O Brasil enfrenta um cenário econômico desafiador nos próximos anos, com o Fundo Monetário Internacional (FMI) revisando para baixo suas expectativas de crescimento.
A previsão mais recente aponta para uma redução significativa no ritmo de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, indicando um período de menor dinamismo e exigindo atenção.
Essa perspectiva de desaceleração da economia brasileira em 2026 é detalhada em um relatório divulgado nesta segunda-feira, conforme informações do próprio Fundo Monetário Internacional (FMI).
O Cenário Brasileiro: Projeções e Fatores de Impacto
O FMI ajustou a projeção de crescimento do PIB brasileiro para 2026, passando de 1,9% para 1,6%. Este dado representa uma clara indicação de desaceleração da economia brasileira em 2026, especialmente quando comparado ao crescimento estimado de 2,5% para o ano de 2025.
Entre os fatores que contribuíram para essa revisão, o relatório destaca a imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. Embora a medida já tenha sido revogada, seu impacto gerou perdas na casa de bilhões de dólares, afetando a performance econômica do país de forma considerável.
A expectativa é que a economia brasileira só comece a reaquecer de forma mais consistente em 2027, quando o FMI prevê um aumento de 2,3% no PIB. Até lá, o país deverá lidar com um ritmo de crescimento mais contido e desafiador.
Perspectivas Globais e Regionais
Em contraste com a situação brasileira, o FMI apresenta dados mais otimistas para outros cenários. Para a América Latina, a projeção de crescimento é de 2,2%, superando a estimativa para o Brasil neste período.
Os países em desenvolvimento também demonstram maior vigor, com uma expectativa de crescimento de 4,2%. Globalmente, o PIB mundial deve subir 3,3%, com uma leve desaceleração para 3,2% em 2027, ainda assim acima das projeções brasileiras.
No que tange à inflação, o cenário global é mais favorável, com uma previsão de trégua. A taxa deve passar dos atuais 4,1% para 3,8%, aliviando as pressões sobre os preços em diversas economias ao redor do mundo.
Comércio Internacional e Riscos Geopolíticos
Apesar de algumas melhorias, o comércio entre países deve registrar uma desaceleração em seu ritmo de crescimento. A expectativa é que o aumento passe de 4,1% para 2,6% até o final de 2026, um sinal de cautela para as trocas internacionais.
O relatório do FMI aponta as tensões geopolíticas como fatores cruciais que podem causar “atrasos e aumentos nos custos”, dificultando ainda mais as operações comerciais em escala global.
Pierre-Olivier Gourrinchas, economista-chefe do FMI, reforçou essa preocupação em entrevista coletiva, afirmando que “É evidente que os riscos geopolíticos e o aumento das tensões comerciais representam um dos principais riscos para a economia global.”
É importante notar que os dados foram coletados até dezembro de 2025. Isso significa que eventos mais recentes, como a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, com suas implicações na geopolítica do petróleo, ou o aumento do tom do presidente Donald Trump em relação à Groenlândia, não foram incluídos na análise do relatório.
Brasil no Fórum Econômico Mundial
Nesta semana, líderes globais se reúnem no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, para discutir os rumos da economia mundial em meio a esses desafios e projeções.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não participará do encontro. O Brasil será representado pela ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, a única integrante do governo brasileiro presente no fórum para as discussões.