Despesas Parlamentares Atingem R$ 238 Milhões em 2025: Entenda o Impacto do Cotão

Os deputados federais brasileiros registraram um volume expressivo de gastos em 2025, utilizando a Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar, conhecida como Cotão, para cobrir diversas despesas inerentes ao mandato. O montante total despendido alcançou a marca de R$ 238 milhões, um valor que levanta discussões sobre a transparência e a efetividade na aplicação dos recursos públicos destinados à atividade legislativa.

A maior fatia desses recursos, cerca de R$ 100 milhões, foi direcionada para a divulgação da atividade parlamentar, uma categoria que, na prática, frequentemente se traduz em ações de autopromoção com potencial impacto nas campanhas de reeleição. Em seguida, destacam-se gastos significativos com aluguel de veículos, combustível e a manutenção de escritórios nos estados de origem dos parlamentares.

As informações detalhadas sobre esses gastos dos deputados revelam um panorama complexo de como o dinheiro público é administrado e as prioridades estabelecidas pelos representantes eleitos, conforme dados levantados e divulgados.

A Anatomia do Cotão: Como os R$ 238 Milhões Foram Distribuídos em 2025

A Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar, ou Cotão, é um instrumento essencial para o funcionamento dos mandatos dos deputados federais, cobrindo uma série de despesas que vão desde a manutenção de escritórios até o deslocamento para as bases eleitorais. Em 2025, a distribuição dos R$ 238 milhões revelou categorias de gastos que merecem atenção especial pela sua magnitude e natureza.

A divulgação da atividade parlamentar, com R$ 100 milhões, foi a campeã de despesas. Embora fundamental para informar a população sobre o trabalho legislativo, essa rubrica é frequentemente alvo de críticas por sua proximidade com a propaganda eleitoral, especialmente em anos pré-eleitorais. A linha tênue entre informar e promover o próprio nome é um desafio constante na fiscalização desses gastos.

Outras áreas de grande impacto financeiro incluem o aluguel de veículos, que consumiu R$ 41 milhões, e o combustível para esses automóveis, somando mais R$ 22 milhões. Essas despesas são justificadas pela necessidade de os deputados se deslocarem constantemente em suas bases eleitorais para atender às demandas de seus representados.

A manutenção dos escritórios de apoio nos estados, onde atuam assessores pagos pela Câmara, representou um custo de R$ 33 milhões. Esse é um pilar importante para a presença dos parlamentares fora de Brasília. As passagens aéreas nacionais somaram R$ 27,6 milhões, enquanto as hospedagens fora da capital federal custaram R$ 3,8 milhões. O fretamento de aeronaves, uma despesa que frequentemente gera controvérsia, totalizou R$ 2 milhões. Por fim, serviços de segurança (R$ 1,3 milhão) e telefonia (R$ 2,8 milhões) completam as principais categorias de gastos dentro do Cotão.

Fretamento de Aeronaves: Os Líderes da Gastança Aérea e a Justificativa da Logística Amazônica

Entre os deputados mais gastadores com o Cotão em 2025, alguns parlamentares se destacaram particularmente nas despesas com fretamento de aeronaves. Essa modalidade de transporte, embora custosa, é frequentemente justificada pela complexidade logística de certas regiões do país, como a Amazônia.

A deputada Renilce Nicodemos (MDB-PA) liderou essa lista, com um gasto de R$ 355 mil em fretamentos. Logo em seguida, Átila Lins (PSD-AM) despendeu R$ 323 mil, e Silas Câmara (Republicanos-AM) utilizou R$ 278 mil. Outros nomes da região amazônica também figuram entre os maiores usuários desse serviço: Sidney Leite (PSD-AM) com R$ 198 mil, Alessandra Haber (MDB-PA) com R$ 160 mil, Antônio Doido (PDB-PA) com R$ 140 mil, e Pauderney Avelino (União-AM) com R$ 106 mil.

A justificativa apresentada por esses parlamentares é a mesma: o fretamento de aviões é a maneira mais eficiente, e por vezes a única viável, de alcançar seus redutos políticos e bases eleitorais, que muitas vezes estão em áreas de difícil acesso por via terrestre. A geografia da Amazônia, com seus rios e florestas densas, impõe desafios logísticos que, segundo os deputados, tornam o transporte aéreo uma necessidade para o cumprimento de suas funções.

Aluguel de Veículos de Luxo e a Questão da Transparência: O Caso do Deputado Bacelar

A rubrica de aluguel de veículos também gerou discussões significativas sobre a natureza dos gastos e a transparência na prestação de contas. O deputado Bacelar (PV-BA), por exemplo, despendeu R$ 175 mil com aluguel de automóveis, um dos valores mais altos nessa categoria.

O que chamou a atenção, no entanto, foi a forma como esses gastos foram detalhados na página de Transparência da Câmara. Enquanto a plataforma informa os valores de cada fretamento e o número da placa dos veículos, a ausência de informações sobre o modelo dos carros levantou questionamentos. Uma apuração revelou que os veículos alugados eram luxuosas caminhonetes Hilux, com contratos que variavam entre R$ 12.650 e R$ 18.600 por mês.

A assessoria de imprensa do deputado Bacelar afirmou que a responsabilidade pela emissão da nota fiscal, incluindo os detalhes do veículo, é exclusiva da empresa contratada, conforme a legislação tributária vigente. Contudo, a ausência de informações mais específicas na prestação de contas pública do parlamentar pode dificultar a fiscalização e a compreensão completa por parte dos cidadãos sobre a adequação desses gastos. A questão da transparência na divulgação de detalhes sobre os bens e serviços alugados com dinheiro público permanece um ponto sensível no debate sobre os gastos dos deputados.

A Divisão do Bolo: Como os Partidos Políticos Consumiram o Cotão em 2025

A análise dos gastos dos deputados pelo Cotão em 2025 também revela como os recursos foram distribuídos entre as bancadas partidárias, refletindo em grande parte o tamanho e a influência de cada partido no Congresso. Os valores consumidos pelos partidos acompanham, de forma aproximada, o número de parlamentares que compõem suas bancadas.

O Partido Liberal (PL), legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi o que mais utilizou o Cotão, com um total de R$ 39,6 milhões. Em seguida, o Partido dos Trabalhadores (PT), do presidente Lula, registrou gastos de R$ 31,7 milhões. O União Brasil despendeu R$ 28 milhões, o Partido Progressistas (PP) R$ 23 milhões, o Partido Social Democrático (PSD) R$ 22 milhões, e o Republicanos R$ 21,5 milhões.

Dentro das categorias de despesas, o PL também liderou na divulgação da atividade parlamentar, com R$ 16 milhões. O PT gastou R$ 12 milhões nessa rubrica, o União Brasil R$ 11,4 milhões, e o Republicanos R$ 10,4 milhões. Curiosamente, o PSD utilizou uma quantia significativamente menor para essa despesa, apenas R$ 8,5 mil, o que pode indicar uma estratégia diferente em relação à autopromoção ou uma menor necessidade de investimentos nessa área específica.

No aluguel de veículos, o PL novamente se destacou, consumindo R$ 7,2 milhões. Essa distribuição mostra como as verbas do Cotão são pulverizadas entre as diversas forças políticas, mas também evidencia a concentração de gastos em determinadas áreas por parte das maiores bancadas.

Os Campeões de Gastos Individuais em 2025: Uma Análise Detalhada por Deputado

A lupa sobre os gastos dos deputados em 2025 revela os parlamentares que mais utilizaram o Cotão, apresentando um panorama de como as prioridades de cada mandato se refletem nas despesas. O deputado Gabriel Mota (Republicanos-RR) foi o campeão de gastos, consumindo R$ 628,6 mil.

A maior parte de suas despesas, R$ 340 mil, foi destinada à manutenção de seu escritório político, um indicativo da importância dada à estrutura de apoio em sua base. A divulgação da atividade parlamentar ficou em segundo lugar, com R$ 264 mil.

A deputada Meire Serafim (União-AC) ocupou a segunda posição, com R$ 594 mil em gastos. Ela investiu R$ 224 mil na divulgação de seu próprio mandato e R$ 126 mil no aluguel de veículos. Em seguida, Pompeo de Mattos (PDT-RS) registrou R$ 591 mil em despesas, com R$ 293 mil direcionados à divulgação de seu mandato.

Outros deputados com altos gastos incluem Albuquerque (Republicanos-RR), que despendeu R$ 587 mil, dos quais R$ 501 mil foram para autopromoção; Josenildo (PDT-AP), com R$ 586 mil, sendo R$ 303 mil para divulgação e R$ 105 mil para locação de veículos; e Zé Adriano (PP-AC), que gastou R$ 585 mil, com R$ 315 mil em divulgação.

A lista segue com Heitor Schuch (PSB-RS), com R$ 585 mil (R$ 208 mil em autopromoção e R$ 120 mil em aluguel de veículos); Thiago Flores (Republicanos-RO), com R$ 584 mil (R$ 274 mil em divulgação e R$ 133 mil em locação de veículos); Roberto Duarte (Republicanos-AC), também com R$ 584 mil (R$ 255 mil em divulgação e R$ 136 mil em aluguel de veículos); e Silvia Cristina (PP-RO), que gastou R$ 582 mil, com impressionantes R$ 466 mil dedicados à divulgação do mandato. Esses números evidenciam a prioridade dada por muitos parlamentares à comunicação com o eleitorado e à manutenção de suas estruturas de apoio.

Além do Cotão: Viagens Oficiais e Auxílio-Moradia Complementam as Despesas Parlamentares

Além dos gastos dos deputados cobertos pela Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar, outros benefícios e despesas complementam o custo total da representação legislativa. As viagens oficiais, por exemplo, que não estão incluídas no Cotão, representaram um dispêndio de R$ 6,4 milhões em 2025.

Essas viagens são realizadas para representar o Brasil em eventos internacionais, participar de missões diplomáticas ou cumprir agendas específicas de interesse nacional ou parlamentar. Embora essenciais para a atuação do país no cenário global e para o desenvolvimento de relações bilaterais, os custos associados a elas também são frequentemente escrutinados pela opinião pública.

Outro benefício significativo é o auxílio-moradia, concedido aos deputados que não possuem apartamento funcional em Brasília. Em 2025, 133 parlamentares receberam esse auxílio, no valor de R$ 4,2 mil mensais. Essa despesa totalizou R$ 5,2 milhões, garantindo que os legisladores tenham acomodação adequada na capital federal para o exercício de suas funções. A existência e o valor desse auxílio são temas recorrentes de debate, especialmente em períodos de restrição orçamentária ou quando comparados aos rendimentos e benefícios da população em geral.

O Debate sobre Transparência e Autopromoção: Implicações dos Gastos para a Reeleição

Os gastos dos deputados em 2025, especialmente aqueles relacionados à divulgação da atividade parlamentar, reacendem o debate sobre a transparência no uso dos recursos públicos e as implicações éticas da autopromoção. Com R$ 100 milhões destinados a essa rubrica, que representa a maior fatia do Cotão, a fronteira entre informar o eleitorado e promover a imagem pessoal para fins eleitorais torna-se cada vez mais tênue.

A prática de investir pesadamente em divulgação pode ser vista como uma estratégia eficaz para a reeleição, permitindo que os parlamentares mantenham-se visíveis e ativos em suas bases, mesmo fora do período eleitoral oficial. No entanto, essa percepção gera questionamentos sobre a justiça do processo eleitoral, uma vez que deputados com maior acesso a recursos do Cotão teriam uma vantagem inerente sobre novos candidatos ou aqueles com menor capacidade de despesa.

A sociedade exige cada vez mais clareza e detalhamento sobre como esses recursos são aplicados. A falta de informações específicas, como o modelo de veículos alugados no caso do deputado Bacelar, ou a dificuldade em distinguir a divulgação institucional da promoção pessoal, alimenta a desconfiança e o ceticismo em relação à classe política. A prestação de contas dos gastos dos deputados é um pilar fundamental da democracia, e a constante vigilância sobre sua aplicação é essencial para garantir a probidade e a legitimidade do mandato popular.

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