A França, por meio de seu presidente Emmanuel Macron, sugeriu recentemente à União Europeia (UE) que ative seu robusto mecanismo anti-coerção. Esta medida surge como uma resposta direta à ameaça de uma nova e potencialmente devastadora guerra tarifária com o governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump.

A tensão escalou no sábado, 17 de agosto, quando Trump anunciou em suas redes sociais a intenção de aplicar cobranças adicionais de 10% a partir de 1º de fevereiro. Essas tarifas seriam direcionadas a países que se opõem ao plano americano de anexar a Groenlândia, gerando preocupação em todo o continente europeu.

Os produtos importados da Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia estariam sujeitos a essa nova tarifa, conforme a publicação de Trump. Em resposta imediata, Macron classificou as ameaças como “inaceitáveis” e garantiu que os europeus reagiriam “de forma unida e coordenada”, conforme a fonte de conteúdo analisada.

O Que é o “Escudo Anti-Coerção” da UE?

O Instrumento contra a Coerção Econômica (ACI), conhecido como o “escudo” da UE contra ameaças tarifárias, foi criado em 2023. Segundo o site do Parlamento Europeu, seu objetivo é ser uma “arma dissuasiva” eficaz para resolver conflitos litigiosos e proteger os interesses do bloco.

A ativação desse mecanismo abriria caminho para uma ampla gama de sanções contra Washington, caso a ameaça de Trump se concretize. Este escudo anti-coerção permite uma resposta robusta e multifacetada por parte da União Europeia.

As Sanções Potenciais Contra os EUA

Se o pedido da França for aprovado pelas outras lideranças da UE, o bloco poderá ir muito além da imposição de tarifas adicionais. As sanções podem incluir restrições ao acesso de empresas americanas a licitações públicas europeias, impedindo sua participação em contratos governamentais.

Além disso, a UE poderia barrar a compra de ações de empresas dos 27 Estados-Membros por companhias americanas. O recebimento de financiamento público ou privado por entidades dos EUA também estaria sujeito a restrições, intensificando a pressão econômica.

O ACI ainda autoriza a União Europeia a exigir uma “reparação” financeira do país que exercer coerção contra ela, neste caso, os Estados Unidos. Essa cláusula adiciona uma camada extra de proteção e potencial custo para o agressor.

O Contexto da Criação do Mecanismo

Este instrumento foi elaborado logo após o fim do primeiro mandato de Donald Trump, período marcado por tensões comerciais. Naquela ocasião, os países europeus argumentaram que a “coerção” econômica não estava devidamente contemplada nos acordos da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Por esse motivo, havia uma necessidade urgente de criar um mecanismo próprio para proteção conjunta e para garantir que o bloco tivesse ferramentas para se defender de pressões externas, como a atual ameaça tarifária.

O Impacto Econômico e a Resposta Europeia

O jornal Financial Times noticiou no domingo que a União Europeia já avalia impor tarifas que podem atingir a marca de € 93 bilhões, o equivalente a R$ 580 bilhões, aos EUA. Outra possibilidade é restringir a entrada de empresas americanas no vasto mercado do bloco europeu.

A resposta de Macron, de que os europeus agiriam “de forma unida e coordenada”, reforça a seriedade da situação e a determinação da UE em proteger seus interesses econômicos e sua soberania diante de novas ameaças tarifárias.

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