O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, surpreendeu ao abraçar o rótulo de ‘taxad’, cunhado pela oposição, transformando a alcunha em um ponto de defesa de sua gestão.

Ele expressou satisfação em ser lembrado por políticas de taxação que, segundo ele, não foram implementadas por outros ministros nos últimos 30 anos.

Essa postura reafirma a linha governamental de buscar receitas por meio de novas tributações, em um cenário de desafios econômicos, conforme informações divulgadas.

Haddad e a Estratégia do ‘Taxad’

Haddad afirmou estar ‘muito feliz de ser lembrado como o único ministro da Fazenda dos últimos 30 anos que taxou offshore, que taxou fundo familiar fechado, que taxou paraíso fiscal, que taxou dividendo, que taxou bet, a oposição está certa’.

Essa declaração sublinha a intenção do governo em buscar recursos em setores específicos, considerados de alta renda ou com brechas fiscais, priorizando a taxação de grandes fortunas e operações financeiras.

No entanto, o ministro também enfrentou resistências. Uma tentativa de aumentar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que afetaria diretamente o cidadão comum, caducou após forte ofensiva da oposição, demonstrando os limites da ação governamental.

Desafios Fiscais e Projeções Econômicas

O contexto fiscal do país permanece delicado, com dados preliminares indicando que o Executivo encerrou o ano com um déficit equivalente a 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB).

No setor público, a situação é preocupante, como exemplificado pelos Correios, que projetam um rombo de R$ 10 bilhões para 2025, evidenciando a necessidade de ajuste nas contas.

Além disso, o Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta uma desaceleração da economia em 2026, com uma possível recuperação apenas no ano seguinte, o que adiciona pressão sobre as estratégias de taxação.

Defesa de Galípolo e Críticas à Gestão Passada

Em meio às críticas sobre a taxa de juros do Banco Central, Haddad defendeu a escolha de Gabriel Galípolo, seu ex-número dois na Fazenda, para a presidência da instituição.

O ministro afirmou que o recomendaria novamente, destacando que Galípolo ‘herdou um problema que só vai ser conhecido depois’, atribuindo a responsabilidade pela questão do Banco Master à gestão de Roberto Campos Neto.

Essa defesa sinaliza a confiança do governo em sua equipe econômica, ao mesmo tempo em que direciona o foco para as responsabilidades da administração anterior do Banco Central.

A Polêmica do Pix e o Desvio de Atenção

Haddad também se manifestou sobre os vídeos de políticos da oposição que abordam a taxação do Pix, classificando-os como uma tentativa de ‘desviar a atenção’.

Para o ministro, a oposição ‘começaram a inventar aquela coisa de taxação de Pix, que não tem nada a ver, voltaram agora semana passada, de novo, para desviar a atenção, porque provavelmente nós vamos pegar gente graúda da oposição’.

Essa declaração sugere que as discussões sobre o Pix seriam uma cortina de fumaça para investigações maiores que poderiam envolver figuras importantes da oposição.

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