Flávio Bolsonaro apresenta agenda econômica de ‘tesouraço’ e acena ao mercado financeiro

O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), buscou nesta quarta-feira (11) conquistar a confiança da elite econômica em um evento promovido pelo BTG Pactual. Em um movimento que reforça sua estratégia de se posicionar como um nome de centro-direita, o senador apresentou as linhas gerais de sua proposta econômica, batizada de “tesouraço”.

Diante de empresários, investidores e executivos do setor financeiro, Flávio Bolsonaro defendeu um plano focado na redução de gastos públicos, corte de impostos e diminuição da burocracia como caminhos para impulsionar o crescimento econômico e trazer previsibilidade ao país. O discurso foi marcado por críticas diretas aos governos do PT, aos quais atribuiu o aumento da carga tributária e a expansão ineficiente do Estado.

O pré-candidato afirmou que o modelo econômico adotado nas últimas décadas contribuiu para a perda de competitividade do Brasil e para a manutenção de juros elevados, conforme informações divulgadas pelo BTG Pactual.

‘Tesouraço’: A proposta de Flávio Bolsonaro para reduzir o Estado e impostos

A principal bandeira econômica apresentada por Flávio Bolsonaro é o “tesouraço”, um plano que visa, segundo ele, inverter a lógica atual de gestão pública. A proposta se concentra na diminuição do tamanho do Estado e na ampliação do espaço para a iniciativa privada. Os pilares dessa agenda incluem a simplificação tributária, o corte de despesas consideradas ineficientes – como cargos em comissão e verbas de publicidade –, o fortalecimento da segurança jurídica e o estímulo ao empreendedorismo.

Em sua exposição, o senador criticou veementemente as gestões petistas, acusando-as de “aumentar a arrecadação para aumentar os gastos”. “Eu teria vergonha se fosse presidente do Brasil”, declarou. Ele argumentou que essa política fiscal pressiona a taxa básica de juros e compromete a capacidade de investimento da União, defendendo o reequilíbrio das contas públicas como condição indispensável para a redução estrutural dos juros e a retomada do crescimento sustentável.

Flávio Bolsonaro admitiu que os detalhes sobre os cortes específicos que seriam realizados ainda estão em estudo. “Isso é um castelo de cartas, você não pode tirar uma carta, falar que vai reduzir um imposto, sem antes saber qual vai ser o impacto disso em determinado segmento. Tem um time que está me ajudando a fazer isso, a botar essa proposta no papel”, explicou.

Equilíbrio fiscal e juros altos: A visão do pré-candidato

O senador defendeu que o Brasil convive com uma política fiscal que, na sua visão, pressiona a taxa básica de juros e prejudica a capacidade de investimento do governo. Para Flávio Bolsonaro, o reequilíbrio das contas públicas é um passo fundamental para que os juros possam cair de forma estrutural e para que o país retome um caminho de crescimento sustentável. Ele acredita que a redução dos gastos públicos e a consequente diminuição da dívida do governo são pré-requisitos para que o Banco Central possa reduzir a taxa Selic de maneira mais expressiva.

Ao defender o “tesouraço”, Flávio Bolsonaro argumentou que a proposta representa uma inversão da lógica atual, com foco na diminuição do tamanho do Estado e na ampliação do espaço para a iniciativa privada. Ele citou como pilares dessa agenda a simplificação tributária, o corte de despesas consideradas ineficientes, como cargos em comissão e publicidade, o fortalecimento da segurança jurídica e o estímulo ao empreendedorismo. A ideia é criar um ambiente de negócios mais favorável, atraindo investimentos e gerando empregos.

O pré-candidato também relembrou medidas adotadas durante o governo de seu pai, Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022, como a redução de impostos sobre combustíveis. Ele criticou o atual governo do PT por, segundo ele, reverter parte das desonerações promovidas naquele período, argumentando que essas ações prejudicam a economia e o poder de compra da população.

Diálogo e “cérebro”: Flávio Bolsonaro sobre relações institucionais

Questionado sobre possíveis diferenças em relação ao seu pai, especialmente no que diz respeito a tensões institucionais com os Poderes Legislativo e Judiciário, Flávio Bolsonaro enfatizou sua aposta no diálogo. “Tenho convicção que vamos ganhar a eleição com o cérebro, e não com o fígado”, afirmou, sinalizando uma abordagem mais ponderada e estratégica em sua eventual gestão presidencial.

Essa declaração sugere uma tentativa de se distanciar de posturas mais confrontadoras, buscando construir pontes com os demais poderes e com setores da sociedade que possam ter se afastado durante o governo anterior. A busca por uma relação mais harmoniosa com o Congresso Nacional e o Judiciário é vista como crucial para a governabilidade e a aprovação de reformas.

O senador demonstrou compreender a importância de uma relação institucional estável para a implementação de sua agenda econômica. A previsibilidade e a segurança jurídica, pilares de seu discurso, dependem, em grande medida, de um ambiente político coeso e cooperativo. A menção ao uso do “cérebro” em detrimento do “fígado” pode ser interpretada como um aceno à moderação e à racionalidade na condução política.

Time de Economia: Especulações da imprensa e busca por previsibilidade

Sobre a formação de sua equipe econômica, Flávio Bolsonaro minimizou as especulações veiculadas pela imprensa, classificando os nomes ventilados como “especulações da imprensa”. Nomes como Gustavo Montezano, ex-presidente do BNDES, e Adolfo Sachsida, ex-secretário do Ministério da Economia, ambos do governo de Jair Bolsonaro, têm sido mencionados como possíveis integrantes de seu time.

“Não tem prazo, não tem nome ainda. Óbvio que estou conversando com muitas pessoas, tem muita gente me ajudando, mas pode ter certeza que será alguém que vai dar previsibilidade ao nosso país“, garantiu o senador. A ênfase na previsibilidade reforça o apelo ao mercado financeiro e aos investidores, que buscam estabilidade e clareza nas políticas econômicas para tomar decisões de investimento.

A cautela na divulgação de nomes indica uma estratégia de não antecipar decisões e de manter flexibilidade para formar o melhor time possível, alinhado com os princípios de sua agenda econômica. A busca por profissionais com capacidade de transmitir confiança ao mercado é um fator determinante na escolha dos futuros ministros.

Tarcísio de Freitas e alianças em São Paulo: Peça-chave na campanha

Flávio Bolsonaro também abordou a relação com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). O senador minimizou quaisquer atritos sobre a sucessão de Jair Bolsonaro na Presidência, afirmando que eventuais ruídos já foram superados e que conta com o apoio ativo do governador paulista em 2026.

“Nós vamos ter em São Paulo palanques importantes, que não tivemos em 2022. Em 2022, o presidente Bolsonaro praticamente arrastou o Tarcísio para ser candidato a governador de São Paulo”, afirmou. “Agora o que eu aguardo do Tarcísio é que a gente possa estar no mesmo clima de 2022 na sua eleição, só que agora com a minha figura ao invés do meu pai”, complementou. A expectativa é de que Tarcísio de Freitas seja um aliado fundamental na campanha presidencial, especialmente no estado de São Paulo, um dos maiores colégios eleitorais do país.

Em relação a Michelle Bolsonaro, Flávio Bolsonaro adotou um tom de cautela, indicando que a ex-primeira-dama ainda avalia se pretende disputar um cargo eletivo. Sua participação na campanha ainda é incerta, mas sua influência junto a determinados segmentos do eleitorado é reconhecida.

Minas Gerais: Romeu Zema e a busca por um vice

O cenário em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, também foi tema de discussão. Questionado se o governador Romeu Zema (Novo) seria o “vice dos sonhos”, Flávio Bolsonaro elogiou a gestão do mineiro, mas afirmou que não houve convite formal e que o Novo tem seu próprio pré-candidato à Presidência. “Zema é um grande nome, mas ele também está com o nome colocado como pré-candidato. Aproveito para desmentir essa fake news de que ele não teria aceitado convite meu para ser vice. Eu não tive essa conversa com ele”, declarou.

O senador disse ver convergência com o governador mineiro, mas ponderou que qualquer composição dependerá de afinidade programática. “Não é só vencer a eleição, temos que ver se os pensamentos, os projetos e os princípios defendidos encontram convergência. Estou construindo não um plano de governo, mas um plano de Brasil”, declarou. Essa postura indica que a escolha do vice-presidente será estratégica e baseada em um alinhamento de visões de país.

Flávio também destacou a força do PL em Minas Gerais e citou o deputado federal Nikolas Ferreira como uma das principais lideranças do estado. “É uma decisão que só cabe a ele. Ele tem dito que quer ser candidato a deputado federal”, afirmou sobre Ferreira. Segundo ele, a definição sobre candidatura ao governo mineiro ainda está em aberto, mas garantiu que o partido “não vai errar na escolha dos nomes”.

Terceira Via: Flávio Bolsonaro aposta na polarização e na união no segundo turno

Flávio Bolsonaro minimizou a possibilidade de uma terceira via competitiva em 2026, especialmente em relação à movimentação do PSD de Gilberto Kassab. Segundo o senador, não há espaço real para uma candidatura forte fora da polarização esperada entre ele e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“A primeira certeza que eu tenho é que esses partidos não irão com o PT. Ninguém vai entrar em canoa furada, todo mundo está vendo a pesquisa, todo mundo sabe para onde o Brasil iria com mais quatro anos desse atual desgoverno”, afirmou. Ele acredita que os partidos de centro e centro-direita tenderão a se unir a ele em um eventual segundo turno contra o petista, mesmo que não o apoiem formalmente no início da campanha.

O senador citou que tem dialogado com lideranças como Ciro Nogueira (PP), Antonio Rueda (União Brasil), Renata Abreu (Podemos) e Marcos Pereira (Republicanos), além do próprio Kassab. De acordo com Flávio Bolsonaro, os partidos aguardam a consolidação do cenário antes de tomar decisões definitivas. Ele respeita a estratégia do PSD de apresentar nomes como Ronaldo Caiado (GO), Ratinho Junior (PR) e Eduardo Leite (RS) como possíveis alternativas, mas considera difícil que uma candidatura fora da polarização se viabilize. “Todo mundo está vendo que há uma clara opção por parte da grande maioria do eleitorado. Acho difícil que surja uma terceira via num cenário como esse, mas tenho certeza que, não passando para o segundo turno, vai caminhar com a gente também”, disse.

Flávio sinalizou que a movimentação do PSD pode levar o PL a reavaliar palanques regionais, mas evitou elevar o tom contra Kassab. “Respeito a estratégia do Kassab, assim como respeito os três pré-candidatos que o PSD está colocando”, afirmou, complementando que acredita na convergência das forças de centro-direita em um eventual segundo turno. “Nenhum dos partidos do centro para cá vai entrar na canoa furada do Lula”, concluiu, reforçando a ideia de que a eleição de 2026 será definida entre duas forças principais.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você também pode gostar

E-commerce no Paraná Dispara: Estado Conquista Top 5 Nacional em Crescimento de Envios Impulsionado por PMEs e Logística Inovadora, Revela Loggi

O e-commerce no Paraná tem demonstrado um crescimento notável, consolidando o estado…

Tornado F2 em São José dos Pinhais: Simepar classifica fenômeno com ventos de 180 km/h, revelando estragos e impactos

Simepar classifica tornado que atingiu São José dos Pinhas como F2, com…

Lula conversa com Autoridade Palestina sobre controverso plano de Trump para Gaza e convite ao Conselho da Paz; entenda a posição do Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve um diálogo importante…

Hugo Motta condiciona apoio à reeleição de Lula a ‘gestos concretos’ e reciprocidade política em meio a articulações na Paraíba para o Senado

O cenário político nacional ganha contornos de negociação e alianças, com figuras…