Janeiro é um mês de alegria para as crianças, que desfrutam das férias escolares, do tempo livre e da proximidade com os pais. No entanto, para muitos pais e mães, esse período pode ser sinônimo de um estresse redobrado, exigindo malabarismos para conciliar atenção aos filhos e obrigações profissionais.
Seja trabalhando fora ou em regime de home office, a chegada das férias impõe uma sobrecarga significativa. As demandas por brincadeiras, pedidos constantes e reclamações de tédio se somam às responsabilidades, criando um cenário desafiador para a maioria das famílias.
Mas, em meio a essa rotina intensa, surge uma reflexão importante: como lidamos com esse estresse e o que ele revela sobre nossas prioridades como pais? Conforme análise de especialistas, as férias escolares em casa são um verdadeiro termômetro da parentalidade.
O estresse de janeiro: um termômetro da parentalidade
É fundamental diferenciar os tipos de estresse. Existe aquele que é construtivo, que nasce de escolhas conscientes e direcionadas a objetivos importantes, como dedicar-se à família. Este é um estresse necessário, que gera benefícios e dá sentido ao sacrifício.
Por outro lado, há o estresse que apenas desgasta, sem produzir nada em troca, como a irritação com o trânsito ou tensões desnecessárias no trabalho. Quando falamos das férias de janeiro, o estresse dos pais que se importam com os filhos se encaixa no primeiro tipo, o que constrói.
A Bíblia, no Sermão da Montanha, ensina: “Onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração” (Mt 6:21). Este versículo indica que o coração, centro das nossas vontades e decisões, persegue aquilo que realmente valorizamos. Para pais e mães, isso significa que, durante as férias escolares, a posição dos filhos na lista de prioridades é inevitavelmente questionada.
Desejos de descanso, casa organizada e dias tranquilos são legítimos, mas não podem ser a prioridade máxima quando se tem filhos pequenos em casa. O foco, nesta fase da vida, precisa estar voltado para eles, e as férias são um período crucial para reafirmar essa prioridade.
Três caminhos para pais e mães durante as férias
Ao enfrentar as férias escolares, pais de crianças pequenas podem seguir três caminhos distintos. O primeiro é o de esquecer que se trata de uma criança em férias, cheia de energia, e descarregar o estresse e a irritação nos filhos.
Essa abordagem leva ao afastamento emocional, gerando broncas constantes, ressentimentos e culpa. É um caminho que prejudica o relacionamento e o bem-estar da criança.
A segunda rota é a da negação, fingindo que não há uma criança de férias em casa e tentando manter a vida normal. Esta é a via da irresponsabilidade e da passividade, que, embora pareça mais fácil, cobra um preço alto no futuro, tanto dos filhos quanto dos pais.
O terceiro caminho, e o mais desafiador, é o de adaptar-se à nova rotina, que é temporária, e priorizar a criança. Este é o caminho da paciência, do compromisso e da responsabilidade.
Priorizar com intenção: os benefícios da presença
Adaptar-se não significa entreter a criança o tempo todo. É importante compreender que o ócio também é fundamental para o desenvolvimento socioemocional infantil. Este caminho envolve não se culpar quando as demandas do trabalho são mais urgentes, mas aproveitar o tempo disponível para investir no relacionamento com os filhos.
Em um relato pessoal, a fonte destaca as descobertas feitas sobre um filho de quatro anos durante as férias. Capacidades, dificuldades e até características dos pais refletidas na criança foram percebidas com mais clareza. Além disso, houve melhorias na saúde do filho, como um sono mais regulado e maior ingestão de água, tudo fruto de uma decisão intencional de estar mais presente.
Essa é uma escolha por estar mais com os filhos nos momentos possíveis, sem deixar as outras responsabilidades de lado. Em uma época em que o discurso de que não se deve fazer sacrifícios por ninguém além de si mesmo é comum, abrir mão pontualmente do próprio bem-estar em benefício dos filhos é, de fato, um autossacrifício.
Este ato de amor e dedicação é um contraste àqueles que se endeusam e não veem sentido em beneficiar os outros, mesmo que sejam os próprios filhos. Jesus também disse que nos últimos dias, “devido ao aumento da maldade o amor de muitos esfriará” (Mt 24:12).
O futuro da casa barulhenta: colhendo o que se planta
Em alguns anos, a casa barulhenta e bagunçada, os brinquedos espalhados pelo chão e a presença constante de alguém pedindo companhia se transformarão em uma lembrança. O tão desejado sossego chegará, a casa ficará limpa e silenciosa, e a criança, agora adulta, terá suas próprias prioridades.
Essa paz e sossego podem ser acompanhados da tranquilidade de quem plantou boas sementes, criando um adulto emocionalmente forte, com o amor e a presença devidos. Ou podem trazer a inquietação amarga de quem não soube viver bem aqueles “janeiros sem fim”. A escolha de como viver as férias escolares está em suas mãos. Faça sua parte!