Galáxia ‘Fantasma’ Revela Segredos da Matéria Escura, Composta Quase Integralmente por Ela
Uma descoberta astronômica surpreendente pode lançar luz sobre um dos maiores enigmas do universo: a matéria escura. Cientistas identificaram uma galáxia tão tênue que é considerada quase invisível, batizada de Candidate Dark Galaxy-2 (CDG-2). As primeiras análises sugerem que este corpo celeste é composto por uma proporção extraordinária de 99,9% de matéria escura, oferecendo uma oportunidade única para estudar essa substância elusiva.
A descoberta, realizada com o auxílio do Telescópio Espacial Hubble, abre caminho para que a CDG-2 se torne uma das galáxias com maior concentração de matéria escura já detectadas, caso novas observações confirmem as hipóteses iniciais. A matéria escura, que domina a estrutura do cosmos, é cinco vezes mais abundante que a matéria comum, responsável por estrelas, planetas e tudo o que podemos ver, mas permanece invisível e nunca foi observada diretamente.
Apesar de sua invisibilidade, a presença da matéria escura é inferida por seus efeitos gravitacionais, atuando como a “cola” que mantém o universo coeso. A maioria das galáxias, incluindo a Via Láctea, é dominada por essa componente misteriosa. No entanto, a CDG-2 representa um caso extremo, onde a abundância de matéria escura é tão avassaladora que a galáxia possui apenas uma fração ínfima de estrelas, tornando-a extremamente fraca e difícil de detectar. Conforme informações divulgadas em publicação científica.
A Natureza Elusiva da Matéria Escura e as ‘Galáxias de Baixo Brilho Superficial’
A matéria escura é um dos pilares da cosmologia moderna, mas sua natureza exata continua sendo um dos maiores desafios para os físicos e astrônomos. Estima-se que ela compõe cerca de 27% do universo, contrastando com os apenas 5% de matéria comum que observamos. Os 68% restantes seriam compostos pela ainda mais enigmática energia escura. A matéria escura interage gravitacionalmente com a matéria comum, influenciando a formação e a evolução das estruturas cósmicas, como galáxias e aglomerados de galáxias.
As galáxias, em geral, são dominadas pela matéria escura. No entanto, em certos casos, a relação entre a matéria escura e a matéria bariônica (a matéria comum) se torna tão desbalanceada que a galáxia emite pouquíssima luz. Esses objetos são conhecidos como “galáxias de baixo brilho superficial” (low surface brightness galaxies, em inglês). Milhares delas já foram descobertas desde a primeira identificação na década de 1980, mas a CDG-2 parece pertencer a um subconjunto ainda mais extremo.
A CDG-2, localizada a aproximadamente 300 milhões de anos-luz da Terra, exibe uma concentração tão alta de matéria escura que pode ser classificada como uma “galáxia escura”. Teoricamente, essas galáxias contêm pouquíssimas ou nenhuma estrela. “Galáxias de baixo brilho superficial são muito tênues, mas ainda há alguma luz vindo delas”, explicou Dayi Li, pesquisador de pós-doutorado em estatística e astrofísica na Universidade de Toronto e autor principal do estudo. “Mas uma galáxia escura está no extremo disso, onde basicamente não há qualquer tipo de luz fraca ou estrutura que você esperaria de uma galáxia típica.”