buscam uma desconexão digital e a redescoberta de atividades que não dependem de dispositivos inteligentes ou da constante interação com algoritmos.

Na prática, isso se manifesta de diversas formas. Há quem opte por fazer exercícios físicos sem dispositivos vestíveis por perto, preferindo sentir o próprio corpo e o ambiente. Outros redescobrem o prazer de ler revistas ou livros físicos, em papel, longe das telas. A busca por hobbies manuais, como tricô, artesanato ou jardinagem, também ganha força, oferecendo uma pausa das interações digitais. Até mesmo a fotografia, com o retorno das câmeras analógicas e seus filmes, reflete esse desejo de uma experiência mais tangível e menos mediada pela tecnologia.

Esse movimento não é apenas uma nostalgia, mas uma resposta consciente ao excesso de informação e à pressão constante por conectividade. Ele representa uma tentativa de retomar o controle sobre o próprio tempo e atenção, valorizando experiências autênticas e a interação humana em detrimento da dependência tecnológica. A inteligência artificial, ao se tornar ubíqua, acaba por catalisar essa busca por um refúgio analógico, onde a simplicidade e a tangibilidade são valorizadas.

A Voz do Usuário: DuckDuckGo e a Preferência por Buscas Tradicionais

A DuckDuckGo, conhecida por seu mecanismo de busca focado na privacidade, revelou um dado contundente sobre a preferência dos usuários em relação à IA nas buscas. Em uma enquete online realizada entre 19 e 26 de janeiro, a empresa perguntou se os usuários preferiam buscas na web auxiliadas por IA ou buscas tradicionais, sem a intervenção da IA generativa. O resultado foi revelador: mais de 175.000 pessoas participaram, e 90% delas declararam preferir as buscas tradicionais.

Essa pesquisa é um sinal claro de que uma grande parcela dos usuários não está entusiasmada com o “Modo IA” de buscas, presente em plataformas como o Google. Embora a IA generativa possa oferecer resumos e respostas diretas, muitos usuários parecem valorizar a capacidade de navegar pelos resultados originais, analisar múltiplas fontes e formar suas próprias conclusões, em vez de depender de uma resposta sintetizada por um algoritmo.

A preferência esmagadora por buscas sem IA sugere que a promessa de uma experiência de busca mais eficiente e inteligente, impulsionada pela IA, ainda não convenceu a maioria. Para muitos, a integridade da informação e a autonomia na pesquisa superam a conveniência de resumos gerados automaticamente. Esse dado representa um desafio direto para as empresas que investem pesadamente na integração da IA em seus motores de busca, indicando a necessidade de repensar a abordagem para atender às expectativas e necessidades reais dos usuários.

Ferramentas ‘Anti-IA’: A Resposta do Mercado à Saturação Tecnológica

À medida que a fadiga de IA se intensifica, surge um novo nicho de mercado: ferramentas projetadas para afastar os usuários da inteligência artificial. Inicialmente de forma sutil, como a própria DuckDuckGo oferecendo uma versão de seu buscador com e outra sem recursos de IA, essas soluções estão se tornando cada vez mais diretas e eficazes em sua proposta de controle.

Existem agora ferramentas “anti-IA” que permitem aos usuários remover ou ocultar funcionalidades de IA de seus sistemas e navegadores. O Just the Browser, por exemplo, é um script capaz de remover recursos de IA de navegadores populares como Chrome, Edge e Firefox. Para usuários do Windows 11, o RemoveWindowsAI é outro script de código aberto que se propõe a eliminar o Copilot, o Recall e outras funcionalidades baseadas em IA do sistema operacional. Essas ferramentas oferecem um caminho para aqueles que desejam despoluir sua experiência digital do excesso de IA não solicitada.

Além disso, extensões como Hide Gemini and Google AI, disponível para Chrome e Firefox, ocultam o Gemini e outros recursos de IA do Google no buscador, Gmail, Drive e demais serviços. Para os puristas do Google, o truque de adicionar o parâmetro “&udm=14” ao endereço da busca, ou usar o site udm14 para automatizar, permite retornar à versão “antiga” do buscador, sem resultados incrementados por IA. A proliferação dessas soluções demonstra uma demanda clara por parte dos usuários em ter a autonomia para decidir o quanto de IA desejam em seu dia a dia, evidenciando que a inteligência artificial, quando imposta, pode gerar resistência em vez de aceitação.

O Impacto Profundo da Fadiga de IA: Além do Aborrecimento

O fenômeno da fadiga de IA transcende o mero aborrecimento com tecnologias intrusivas. Há indícios crescentes de que ele tem um impacto mais profundo na vida das pessoas, tanto no âmbito profissional quanto no pessoal. A pressão para dominar e integrar constantemente novas ferramentas de inteligência artificial no ambiente de trabalho, por exemplo, tem levado muitos profissionais a se sentirem sobrecarregados e estressados. A expectativa de que a IA aumente a produtividade pode, paradoxalmente, gerar mais ansiedade e exaustão.

Em um contexto mais amplo, o excesso de informação propiciado pelas IAs generativas também contribui para um aumento nos níveis de estresse e depressão. A constante exposição a conteúdos gerados automaticamente, a dificuldade em discernir a veracidade das informações e a sensação de estar sempre “ligado” em um fluxo interminável de dados podem ser mentalmente exaustivas. A inteligência artificial, que prometia simplificar a vida, em muitos casos, adiciona camadas de complexidade e pressão.

Este impacto psicológico e profissional da fadiga de IA é um alerta para a indústria e para a sociedade. Ele sugere que a corrida pela inovação e pela integração da IA deve ser acompanhada de uma reflexão sobre seus efeitos no bem-estar humano. A usabilidade, a relevância e o controle do usuário sobre a tecnologia tornam-se fatores cruciais para evitar que uma ferramenta com potencial transformador se torne uma fonte de esgotamento coletivo.

O Futuro da Inteligência Artificial: Uma Bolha a Estourar ou um Ajuste de Rota?

Diante desses múltiplos sinais de rejeição e fadiga de IA, a grande questão que se impõe é sobre o futuro da inteligência artificial. É cedo para determinar se esses movimentos representam os primeiros indícios de uma bolha tecnológica prestes a estourar ou se, ao menos, forçarão os grandes nomes do setor a repensarem suas estratégias e tirarem o pé do acelerador na integração massiva e, por vezes, desnecessária da IA.

Embora seja improvável que as gigantes da tecnologia abandonem o desenvolvimento da IA, os protestos e a baixa adesão a certas inovações são poderosos indicadores do sentimento do consumidor. Eles podem levar a um ajuste de rota, priorizando a qualidade sobre a quantidade, a utilidade real sobre a mera novidade e, fundamentalmente, o controle do usuário sobre a intromissão da tecnologia.

O que está claro é que a fadiga de IA é muito mais do que um mero aborrecimento; é um fenômeno com consequências sociais, psicológicas e mercadológicas significativas. A forma como a indústria responderá a esse cansaço generalizado definirá a próxima fase da interação humana com a inteligência artificial. Com o perdão do trocadilho, AI de nós, se não houver uma reflexão profunda sobre o equilíbrio entre inovação e bem-estar humano.


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