China Reabre Mercado para Frango Gaúcho: Fim de Embargo de 18 Meses Marca Vitória Sanitária e Econômica para o Rio Grande do Sul
A notícia tão aguardada chegou: a China anunciou oficialmente o fim do embargo às importações de carne de frango do Rio Grande do Sul. Esta decisão, que encerra um período de um ano e meio de restrições, representa um alívio significativo para o agronegócio gaúcho, que enfrentou desafios consideráveis.
A suspensão havia sido imposta pelas autoridades chinesas em julho de 2024, após a confirmação de um surto da Doença de Newcastle no estado. Desde então, produtores, entidades do setor e o governo brasileiro trabalharam incansavelmente para reverter a situação e garantir a segurança sanitária.
A medida foi oficializada em um comunicado conjunto, conforme informações divulgadas pelo Ministério da Agricultura brasileiro e entidades do setor, revogando um ato anterior baseado em análise de risco sanitário e abrindo novamente as portas do mercado chinês.
O Contexto do Bloqueio e a Luta Sanitária Gaúcha
O embargo chinês teve início após a detecção da Doença de Newcastle em uma granja comercial no município de Anta Gorda, no Rio Grande do Sul. Na época, o estado foi colocado em emergência zoosanitária por aproximadamente três semanas, um período crítico para a contenção da enfermidade e a proteção do rebanho.
É importante ressaltar que, em maio do ano passado, o Rio Grande do Sul também registrou um caso de gripe aviária em uma granja no município de Montenegro. Contudo, o país foi confirmado como livre da gripe aviária um mês depois, após 28 dias sem novos registros, demonstrando a capacidade de resposta rápida.
Apesar da liberação das importações de frango dos demais estados brasileiros em novembro de 2025, a China manteve a proibição especificamente para o Rio Grande do Sul. Esta distinção manteve a pressão sobre os produtores gaúchos e o governo para a comprovação de total erradicação do surto sanitário.
Impacto Econômico e a Esperada Retomada das Exportações
A ausência do mercado chinês teve um impacto direto e notável nas exportações gaúchas. Em 2024, o bloqueio contribuiu para uma queda de cerca de 1% nas exportações de carne de frango do estado, um dado que reflete a importância estratégica do parceiro asiático para a economia local.
Antes do embargo, a China era responsável por quase 6% dos embarques de frango do Rio Grande do Sul. Embora a restrição tenha sido parcialmente compensada pela venda a outros países, a reabertura do mercado chinês é vista como fundamental para a plena recuperação e expansão do setor avícola.
A expectativa agora é de uma retomada gradual dos embarques. Para isso, os sistemas de habilitação precisarão ser atualizados e os certificados sanitários liberados, permitindo que a carne de frango gaúcha volte a chegar às mesas chinesas, impulsionando a economia regional.
Credibilidade Sanitária Brasileira: Um Reconhecimento Internacional
Segundo o Ministério da Agricultura, a retomada das exportações foi possível graças à comprovação das rigorosas medidas de controle e erradicação da Doença de Newcastle. Essas ações estão em total conformidade com os protocolos internacionais de saúde animal, demonstrando a seriedade e a eficácia do sistema brasileiro.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) avaliou a reabertura como um passo relevante para a normalização dos fluxos comerciais. A entidade destacou que “a decisão reafirma a credibilidade do sistema sanitário brasileiro e o reconhecimento internacional do nosso modelo de resposta”, celebrando a vitória diplomática.
As negociações com as autoridades chinesas envolveram um diálogo permanente e o envio de informações detalhadas. Essas comprovações foram cruciais para demonstrar a eficácia das ações de controle e erradicação, alinhando o Brasil aos mais altos padrões de saúde animal e garantindo a confiança do parceiro comercial.