O cenário político brasileiro para as eleições de 2026 começa a se desenhar com o senador Flávio Bolsonaro (PL) emergindo como o principal nome da direita na disputa pelo Palácio do Planalto. Em uma estratégia de transferência de capital político, o filho 01 de Jair Bolsonaro tem consolidado sua posição, especialmente no ambiente digital, um campo decisivo na política contemporânea, onde a capacidade de influência e engajamento se traduz em força eleitoral.
Dados recentes do Índice Datrix dos Presidenciáveis (IDP) revelam que Flávio Bolsonaro assumiu a liderança do ranking em dezembro de 2025 e manteve a posição em janeiro de 2026, superando outros pré-candidatos de peso, incluindo o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que, por sua vez, registrou uma queda notável para a sexta colocação no mesmo período.
Essa ascensão meteórica de Flávio é impulsionada pela “herança digital” do ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente detido, e por uma eficaz articulação política que tem unificado a direita e expandido sua influência para além das bases tradicionais de militantes, atingindo o que especialistas chamam de “mar aberto” da opinião pública, conforme informações detalhadas pelo Índice Datrix dos Presidenciáveis (IDP).
A Estratégia da “Herança Digital”: O Legado de Jair Bolsonaro e a Projeção de Flávio
A transferência do vasto capital político de Jair Bolsonaro para o filho Flávio é o principal objetivo da liderança da direita, que busca replicar o sucesso digital que foi crucial para a vitória de 2018. Mesmo detido na Papudinha, dentro do Complexo da Papuda, em Brasília, o ex-presidente da República mantém uma influência considerável na corrida presidencial, alimentada pela força construída e que ainda reverbera intensamente nas redes sociais.
Desde julho do ano passado, as redes sociais de Jair Bolsonaro estão bloqueadas por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Contudo, o impacto de sua presença digital anterior ainda é um ativo político de grande valor; apenas no Instagram, o ex-presidente contava com impressionantes 27 milhões de seguidores, liderando o ranking de maiores influenciadores políticos do país antes do bloqueio. Este legado de engajamento e alcance é o que se tenta agora transferir.
A estratégia atual visa repassar essa “herança digital” ao senador Flávio Bolsonaro, consolidando-o como o principal opositor ao projeto de reeleição de Lula e o candidato natural da direita. Desde o anúncio de sua pré-candidatura à presidência pelo PL, no início de dezembro de 2025, Flávio iniciou uma reorganização meticulosa de seu ambiente digital, com o objetivo claro de pavimentar seu caminho rumo ao Palácio do Planalto.
Essa abordagem estratégica reconhece que, antes mesmo do voto popular nas urnas, a batalha pela percepção, pela narrativa e pelo engajamento online é fundamental para construir e sustentar uma candidatura competitiva. A capacidade de mobilizar bases, disseminar mensagens-chave e moldar a opinião pública nas plataformas digitais é vista como um pilar essencial para qualquer campanha eleitoral de sucesso no complexo cenário político brasileiro moderno.
A “herança digital” não se limita apenas ao número de seguidores, mas à capacidade de ativar redes de apoio, influenciadores e militantes que historicamente se engajaram com as pautas bolsonaristas. É um capital de confiança e identificação ideológica que, agora, Flávio busca absorver e direcionar em sua própria projeção política.
A Ascensão de Flávio no Índice Datrix: Engajamento, Alcance e Reputação em Destaque
Em um período de apenas dois meses, Flávio Bolsonaro demonstrou uma notável e consistente ascensão no cenário digital. Segundo o Índice Datrix dos Presidenciáveis (IDP), ele assumiu a liderança do ranking em dezembro de 2025, impulsionado diretamente pelo anúncio de sua pré-candidatura presidencial, e conseguiu consolidar essa posição de destaque em janeiro de 2026, mostrando resiliência e eficácia em sua estratégia.
O IDP, uma ferramenta de análise de dados robusta, mede mensalmente a performance digital dos principais nomes cotados para 2026, avaliando a capacidade de engajar audiências, o alcance de suas mensagens e a reputação construída, tanto dentro quanto fora de suas próprias bolhas de seguidores. A liderança de Flávio reflete não apenas a mobilização de sua base de apoio, mas também uma crescente aceitação e visibilidade em outros segmentos do eleitorado, indicando um potencial de crescimento.
Nesse período crucial, Flávio Bolsonaro não só se estabeleceu como o principal opositor de Lula nas pesquisas eleitorais, mas também foi protagonista de uma visita estratégica ao governo de Israel. Esse movimento, com forte simbolismo para sua base e para a direita, reverberou positivamente em sua imagem, mostrando uma atuação em pautas internacionais que ressoam com seus eleitores e aliados.
Com 8,5 milhões de seguidores no Instagram, Flávio assumiu a liderança entre os irmãos, uma posição antes detida por Eduardo Bolsonaro (PL), que permanece nos Estados Unidos. Essa mudança de bastão digital entre os filhos de Bolsonaro é um indicativo da centralidade de Flávio no projeto político familiar para 2026, consolidando-o como a figura de proa da família na corrida presidencial.
A performance de Flávio contrasta significativamente com a de outros pré-candidatos. O presidente Lula, por exemplo, apesar de possuir um número maior de seguidores (14,4 milhões no Instagram), viu seu desempenho ser fortemente influenciado por temas internacionais, resultando em uma queda acentuada para a sexta colocação no ranking, conforme a análise do Datrix.
João Paulo Castro, diretor-executivo da Datrix, enfatiza a relevância de fatores externos para o desempenho dos candidatos: “Com a entrada de temas internacionais no centro do debate, a reputação fora das redes próprias passou a exercer influência decisiva sobre o desempenho dos candidatos”, afirmou, sublinhando a complexidade e a interconexão do ambiente digital e político, onde a percepção externa pode ser tão ou mais importante que o engajamento da base.
O “Mar Aberto” e a Melhora Reputacional: Expandindo a Influência Além da Bolha de Militantes
A análise aprofundada do Índice Datrix destaca um fator crucial para a sustentação da liderança de Flávio Bolsonaro: a melhora expressiva de sua imagem no que o estudo denomina de “mar aberto”. Este conceito refere-se ao ambiente midiático mais amplo e diversificado, que engloba a imprensa tradicional, formadores de opinião, influenciadores digitais e outros atores externos às bolhas ideológicas e de militantes, ou seja, onde a mensagem precisa ressoar sem o filtro do engajamento pré-existente.
Nesse “mar aberto”, a reputação do pré-candidato do PL registrou uma alta significativa de 19%, um dado que é particularmente relevante. Isso indica que as menções favoráveis a Flávio não se limitam apenas à base de eleitores fiéis da família Bolsonaro, mas que ele está conseguindo gerar uma percepção positiva em segmentos mais amplos da sociedade, apontando para um potencial de crescimento para além de seu eleitorado cativo.
Em contraste, nas redes sociais próprias de Flávio, o estudo observou uma leve retração. Apesar do aumento no volume de postagens, a taxa de engajamento médio caiu, sugerindo uma possível diluição da interação ou uma saturação do conteúdo para sua base mais engajada. No entanto, essa leve queda foi amplamente compensada, e até superada, pelo ganho reputacional externo, demonstrando a importância de uma estratégia de comunicação multifacetada que não se apoia apenas na interação direta com os seguidores.
A articulação política também desempenhou um papel fundamental neste processo, especialmente o apoio explícito do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Esse endosso de uma figura de peso na direita brasileira reforçou a narrativa de unificação do campo conservador em torno do nome de Flávio Bolsonaro, projetando-o como uma figura central capaz de aglutinar diferentes setores do espectro político conservador e liberal, ampliando seu arco de alianças.
João Paulo Castro explicou que o ambiente político atual favoreceu discursos mais contundentes, alinhamentos geopolíticos explícitos e narrativas de confronto, elementos que Flávio soube capitalizar com maestria. O resultado é a transformação do capital político herdado de seu pai em uma liderança digital estruturada, sustentada não apenas pelo engajamento de militantes e apoiadores fervorosos, mas por um ganho reputacional que transcende as fronteiras das redes de apoio tradicionais.
“Flávio Bolsonaro consolidou sua liderança ao combinar capital político interno com melhora reputacional externa”, resumiu Castro, enfatizando a eficácia da estratégia que permitiu ao senador expandir sua influência e credibilidade junto a um público mais diversificado, tornando-o um adversário mais robusto no cenário eleitoral de 2026.
A Queda de Lula no Ranking: O Impacto de Temas Internacionais e Críticas Internas na Reputação Presidencial
Enquanto Flávio Bolsonaro ascendia no Índice Datrix, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrentava um cenário desafiador no ambiente digital, culminando em uma queda expressiva para a sexta colocação no ranking em janeiro. Apesar de possuir uma base considerável de 14,4 milhões de seguidores no Instagram, um dos maiores entre os políticos brasileiros, o desempenho do petista foi negativamente impactado por uma série de fatores, muitos deles relacionados a temas internacionais de alta sensibilidade e a críticas internas.
A reputação do presidente petista sofreu consideravelmente no “mar aberto”, ou seja, na percepção da grande mídia e dos formadores de opinião, principalmente devido à sua associação com o governo de Nicolás Maduro na Venezuela. A detenção do ditador venezuelano durante uma operação dos Estados Unidos, autorizada pelo presidente republicano Donald Trump, gerou um forte debate global e doméstico. A condenação pública da ação norte-americana pelo governo Lula e pelo PT reverberou negativamente em amplos setores da opinião pública brasileira, que criticam veementemente o regime autoritário de Maduro.
Além das questões de política externa, a performance digital de Lula também foi influenciada por críticas internas que ganharam tração. Casos de corrupção, que frequentemente ressurgem no debate político, e a polêmica gerada pelo veto presidencial ao Projeto de Lei da Dosimetria contribuíram para a deterioração de sua imagem digital. O PL da Dosimetria era uma medida que poderia beneficiar condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, e o veto de Lula foi amplamente criticado pela oposição, que o interpretou como uma tentativa de flexibilizar punições para aliados ou de minimizar a gravidade dos ataques antidemocráticos.
A combinação desses fatores, tanto externos quanto internos, fez com que Lula terminasse o mês de janeiro na lanterna entre os sete presidenciáveis monitorados pelo IDP. A análise da Datrix sugere que, mesmo com uma base de seguidores robusta e um histórico de carisma popular, a incapacidade de controlar narrativas negativas no “mar aberto” e a associação a pautas impopulares ou controversas podem minar rapidamente a reputação de um candidato, independentemente de sua popularidade nas redes próprias.
Este cenário demonstra de forma clara como a política externa, as decisões internas de grande impacto e a forma como são percebidas pela opinião pública podem rapidamente se traduzir em ganhos ou perdas no complexo ecossistema digital, afetando diretamente a percepção pública, o engajamento dos eleitores e, consequentemente, as chances eleitorais de um presidente em busca da reeleição.
Caiado na Vice-Liderança: Identidade Antipetista e a Tensão da Migração Partidária
Em contraste com a queda de Lula, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), apresentou um desempenho notável, fechando o mês de janeiro na vice-liderança do Índice Datrix. Sua ascensão foi atribuída, em grande parte, à sua postura incisiva em relação a eventos internacionais e a um reforço estratégico de sua identidade política, que ressoa fortemente com um segmento específico do eleitorado.
Ao repercutir a notícia da prisão de Nicolás Maduro, Caiado adotou um tom fortemente crítico ao ditador venezuelano. Essa posição não apenas reforçou sua identidade antipetista, alinhando-o a um sentimento presente em parte significativa do eleitorado brasileiro que se opõe ao Partido dos Trabalhadores e suas alianças, mas também o associou à defesa da ordem e da segurança pública, pautas que historicamente marcam sua trajetória política e que encontram grande eco em sua base de apoio e em setores conservadores da sociedade.
Apesar do bom desempenho no ambiente digital e da consolidação de sua imagem como um defensor de pautas de direita, o estudo da Datrix apontou um ponto de tensão na trajetória de Caiado: sua recente migração para o PSD. Essa mudança partidária gerou reações polarizadas. Enquanto alguns analistas e eleitores viram o movimento como uma estratégia política pragmática para ampliar seu arco de alianças, parte da direita mais ideológica interpretou a mudança como uma aproximação do “sistema”, levantando questionamentos sobre a pureza ideológica e o alinhamento com os princípios conservadores mais radicais.
Essa dualidade na percepção de Caiado ilustra a complexidade do cenário político e digital, onde movimentos partidários podem ser interpretados de diferentes formas, influenciando a reputação de um candidato tanto positiva quanto negativamente, dependendo do segmento do eleitorado. No entanto, a força de sua mensagem antipetista e seu foco consistente em segurança pública foram suficientes para impulsionar sua posição no ranking digital, consolidando-o como um dos nomes a serem observados com atenção para as eleições de 2026, com potencial para atrair votos do espectro mais à direita.
O Papel de Romeu Zema e a Articulação para a Chapa de 2026: Um Vice Potencial em Ascensão
A ascensão de Flávio Bolsonaro no Índice Datrix também trouxe à tona discussões e especulações sobre possíveis alianças e composições de chapa para 2026, com o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), ganhando destaque como um nome promissor. Zema foi impulsionado pela possibilidade de ser o vice na chapa de Flávio, sendo citado como um “ótimo nome” pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, o que automaticamente lhe conferiu visibilidade e relevância nacional.
O avanço de Zema no ranking foi explicado “quase que integralmente pelo desempenho no ‘mar aberto'”, onde sua nota triplicou. Isso significa que a menção de seu nome em um contexto de chapa presidencial e a associação a Flávio Bolsonaro geraram uma repercussão extremamente positiva em veículos de imprensa, formadores de opinião e no debate público mais amplo, para além de sua base eleitoral tradicional em Minas Gerais. Essa exposição qualificada foi fundamental para seu ganho reputacional.
O governador mineiro foi frequentemente citado como o “vice ideal” em uma eventual chapa com Flávio Bolsonaro, principalmente por sua gestão elogiada em Minas Gerais e sua defesa intransigente de pautas liberais, como a desburocratização e a responsabilidade fiscal. Essas características são vistas como complementares à proposta política de Flávio, podendo atrair eleitores que buscam uma alternativa conservadora com um forte viés econômico liberal, ampliando o leque de apoio da chapa.
Contudo, o estudo da Datrix também ressalta que persistem questionamentos sobre a viabilidade eleitoral nacional de Romeu Zema. Embora seu desempenho administrativo em Minas Gerais seja amplamente reconhecido e ele tenha uma base de apoio sólida no estado, a capacidade de transferir essa popularidade para um cenário federal e conquistar o eleitorado em outras regiões do país, com suas particularidades e demandas distintas, ainda é um desafio a ser observado e testado em uma campanha presidencial.
A menção de Zema como possível vice reforça a estratégia de Flávio Bolsonaro de construir uma coalizão ampla à direita, buscando não apenas o apoio de figuras tradicionais do bolsonarismo, mas também de nomes com apelo em outros segmentos, como o liberal, e com experiência de gestão comprovada. Essa busca por uma chapa equilibrada e representativa de diferentes vertentes da direita é crucial para fortalecer sua candidatura e consolidar a unificação do campo político conservador visando 2026.
Cenário Político e a Dinâmica Digital para 2026: O Campo de Batalha em Constante Evolução
O panorama revelado pelo Índice Datrix dos Presidenciáveis para os meses de dezembro de 2025 e janeiro de 2026 aponta para uma dinâmica eleitoral cada vez mais complexa e fluida, onde o ambiente digital se consolida como um verdadeiro campo de batalha, com regras próprias e impactos diretos na percepção pública. A ascensão de Flávio Bolsonaro, a queda de Lula e a performance de outros candidatos como Caiado e Zema sublinham a importância estratégica da atuação online e da percepção pública para além das “bolhas” de apoio partidário.
A “herança digital” de Jair Bolsonaro, aliada à capacidade de Flávio de articular apoios e gerar uma melhora reputacional no “mar aberto”, demonstra que a simples replicação de conteúdos ou o volume de postagens não são mais suficientes para garantir o sucesso eleitoral. É a habilidade de transformar o capital político em uma liderança estruturada, capaz de gerar repercussão positiva em diversos canais e segmentos da sociedade, que se mostra determinante para o êxito de uma campanha.
A influência de temas internacionais e de decisões políticas internas na reputação dos candidatos, como evidenciado pela queda de Lula, mostra que o eleitorado está atento e reage de forma sensível a alinhamentos geopolíticos, a pautas sociais e econômicas, e a decisões governamentais de grande impacto. A agilidade em responder a esses eventos, em moldar a narrativa e em comunicar de forma eficaz é crucial para manter a relevância e a aceitação pública, evitando desgastes desnecessários.
Para a eleição de 2026, a dinâmica digital continuará sendo um dos pilares centrais das campanhas. Candidatos precisarão não apenas manter suas bases engajadas e mobilizadas, mas também conquistar o “mar aberto” da opinião pública, onde a imprensa, influenciadores e atores externos desempenham um papel decisivo na formação de percepções. A capacidade de construir uma imagem positiva, de se posicionar de forma estratégica em relação a temas de grande impacto e de apresentar propostas claras será fundamental para o sucesso das campanhas.
O cenário é de constante evolução, com pré-candidatos buscando consolidar suas posições, formar alianças estratégicas e refinar suas estratégias de comunicação para se destacar em um ambiente cada vez mais competitivo e polarizado. A corrida presidencial de 2026 promete ser uma das mais digitalizadas e complexas da história recente do Brasil, com o Índice Datrix oferecendo um termômetro valioso e em tempo real sobre as tendências e performances dos principais nomes em disputa, moldando as expectativas e as estratégias políticas.