Feriados no Rio de Janeiro podem gerar prejuízo bilionário para o comércio em 2024

O estado do Rio de Janeiro enfrenta um cenário desafiador para o comércio varejista em 2024, com a proliferação de feriados ao longo do ano. A previsão é de que o setor deixe de faturar mais de R$ 2 bilhões, um impacto direto nas vendas e na economia local.

A preocupação se intensifica, pois muitas dessas datas comemorativas cairão em dias úteis. Isso pode levar a uma diminuição significativa na movimentação de pessoas nas ruas, afetando principalmente os lojistas.

O levantamento detalhado, que coloca em evidência a fragilidade do setor diante desses períodos de paralisação, foi divulgado pelo Sindicato dos Lojistas do Comércio do Município do Rio de Janeiro, o SindilojasRio.

Impacto Direto nas Vendas e o Fator ‘Enforcamento’

O estado do Rio de Janeiro terá, ao todo, 26 feriados municipais, sem contar os feriados nacionais e estaduais, como o Dia de São Jorge (23 de abril). Esse número expressivo é um dos principais motivos da apreensão.

O faturamento mensal médio do comércio fluminense gira em torno de R$ 1,4 bilhão. Desse total, a cidade do Rio de Janeiro é responsável por cerca de R$ 700 milhões, ou seja, metade do montante.

O ponto mais sensível para o comércio é que datas importantes cairão em dias úteis. Isso pode se estender devido aos chamados “enforcamentos”, quando muitos estabelecimentos optam por não funcionar, diminuindo o fluxo de clientes.

Além dos feriados, é crucial considerar os 52 domingos do ano, quando grande parte do comércio também não abre. Essa combinação de fatores contribui para a estimativa de perdas bilionárias em vendas.

Lucratividade em Xeque: Custos de Abertura vs. Receita

A lucratividade é outro fator crítico analisado pelo setor. Ela é observada pela relação entre o custo de manter um estabelecimento aberto e a receita gerada durante esse período.

Essa análise é particularmente relevante para shoppings e o comércio de rua, que frequentemente abrem nos feriados. Eles precisam avaliar se a receita extra compensa os custos adicionais de operação, como mão de obra e energia.

Aldo Gonçalves, presidente do SindilojasRio, destaca a importância dos feriados para a sociedade, mas ressalta o problema do excesso. “Os feriados são importantes para a sociedade. O excesso é que preocupa. Não fossem os acordos coletivos, que permitem a abertura nos feriados e domingos, e o comércio eletrônico, as perdas de faturamento poderiam ser ainda maiores”, afirma.

O Papel dos Acordos Coletivos e do Comércio Eletrônico

Os acordos coletivos de trabalho desempenham um papel fundamental ao permitir que lojas abram em feriados e domingos. Sem eles, as perdas de faturamento para o comércio seriam ainda mais dramáticas.

O comércio eletrônico também atua como um amortecedor para o impacto dos feriados. As vendas online continuam, independentemente das lojas físicas estarem abertas ou fechadas, mitigando parte das perdas.

Gonçalves avalia que “o excesso de feriados acaba por prejudicar a atividade do comércio, freando a circulação de mercadorias e o giro do dinheiro e dos negócios. Em algumas localidades, afeta notadamente os lojistas de rua, principalmente os de menor porte, que são mais sensíveis aos efeitos dos finais de semana e feriados porque já não abrem nesses dias, normalmente”.

Feriados vs. Lazer: Onde o Dinheiro do Consumidor Vai?

Durante os feriados, os gastos das famílias frequentemente se misturam com atividades de lazer. Os consumidores são incentivados a viajar, passear e buscar outras formas de entretenimento.

Essa tendência favorece setores como o turismo, bares e restaurantes, que veem um aumento na demanda. No entanto, o comércio varejista tradicional, especialmente o de rua, pode não se beneficiar da mesma forma.

O presidente do SindilojasRio conclui que, “nos feriados, os gastos das famílias se misturam aos de lazer. Assim, os apelos para os consumidores viajarem, passearem e buscarem outros divertimentos são maiores, favorecendo mais as atividades relacionadas ao turismo, bares e restaurantes”.

A previsão é que 2026, com a Copa do Mundo e eleições, também traga desafios semelhantes para as vendas do comércio, reforçando a necessidade de estratégias para mitigar esses impactos futuros.

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